QUARENTENA*

20/03/2021

Adoção de fase mais restritiva da quarentena ocorreu há 14 dias, mas dados de mortes, casos e internações por Covid-19 mantêm forte tendência de alta no estado de SP. Índice de isolamento social subiu apenas 2,7 pontos percentuais após fase vermelha.

Duas semanas após a retomada da fase vermelha da quarentena em todo o estado de São Paulo, a média móvel diária chegou a 467 mortes pela Covid-19 nesta sexta-feira (19), batendo recorde de maior valor desde o início da epidemia pelo 14º dia seguido.

O indicador é 64% maior do que o registrado há 14 dias, o que para especialistas indica forte tendência de alta. Durante o primeiro pico da doença, em 2020, os maiores valores de média móvel de mortes não passavam de 280 por dia.

Como o cálculo da média móvel leva em conta um período maior do que o registro diário, é possível medir de forma mais fidedigna a tendência da pandemia. Nos 14 dias que se passaram desde que a fase vermelha foi adotada, o governo de São Paulo criou ainda a fase emergencial, que teve início no dia 15 de março.

Especialistas afirmam que os reflexos de medidas de restrição de circulação começam a influenciar os dados da pandemia, como número de casos e internações, após cerca de duas semanas. Para redução no total de mortes, eles consideram que o intervalo desde a adoção das medidas pode ser ainda maior.

Nesta sexta, foram contabilizados 620 novos óbitos em 24 horas, elevando o total para 66.798. Este é o quarto dia seguido em que os registros diários de mortes ficam acima de 600.

O estado teve ainda 18.673 novos casos da doença confirmados nas últimas 24 horas. No total, São Paulo chegou a 2.280.033 casos de Covid-19 confirmados desde o início da epidemia.

A média móvel de casos também foi recorde nesta sexta-feira, chegando a 14.321 por dia. É a primeira vez que este indicador ultrapassa a marca de 14 mil casos por dia. O valor é 42% maior do que o verificado 14 dias atrás, o que também indica tendência de alta.


Em coletiva de imprensa na quarta, o governador João Doria (PSDB) anunciou um pacote de medidas econômicas para comerciantes, mas não foram criadas novas restrições de circulação no estado além das que já estão em vigor na fase emergencial.

A fase emergencial foi criada para incluir restrições adicionais à fase vermelha. Nesta primeira, é proibida a retirada de produtos em estabelecimentos comerciais (apenas o delivery é permitido), setores como o de lojas de construção foram fechados e foi instituído um toque de recolher das 20h às 5h da manhã em todo o estado.

Apesar das mudanças, tanto a fase vermelha quanto a fase emergencial tiveram poucos efeitos na redução da circulação de pessoas no estado.

Efeitos da quarentena



A adoção da fase emergencial e a fase vermelha da quarentena não resultou em grandes alterações na taxa de isolamento social no estado como um todo.

No dia 6 de março (sábado) todo o estado foi colocado na fase vermelha do Plano São Paulo e registrou isolamento social de 46%. O valor foi 4 pontos percentuais maior do que o sábado da semana anterior, mas a diferença diminuiu ao longo da semana.

Na semana anterior à fase vermelha (de 27/02 a 5/03), a média do isolamento social foi de 41,2%. Já na primeira semana de fase vermelha, a média foi de 44%, aumento de apenas 2,7 pontos percentuais.

Já nos quatro primeiros dias de fase emergencial (de 15/03 a 18/03), a média de isolamento foi de 42,2%, apenas 1,3 pontos percentuais acima do mesmo período da semana anterior

Hospitais em colapso

A ocupação geral de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nas redes pública e privada está em 91,4% no estado e em 91,6% na Grande São Paulo nesta sexta.

O número total de pacientes internados no estado é de 27.527, sendo 11.738 em UTIs e 15.789 em enfermaria. Esse valor é 77% maior que o total de pacientes internados no dia 27 de fevereiro, quando o estado bateu o recorde de pacientes internados pela primeira vez.

Segundo levantamento do G1, da TV Globo e da GloboNews, ao menos 135 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença não resistiram à espera por um leito de UTI e morreram até esta sexta-feira (19) no estado de São Paulo.

Especialistas alertam para o colapso do sistema, já que a capacidade de criação de leitos, especialmente de UTI, é limitada.

Nesta quinta-feira um jovem de 22 anos morreu à espera de um leito de UTI na capital paulista. "Não deu tempo por falta de socorro. Por falta de oxigênio, o meu filho não está aqui", disse a mãe de Renan Ribeiro Cardoso, que morreu no Pronto Atendimento de São Mateus, na Zona Leste da capital paulista.

O colapso da saúde também atinge a rede particular da capital. Nesta terça, o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, disse que os hospitais privados estão solicitando leitos do SUS porque não conseguem atender a demanda.

A fila por leitos de Covid-19 passou de 395 pessoas para 475 nesta quinta-feira na cidade de São Paulo, e a prefeitura anunciou que vai abrir novos leitos em "hospitais de catástrofe", exclusivamente para pacientes de Covid-19.