O PODER DA COMUNICAÇÃO

02/05/2018

O poder da mídia sobre as pessoas e sua interferência no mundo do direito

Exemplo claro são redes como

Facebook,

Orkut,

Twitter,

Google+,

YouTube,

Instagram,

MySpace, entre outras onde basta criar um perfil e compartilhar conteúdos com amigos ou desconhecidos que estejam na rede. Os blogs também entram nesta categoria, o que antes eram apenas conhecidos como diários agora servem para compartilhar conteúdos. E o poder das mídias sociais não para de crescer, principalmente na hora de influenciar as pessoas, seja politicamente ou até comercialmente.

Sempre que determinado assunto carecer do apoio social, e claro, havendo reciprocidade entre a mídia e os privilegiados com a ação, a sociedade passa a ser bombardeada com notícias, reportagens, propagandas e até publicidades, que possuem o mesmo objetivo, qual seja, conseguir o apoio da sociedade.

Não é de hoje que vemos e sabemos da força que a mídia possui, e isso fica mais nítido quando por meio de toda essa força ela passa a inculcar nas pessoas uma ideia ou mesmo um ponto de vista já formado sobre determinado assunto. E note que quando fazemos referência à mídia, estamos na verdade nos referindo à todas as suas formas de veiculação, seja ela falada, escrita, televisada e até aquela feita pelos meios virtuais e outros meios que sejam possíveis.

O poder das mídias sociais chega junto com a sua evolução, um exemplo claro são os blogs e algumas redes que antes eram apenas uma espécie de diário ou meio de comunicação com amigos, e hoje são usados amplamente por empresas para conquistar público e clientes. Esse poder muda de certa forma a sociedade e suas estruturas. Gerar conteúdos que influenciam as pessoas deixa de ser exclusividade de grandes corporações e grupos capitalizados, exemplo claro são redes de televisão, e passa a ser também gerado por pessoas comuns e grupos menores. O custo é um dos grandes motivos, já que na internet não é preciso pagar para divulgar uma opinião ou informação e o público alcançado pode ser de milhões até bilhões no mundo.

A facilidade de utilizar estas ferramentas aliado a liberdade de comunicação que o mundo online oferece é a receita para que as mídias sociais ganhem o status de mídia influente, passando inclusive da televisão. Na internet é possível mobilizar muito mais e gastando bem menos. Não á toa muitas empresas já abriram seu caminhos nas mídias sociais, e muitos movimentos políticos tem saído das redes e ganhado as ruas.

Não se nega que a mídia possua relevância impar para a manutenção de uma democracia, entretanto, isso não significa que às custas deste argumento ela possa manipular, ainda que de forma velada, tudo aquilo que é veiculado a fim de movimentar a massa social num determinado caminho.

Por isso que se deve questionar: até que ponto a mídia deve atuar e quais os seus limites em um Estado verdadeiramente democrático?

Esse questionamento consiste no fato de que muitas das vezes a sociedade não passa de massa de manobra na mão da mídia, utilizada toda vez que o apoio social é visto como preponderante para uma questão específica.

Sempre que determinado assunto carecer do apoio social, e claro, havendo reciprocidade entre a mídia e os privilegiados com a ação, a sociedade passa a ser bombardeada com notícias, reportagens, propagandas e até publicidades, que possuem o mesmo objetivo, qual seja, conseguir o apoio da sociedade.

Nos últimos anos, impulsionados pela difusão dos meios de comunicação, principalmente dentre as classes sociais ditas de menor poderio econômico, o poder da mídia ficou ainda maior. É notória toda essa influência e persuasão que ela possui principalmente na parte mais pobre da sociedade, vez que esta, formada na sua maioria por pessoas com pouca instrução, acaba tomando como verdade absoluta tudo que é veiculado, justamente por não possuírem meios e ou condições de discordar daquilo que é dito.

O problema maior de tudo isso, não obstante a influência já dita, esta no fato que muitas notícias veiculadas principalmente as relacionadas com o universo jurídico, estão, quase sempre, dissonantes daquilo que realmente é, ou seja, da verdade. Muitos fatos transmitidos, principalmente na TV, não possuem qualquer relação com o que de fato são, e isso ocorre simplesmente porque a verdade em muitos momentos "não é um bom negócio", isto é, não vende notícia e não dá ibope, por essa razão ela acaba sendo passada, digamos, de uma forma mais interessante.

A bem da verdade, um dos muitos defeitos dos brasileiros é de fato criticar as leis sem ao menos conhecê-las. A população tem por hábito dizer que o país precisa de leis mais duras, porém, desconhece completamente aquilo que já existe.

Por esse prisma, e levando em conta esses casos específicos, como não questionar a validade e até segurança jurídica de um júri feito em tais condições. Como efetivamente garantir a um réu que ele tenha plenitude de defesa, quando as pessoas que vão para julgá-lo já chegam em plenário prontas para condená-lo, justamente por conta de tudo que viram e ouviram durante todo o tempo que o processo esteve na mídia.

