VACINA HPV

08/05/2018

Meninos já podem se vacinar contra HPV no SUS; veja mudanças na vacinação

03/01/2017

Vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais nos homens, além de contribuir para redução do câncer de colo de útero entre as mulheres.

Enfermeira administra vacina em adolescente; a partir de agora, meninos de 12 a 13 poderão receber vacina de HPV pelo SUS (Foto: CDC/Judy Schmidt)

Meninos de 12 a 13 anos já podem receber a vacina contra o vírus HPV pelo SUS em postos de vacinação de todo o Brasil, anunciou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (3). A inclusão desse grupo tinha sido anunciada em outubro de 2016, mas só entrou em vigor agora, em janeiro de 2017.

Estudos feitos em outros países que já adotaram a vacinação de meninos mostram que a inclusão dos meninos contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que isso possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino.

Além disso, os próprios meninos serão beneficiados, já que a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus.

Brasil é sétimo país a incluir meninos

A vacinação contra HPV para meninos também é usada nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá. A inclusão dos meninos na vacinação contra HPV segue a recomendação de sociedades médicas brasileiras como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria.

A faixa etária dos meninos que podem receber a vacina será ampliada gradualmente até 2020, quando ela estará disponível para meninos de 9 a 13 anos.

Outra mudança é que, a partir de 2017, meninas que chegaram aos 14 anos sem a vacina também poderão se vacinar. A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.

Também entra em vigor agora a inclusão da vacina contra meningite C para meninos e meninas de 12 a 13 anos. Até 2020, a vacina deverá estar disponível a crianças de 9 a 13 anos. Hoje, essa imunização é oferecida apenas para crianças aos 3, 5 e 12 meses de idade. A meningite C é o subtipo mais frequente da doença, que é considerada grave e de rápida evolução.

Confira as mudanças da vacinação em 2017

HPV: como era antes?

-2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 13 anos

-3 doses com intervalo de dois e seis meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos

HPV: como é agora?

-2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 14 anos

-3 doses com intervalo de dois e seis meses para mulheres com HIV entre 9 e 26 anos

-2 doses com intervalo de 6 meses para meninos de 12 a 13 anos

-3 doses com intervalo de dois e seis meses para homens com HIV entre 9 e 26 anos

Meningite C: como era antes?

-3 doses para meninos e meninas aos 3, 5 e 12 meses de idade

Meningite C: como é agora?

-3 doses para meninos e meninas aos 3, 5 e 12 meses de idade

-Reforço para meninos e meninas de 12 a 13 anos

Confira o calendário vacinal completo para crianças, adolescentes, adultos e idosos no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Entenda a vacina do HPV

O HPV é um vírus que pode causar câncer do colo do útero e verrugas genitais. Ele é altamente contagioso, e a sua transmissão acontece principalmente pelo contato sexual.

A vacina distribuída no SUS é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. Dois deles (o 6 e o 11), estão relacionados com o aparecimento de 90% das verrugas genitais. Os outros dois (o 16 e o 18) estão relacionados com 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Além da vacina, a prevenção contra esse tipo de câncer também continua envolvendo o exame Papanicolau, que identifica possíveis lesões precursoras do câncer que, tratadas precocemente, evitam o desenvolvimento da doença.

HPV pode causar verrugas genitais e câncer de colo do útero ou de pênis

Saiba como é a prevenção, o contágio e o tratamento dessa DST.
Até 80% da população sexualmente ativa já entrou em contato com o vírus.

O vírus do papiloma humano (HPV) está diretamente ligado ao câncer de colo do útero, a segunda maior causa de morte de mulheres por tumor no mundo, atrás apenas do de mama. Os principais sintomas da doença são sangramentos e dor nas relações sexuais.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), sem considerar o câncer de pele não-melanoma, o de colo do útero é o mais incidente na Região Norte (24 por 100 mil mulheres). No Centro-Oeste (28 por 100 mil) e no Nordeste (18 por 100 mil), ocupa a segunda posição. No Sudeste (15 por 100 mil), o terceiro lugar, e no Sul (14 por 100 mil), o quarto. Enquanto o Amazonas tinha, em 2008, uma taxa de mortalidade de 16,7 casos por 100 mil mulheres, São Paulo registrava 3,13.

