O futuro do Trabalho pesado

03/04/2019

O exoesqueleto como futuro do trabalho pesado levanta a questão das horas de trabalho.

"Seria possível ter exoesqueletos em locais de construção que ajudariam as pessoas a não ficarem tão cansadas fisicamente, mas trabalhar mais o deixaria mentalmente cansado e não temos meios de impedir isso".

O futuro do trabalho pesado vai ganhar uma "mãozinha". Com a criação do exoesqueleto para deixar qualquer pessoa forte o suficiente para fazer trabalhos pesados. O equipamento (muito similar aos modelos que aparecem em filmes ficção científica) consegue se mover naturalmente com o corpo e pode suportar até 16 kg, isso daria mais tempo para um trabalhador braçal aumentar sua produtividade ao reduzir o esforço físico, a fadiga e evitando contusões.

Não é simplesmente pela força que o produto se destaca, mas pela mobilidade e leveza. Leve e móvel, um operário pode usá-lo para fazer reparos ou manutenção em áreas que não consegue habitualmente. Algumas empresas já vem utilizando o equipamento como testes na fabricação de seus aviões e pela marinha americana na construção de navios. Com estrutura reforçada com base nas pernas e em um colete, que permite segurar um equipamento ou ferramenta pesada.

A empresa Fiat indica futuro do trabalho com uso de exoesqueletos. A Montadora usa exoesqueleto para maior conforto e ergonomia na montagem de carros na fábrica de Betim (MG).

Alguns funcionários da fábrica estão usando exoesqueletos para auxílio na execução de algumas tarefas.

Os conjuntos, podem ser usados em membros inferiores ou superiores. A ideia, de forma geral, é dar sustentação e auxiliar em tarefas que exijam esforço físico ou movimentação.

Graças à sustentação gerada pelo esqueleto, o desgaste físico diminui. Movimentações repetitivas, como um agachamento, ganham suporte do esqueleto externo.

Quando o trabalho é preciso pensar em soluções para facilitar o trabalho e também na segurança do trabalhador, saúde, bem estar.

Muitas fábricas já usam o processo. Em Betim usam essa tecnologia de exoesqueleto. A Fiat, satisfeita com os primeiros resultados, trabalha para expandir esse programa. A fábrica de Córdoba, na Argentina, e outra em Campo Largo, no Paraná, devem ser as próximas a receber, cada uma, quatro unidades completas de exoesqueleto.

Benefícios

A implantação da tecnologia vem mais com viés qualitativo. A empresa busca deixar o trabalho de seus funcionários mais confortável, visando aumento de agilidade e produtividade.

A fadiga e o desconforto constante diminui a capacidade e qualidade do serviço,mas o exoesqueleto aumenta a qualidade e capacidade do trabalhador.

O uso, depois do período de adaptação, é imperceptível.

Nos Estados Unidos, o exoesqueleto tem sido testada para trabalhadores em estoques de grandes varejistas.

A tecnologia de exoesqueleto, em teoria, permite que a pessoa resista muito mais em tarefas cansativas, trabalhando assim por muito mais tempo, já que lhe fornece forças sobre-humanas.

E, apesar das questões éticas levantadas, que questionam se os humanos realmente deveriam desenvolver um acessório desse tipo e em que circunstâncias ele deveria ser usado, os exoesqueletos estão em produção atualmente e deverão se tornar uma realidade em um futuro próximo.

Os pesquisadores pretendem obter um exoesqueleto que trabalha em harmonia com o corpo do usuário, pois, como o nome sugere, se trata de uma estrutura externa, que sustenta e ajuda o indivíduo a superar uma lesão ou então lhe fornece aprimoramentos biológicos.

Como funciona?

O exoesqueleto é alimentado por um sistema de motores elétricos, fornecendo aos membros do corpo mais movimento, força e resistência. Para exemplificar melhor como essa estrutura funcionaria, houve o caso onde um pianista desenvolveu artrite, e considerou que o sistema externo poderia ajudá-lo a recuperar suas habilidades.

A técnica chamada de design neuro-corporificada é um forte atuante desse processo, pois, estão tentando encontrar maneiras de estender o sistema nervoso humano ao mundo sintético e vice-versa.

Nos laboratórios, por exemplo, são coletadas informações de quanta força uma pessoa coloca quando está correndo, e para tal os pesquisadores utilizam uma esteira com câmeras de captura que verificam como as articulações e músculos se movimentam.

Com esses dados, a equipe inicia a projeção de como ajudarão as pessoas a correr ou resistirem mais. Os estudantes do projeto pretendem utilizar a tecnologia em seu limite, com tudo que esse segmento atualmente permite. Poder ver um usuário de exoesqueleto "atravessar uma floresta a 20 milhas por horas durante todo o dia sem ficar cansado" . O mesmo se aplica a trabalhadores que necessitam andar muito diariamente  como enfermeiras ou garçons que precisam ficar em pé o dia inteiro.

Conscientização de seu uso

Com os exoesqueletos, no futuro próximo as pessoas poderão ter a força de uma empilhadeira para carregar materiais pesados. E, a ambição vai um pouco além: o objetivo também inclui reduzir as estruturas atuais, grandes e volumosas, a tênis ou caneleiras; algo como uma roupa que fornece alta performance ao usuário.

Mas estas projeções, embora pareçam absurdas e revolucionárias, também levantam preocupações. O professor Noel Sharkey, co-fundador da Foundation for Responsible Robotics, por sua vez, levanta a questão das horas de trabalho. "Seria possível ter exoesqueletos em locais de construção que ajudariam as pessoas a não ficarem tão cansadas fisicamente, mas trabalhar mais o deixaria mentalmente cansado e não temos meios de impedir isso", ele disse à BBC.

A ideia de Sharkey é que esses sistemas sejam projetados de uma forma que as pessoas evitem utilizá-las de uma forma ruim; uma estrutura ética onde os exoesqueletos se desliguem após seis horas, por exemplo.  Para ele, a tecnologia pode trazer mais benefícios do que problemas.

O homem não deve ser escravo da tecnologia.Essa deve ajuda lo a viver mais confortavelmente.

Não deve ultrapassar os limites permitidos por lei, o excesso de trabalho é prejudicial  a qualquer ser humano.

Fonte: BBC