Osteoporose-Dos pacientes idosos que sofrem fratura, 20% não retornam a andar de maneira independente, 30% irão a óbito em um ano e o tratamento provoca alto custo ao sistema de saúde.

02/05/2018


A maioria (76%) dos idosos acima de 65 anos internados com fraturas de fêmur no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC), na capital paulista, desconhece que têm fragilidade óssea (osteoporose), aponta estudo inédito do HC da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

"Decidimos fazer esse estudo entre os pacientes internados no IOT porque identificamos que é alto o número de idosos internados por trauma e osteoporose. São 450 pacientes por ano", informa o médico Marcos de Camargo Leonhardt, traumatologista do IOT, além de gestor e médico assistente do pronto-socorro (PS) do IOT.

A pesquisa mostrou que de 330 pacientes internados, 76% desconheciam ter o diagnóstico de osteoporose. Os demais (24%) declararam saber que tinham a doença, mas apenas 8% disseram fazer tratamento. Para o ortopedista Kodi Kojima, um dos autores do estudo, os dados são preocupantes, pois com o tratamento adequado da osteoporose poderia ter evitado essas fraturas.

Dos pacientes idosos que sofrem fratura, 20% não retornam a andar de maneira independente, 30% irão a óbito em um ano e o tratamento provoca alto custo ao sistema de saúde.

Menopausa - O traumatologista Camargo informa que é aconselhável às mulheres investirem na prevenção de osteoporose a partir dos 55 anos de idade, quando diminuem os hormônios devido ao início da menopausa: "Infelizmente, aqui no IOT, o que ocorre com mais frequência é elas só descobrirem que estão com a perda acentuada de massa óssea (osteoporose) ao sofrerem uma fratura.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), após os 65 anos a fratura já é indicativa do problema". O exame que confirma o diagnóstico dessa doença é a densitometria óssea, disponível em diversos centros de saúde ligados ao sistema único de saúde (SUS). Na capital paulista, Camargo aconselha aos médicos do programa de saúde da família, os quais têm mais contato com a população, que invistam no rastreamento dos idosos e conscientização sobre as formas de prevenção.

Os dois especialistas destacam que é necessária a conscientização da comunidade médica que cuida da população de risco para a medicação adequada do idoso e, quando atender um caso de fratura, encaminhá-lo rapidamente ao tratamento cirúrgico. Complicações - "É necessário alertar os mais velhos, acima de 55 anos, sobre a importância de reposição de cálcio com alimentação, avaliação dos níveis de vitamina D, estimular atividade física rotineira para depositar cálcio nos ossos. Se isso não for suficiente, o paciente deverá tomar medicamentos específicos com recomendação médica", informa o traumatologista.

Ele diz que o grande problema é que a osteoporose não apresenta sinais iniciais. "Por isso, é imprescindível a investigação a partir de 55 anos de idade. O primeiro sinal geralmente é a fratura", salienta Camargo.

Dos idosos acompanhados pelo grupo de trauma do IOT do HC, 31% já haviam sofrido outra fratura decorrente da osteoporose, mas não faziam tratamento especí­ fico para o problema. "É alarmante o dado que pacientes que tiveram fraturas por osteoporose e não recebem o tratamento adequado da doença para prevenir um segundo evento", diz Kodi. Mesmo pequenas quedas entre os idosos geram fraturas e complicações devido à fragilidade óssea. "Outro dado que chama atenção é que 21% dos pacientes buscam atendimento 48 horas após a fratura, e sabemos que o tratamento cirúrgico precoce reduz a mortalidade pós-operatória", ressalta o ortopedista Kodi Kojima.

Prevenção - A prevenção é sem dúvida o melhor remédio para a osteoporose. Segundo Kojima, é preciso conscientizar a população da importância da realização do diagnóstico e do tratamento, principalmente nas mulheres, as mais acometidas pela perda de massa óssea após a menopausa. Pensando em colaborar para reverter essa situação, todos os pacientes que chegam ao PS do IOT com fraturas são encaminhados ao Grupo de Doenças Osteometabólicas. Lá, equipe multiprofissional composta de ortopedistas, fisiatras, fisioterapeutas e nutricionistas orientam as pessoas sobre a necessidade de reposição de cálcio com medicamentos, consumo de alimentação rica em cálcio (derivados de leite, verduras verde-escuras, evitar café, refrigerante e bebida alcoólica). "A detecção precoce é importante para evitar perda óssea, pois uma vez instalada será difícil normalizá-la. É possível apenas evitar novas fraturas e recuperar um pouco a perda óssea", alerta Camargo.

Viviane Gomes Imprensa Oficial -

Conteúdo Editorial Assessoria de Imprensa do IOT