Campo progressista derrota extrema-direita em Portugal e protege a democracia.

23/02/2026

: CSPB avalia que lições valiosas devem ser seguidas pelo Brasil

Lições de Portugal: Por que o fortalecimento de candidaturas progressistas e o pragmatismo político são as chaves da CSPB para salvar o serviço público em 2026

Por João Domingos Gomes dos Santos
A recente vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais em Portugal não é apenas um evento político europeu; é um sinal de alerta e, simultaneamente, um farol de esperança para o movimento sindical brasileiro. Ao derrotar o candidato da extrema-direita, André Ventura, com expressivos 66,7% dos votos, o povo português emitiu um veredito claro: a democracia não é negociável e o isolamento de forças autoritárias — o chamado "corredor sanitário" — torna-se uma estratégia legítima e necessária para a preservação das instituições.
Para nós, da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB, esse resultado reforça a urgência do nosso Plano de Ação 2026. Assim como Portugal uniu forças diversas para barrar o retrocesso, o serviço público brasileiro precisa de uma articulação pragmática e vigorosa para retomar seu protagonismo no Congresso Nacional.Leia mais: CSPB articula estratégia eleitoral para 2026 e projeta criação da "Bancada do Serviço Público"O exemplo português e a nossa realidade
Em Portugal, a vitória de Seguro foi consolidada pela capacidade de diálogo. Lideranças de diferentes matizes políticas compreenderam que o risco representado pelo extremismo era maior que as divergências programáticas. No Brasil, enfrentamos um cenário similar. O avanço de agendas que visam o desmonte do Estado e o enfraquecimento das carreiras públicas, especialmente no Senado Federal, exige que a CSPB adote uma postura realista.
Nosso projeto para 2026 não é apenas eleitoral, é de sobrevivência. O Plano de Ação, ratificado por nossa Diretoria e Federações, foca em:
- Criação da "Bancada do Serviço Público": Superar a sub-representatividade histórica de nossa categoria na Câmara e no Senado.
- Pragmatismo Político: Priorizar o apoio a candidatos — preferencialmente progressistas, mas também de centro — que assumam um compromisso inegociável com a agenda dos servidores e contra a redução do Estado Social.
- Parcerias de Inteligência: Atuamos com o suporte técnico da FGV para mapear lideranças viáveis e do ICL para a formação de consciência política na base.
O Legislativo como trincheira
Não podemos mais ser apenas espectadores das decisões que definem nosso futuro. A meta é identificar, até abril, nomes competitivos em estados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Precisamos de parlamentares que barrem reformas administrativas punitivas e que lutem pela regulamentação da Convenção 151 da OIT.
"2026 definirá nossa sobrevivência ou extinção. O setor público deve deixar de ser um tema de debate para se tornar um ator político com bancada própria."Unidade para vencer
O "corredor sanitário" aplicado em Portugal nos ensina que a fragmentação é o maior aliado do retrocesso. Por isso, a CSPB está mobilizando suas Federações regionais para unificar o discurso. Servidores, familiares e a sociedade civil que depende de serviços públicos de qualidade devem formar um bloco eleitoral decisivo.
A vitória da democracia em Portugal é um combustível para a nossa luta. O Brasil de 2026 exige de nós a mesma coragem e estratégia. Vamos transformar nossa indignação em votos e nossa organização em poder político.* João Domingos Gomes dos Santos é presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPBSecom/CSPB