PROTESTOS DE SERVIDORES NO RIO GRANDE DO SUL

26/11/2019

Protesto de servidores contra pacote do governo acaba em confronto entre manifestantes e polícia em Porto Alegre

Presidente do Cpers diz que foi atingida por um cassetete de um policial do choque. Brigada Militar usou spray de pimenta para conter grevistas que tentavam entrar no Palácio Piratini.

Por Jewison Cabral, Léo Saballa Jr., Matheus Beck e Janaína Lopes, 26/11/2019 17h30 

O protesto de professores e outros servidores públicos contra o pacote do governador Eduardo Leite (PSDB), em frente ao Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre, teve confronto entre manifestantes e Brigada Militar.

Onze pessoas ficaram feridas, entre alunos e professores, e foram levadas ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS), segundo a Secretaria Municipal de Saúde. O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) diz que, entre elas, estão três membros da direção central.

A intervenção da tropa de choque iniciou quando alguns grevistas derrubaram a barreira e tentaram entrar junto à comissão de negociadores. Por volta das 16h, os policiais usaram gás de pimenta e golpes de cassetete para conter as pessoas que tentavam ingressar no prédio.

Na confusão, a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, foi atingida na cabeça. Ela se reuniria com o secretário-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, que representava o governador Eduardo Leite.

Conforme a assessoria do sindicato, Helenir passou pela triagem e vai passar por uma tomografia.

"Pedimos uma audiência para entregar uma carta pedindo a retirada do projeto. Fomos recebidos com uma cacetada na cabeça do choque. Não viemos aqui para dar motivo para o governo dizer que aquela casa tem que aprovar o projeto", disse Helenir, apontando para a Assembleia Legislativa, onde tramitam oito projetos com alterações nas carreiras do funcionalismo público.


Em nota publicada após o incidente, o governo do RS disse que houve tentativa de invasão ao Palácio Piratini, e que o governo se dispôs a receber uma comissão dos professores. Leia na íntegra abaixo.

Já a Brigada Militar informou, também por nota, que agiu para "garantir o acesso dos dirigentes do sindicato com a devida segurança", e que diante da ação dos manifestantes, agiu tecnicamente para restabelecer a ordem.

Os manifestantes se reuniram no começo da tarde para uma assembleia geral. Além do Cpers, outros seis sindicatos de classe aderiram à manifestação. Desde o dia 18, professores da rede estadual aderem à greve, que já dura mais de uma semana.

Sem acordo algum, a greve deve ser mantida nos próximos dias, diz a professora Cândida Rosseto, secretária da Direção Central.

"Nossa greve tem dois eixos. Um deles é o pacote. Mas o número um é o atraso e o parcelamento. Essa miséria que a categoria vive é uma forma de violência."

Nota oficial sobre tentativa de invasão ao Palácio Piratini na tarde desta terça

O governo do Estado repudia publicamente a lamentável tentativa de invasão do Palácio Piratini por parte de ativistas nesta terça-feira (26/11). No início da tarde, de forma democrática, o governo se dispôs a receber, mais uma vez, uma comissão de representantes do sindicato dos professores que protestavam em frente ao palácio.

Como mostram as imagens do circuito de segurança do Piratini, um grupo de manifestantes derrubou os gradis instalados em frente ao palácio e tentou invadir o local enquanto o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, recepcionava a comissão acima citada. Da agressiva e injustificável ação dos manifestantes restaram dois policiais feridos.

O governo reitera a disposição em dialogar a respeito das propostas encaminhadas à Assembleia, como já vem fazendo desde o início do ano, quando visitou todas as entidades representativas de servidores. Além disso, o pacote de projetos foi apresentado individualmente a cada sindicato, antes mesmo do encaminhamento ao Legislativo.

Atitudes como a verificada na tarde desta terça-feira não ajudam em nada a resolver os problemas do Estado e colocam em risco a integridade física das pessoas envolvidas. A reforma em curso não é contra ninguém. Ela é a favor do futuro de um Estado que convive há décadas com uma crise que assola não apenas os servidores, mas principalmente os 11 milhões de gaúchos que aqui vivem.