Os homens também são atingidos pelo HPV: até 40% dos casos de câncer de pênis são causados por esse vírus, cujo contato alcança 80% da população sexualmente ativa.

Segundo o ginecologista José Bento e o infectologista Caio Rosenthal, toda mulher que tem ou já teve vida sexual deve fazer o exame preventivo ginecológico, especialmente na faixa etária entre 25 e 64 anos, segundo recomendação do Inca. O papanicolau não dói, principalmente quando a mulher está relaxada. Isso porque o colo do útero não tem enervação.

Além do papanicolau - que deve ser feito anualmente ou a cada dois anos, se der dois exames negativos seguidos -, há outros métodos para confirmar a presença do HPV, como a colposcopia e a captura híbrida (ainda não feita pelo Sistema Único de Saúde).

Após o exame, a paciente deve retornar ao local (laboratório, ambulatório, posto ou centro de saúde) na data marcada para saber o resultado e receber as instruções. Tão importante quanto fazer o teste é buscá-lo e apresentá-lo ao médico.

Em alguns casos, o HPV pode causar verrugas na parte genital, tanto nos homens quanto nas mulheres. Outros sintomas nos homens são manchas ou coloração diferente na glande, mas o vírus também pode não apresentar nenhum sinal. O homem deve investigar a suspeita de contaminação com um urologista, e o exame é chamado de peniscopia.

Na mulher, há três formas de manifestação do HPV: clínica, que são as verrugas; subclínica, que são as lesões no colo do útero pré-cancerígenas e que só o papanicolau detecta; e a forma latente, quando o vírus fica escondido, sem provocar sintomas.

A maioria das infecções é transitória e combatida espontaneamente pelo sistema imunológico, principalmente entre as mulheres mais jovens (abaixo dos 30 anos). Em 80% dos casos, o organismo destrói o vírus em cinco anos.

Em outros pacientes, o HPV não é combatido e, quando reaparece, pode alterar as células da pele, que começam a nascer deformadas. Mas isso não é percebido imediatamente, porque fica numa camada profunda. À medida que a pele superficial é substituída, as camadas de baixo chegam à tona e a lesão se torna aparente.

Segundo José Bento, o HPV também pode desencadear lesões na boca, garganta e no ânus. E uma doença mais séria, como o câncer, pode levar até 15 anos para se desenvolver após a instalação do vírus. Por isso, o exame precoce é fundamental.

Entre os 200 tipos de HPV, existem 13 reconhecidos como causadores de câncer pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc). Desses vírus, os mais comuns são o 16 e o 18.

As vacinas disponíveis hoje no mundo não garantem imunidade contra todos os tipos. Estão registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) as vacinas quadrivalente (HPV 6,11,16 e 18) e bivalente (HPV 16 e 18) contra o câncer do colo do útero, indicadas para mulheres com idade entre 9 e 26 anos.

A imunização custa cerca de R$ 900 as três doses. Segundo o Inca, a vacina contra o HPV é uma promissora ferramenta para o combate ao câncer, mas ainda é uma prática distante da realidade dos países de baixa e média rendas, por causa do alto custo.

Dicas dos médicos
- Evite compartilhar roupas íntimas e toalhas, pois o HPV também pode ser transmitido por material e superfícies contaminados, embora seja raro
- Dois dias antes do papanicolau, não tenha relações sexuais, nem com camisinha; evite duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais
- Não faça o exame menstruada, porque a presença de sangue pode alterar o resultado. A mulher tem direito a um acompanhante
- Use sempre camisinha, que ajuda a proteger contra o HPV, mas não totalmente, já que o vírus pode se esconder na base do pênis ou em locais não isolados pelo preservativo
- Não fume. O tabagismo eleva o risco de desenvolvimento do câncer de colo do útero