vírus mayaro no interior de São Paulo

25/05/2019

Estudo da USP de Ribeirão Preto aponta circulação do vírus mayaro no interior de São Paulo

Grupo encontrou anticorpos para doença em amostras de sangue de doadores de São Carlos. Sintomas da febre são parecidos com os da chikungunya.

25/05/2019 08h01 

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP) afirmam ter encontrado pela primeira vez no Estado de São Paulo indícios da circulação de um vírus que no Brasil era restrito a áreas como a região amazônica.

Ao analisar amostras de sangue de doadores de São Carlos (SP), o grupo encontrou anticorpos para a febre do Mayaro, doença infecciosa de origem silvestre transmitida pelo mosquito Haemagogus janthinomys com sintomas parecidos com a chikungunya para a qual ainda não existe uma vacina.

Recentemente, a circulação do vírus também foi apontada no Rio de Janeiro.

"A explicação é a mesma que a gente poderia usar pra febre amarela silvestre, que vem ocorrendo desde 2015 no Sudeste do Brasil. Já pegou Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e agora está chegando ao Paraná. Mayaro é uma virose dos macacos da floresta como é a febre amarela, transmitida pelos mesmos mosquitos. Em termos gerais, a gente poderia dizer que onde há condições de ter febre amarela silvestre há condições de ter mayaro", afirma o professor Luiz Tadeu Figueiredo, diretor do departamento de virologia da USP em Ribeirão.

MAYARO: O QUE SE SABE SOBRE O NOVO VÍRUS

Mosquito transmissor do mayaro - Foto: Reprodução/EPTV Mosquito transmissor do mayaro - Foto: Reprodução/EPTV

Mosquito transmissor do mayaro - Foto: Reprodução/EPTV

Vírus mayaro

Vírus mayaro

Considerado endêmico no Norte do país, o vírus mayaro provoca dores musculares e articulares parecidas com a febre chikungunya, dura de três a cinco dias e seu tratamento é apenas sobre os sintomas.

Apontado como o mosquito transmissor, o Haemagogus janthinomys geralmente vive na copa das árvores e em áreas úmidas próximas a rios e tem hábitos diurnos. Macacos, cavalos, répteis, roedores e aves estão entre os hospedeiros do vírus.

Nas áreas em que o vírus circula naturalmente, um ser humano, que é considerado um hospedeiro acidental, está sujeito a contraí-lo principalmente entre 9h e 16h, horário em que o vetor está mais ativo.

Estudos também mostram que mosquitos como o Aedes aegypti também podem transmitir a doença, segundo informações do Ministério da Saúde.

No Brasil, o primeiro surto da doença ocorreu em 1955 na região de Belém (PA) e, desde então, casos esporádicos têm sido registrados principalmente no Norte e no Centro-Oeste.

Doutoranda em virologia na USP de Ribeirão Preto (SP), Marília Farignoli Romeiro - Foto: Reprodução/EPTV Doutoranda em virologia na USP de Ribeirão Preto (SP), Marília Farignoli Romeiro - Foto: Reprodução/EPTV

Doutoranda em virologia na USP de Ribeirão Preto (SP), Marília Farignoli Romeiro - Foto: Reprodução/EPTV

Vírus no interior de SP


Ao analisar 5,6 mil amostras de doadores do Banco de Sangue de São Carlos, os pesquisadores de Ribeirão encontraram 36 com dois tipos de anticorpos para a doença, explica a doutoranda em virologia Marília Farignoli Romeiro.

Segundo ela, o perfil de quem foi analisado indica que o vírus está em circulação no Estado. "Grande parte dessas pessoas não notificaram o Banco de Sangue ter feito viagens para regiões onde esse vírus é endêmico", explica.

Para Figueiredo, é possível que muitos dos casos de dengue e chikungunya registrados na região Sudeste do país sejam, na verdade, casos de mayaro.

"Acreditamos que essa virose esteja ocorrendo desapercebida no estado de São Paulo e outras regiões do Sudeste do Brasil provavelmente confundida com dengue, com chikungunya , com outros desses vírus que já estão circulando por aqui. Seria importante primeiro pensar nessa virose, na febre do mayaro e desenvolver ou montar nos laboratórios de saúde pública métodos para o diagnóstico que possam ser usados com maior frequência", afirma.