Fala-se em paridade de armas na relação entre acusação e defesa. Todavia, que paridade é essa onde a defesa já inicia um julgamento derrotada, e tem, num curto espaço de tempo que desconstruir anos de acusações lançadas na mídia e principalmente na mente daqueles que irão julgar. Que paridade é essa?

De outra feita, além de influir na mente dos jurados, igualmente é o resultado se olharmos para a duração do processo. A fim de tornar mais clara toda essa questão basta traçar um comparativo do tempo despendido para julgar um caso que esta na mídia de outro que não teve a mesma atenção.

A influência na duração razoável do processo é gritante, tanto que é desnecessário lançar mão de exemplos, posto que cada pessoa conhece ou sabe do cometimento de crimes graves, semelhante aos citados, mas que por não terem recebido a mesma atenção dos holofotes da mídia, não tiveram ou não têm a mesma pressão. Tanto que em relação a estes, ninguém sabe ao certo quando serão levados a julgamento. Muitos na verdade, cometidos há tantos anos atrás, hoje, caminham muito mais para a extinção pela prescrição do que para outra coisa.

Bem, depois de tudo que foi dito, fácil é a conclusão e a verificação de que o problema principal esta na mídia. Desta forma, quem sabe a solução para toda essa questão não seja a reformulação na forma de se fazer a notícia, que seja ela verdadeiramente imparcial, que antes mesmo de se tentar a todo custo saciar a fome por notícias sensacionalistas, tenham seus respectivos responsáveis respeito à Constituição da Republica Federativa do Brasil, no sentindo de tratarem todos como presumidamente não culpados, e não o contrário como temos visto.

Invocar a Constituição apenas quando há interesse em fazê-lo não é o caminho, ainda que esteja ali previsto que todos possuem o direito à:

  • informação (art. 5º, inciso XIV da CF/88),
  • manifestação de pensamento (art. 5º, inciso IV da CF/88) (que faço agora),
  • e mais, ao sigilo das fontes (art. 5º, inciso XIV da CF/88).

Todas essas garantias constitucionais não devem ser desvirtuadas e tampouco devem servir de escudo para justificar o injustificável.

Pelos anos, quantas pessoas já não sangraram pela mídia, apenas para que ela tivesse o que escrever?

A ética desta profissão, assim como a de todas as demais, deve estar pautada não no interesse individual do profissional no sentido de autopromoção ou de promoção da empresa, mas sim no interesse da sociedade de receber apenas a verdade. Não é a ética de um grupo que deve se sobressair, mas sim, a ética do todo.

Certa vez, a presidenta da república disse que prefere os gritos de uma impressa livre do que o silêncio de uma ditadura. Essa afirmação não esta de toda errada, pois foi feita por alguém que viveu de perto todos os horrores da ditadura e como consequência toda a censura que havia na época.

O problema é como ensinar aos novos brasileiros, que quando muito só conhecem esse período da história por livros ou então por documentários feitos pela própria TV, como ensinar para essas pessoas que toda essa liberdade defendida para impressa deve possuir limites, como explicar que ela não pode ser feita da forma indiscriminada e irresponsável como tem sido feito.

Vivemos em uma democracia que ainda esta em formação, e por serem ainda fortes as marcas deixadas pela ditadura, há de fato um grande cuidado e receio em se tratar a impressa, justamente para que nenhum ato seja interpretado como censura ou mesmo como desejo de se voltar àquela época.

Não será com atitudes extremadas que formaremos uma democracia plena, pois qualquer que seja o ato extremado, seja para reprimir ou para liberar, ele não favorece a obtenção desse resultado. Temos sim, que efetivamente aprender a conviver com essa liberdade proporcionada pela democracia, que diga-se, não é uma liberdade irrestrita, muito pelo contrário, deve-se sempre ter como parâmetro o fato de que não há um direito absoluto, por isso não é possível sacrificar tudo em prol de uma reportagem. Se nem a vida ocupa lugar absoluto em nosso ordenamento jurídico, quem dirá a informação, esta que principalmente, conforme já vimos, nem sempre é sinônimo de verdade.

Por fim, a forma de se fazer notícia deve ser revista, ela não deve ter o fim de formar convencimento, mas apenas de transmitir informações no ponto em que às pessoas que a recebem, ao invés de simplesmente seguirem um pensamento posto, possam efetivamente formar suas próprias impressões, convicções, opiniões e conclusões sobre determinado fato. Isto é de fato liberdade, não só de passar informação, como ainda liberdade de pensar e pensar para se buscar o melhor.

Enquanto não se mudar a forma de se fazer e transmitir as notícias no Brasil, devemos primordialmente mudar a nossa percepção ao receber uma informação, não devemos considerá-la como verdade absoluta. Devemos sim, de outro modo, analisá-las, procurar por respostas, investigar se realmente aconteceu como falam as mídias.