NOTICIAS FALSAS

01/08/2018

Notícias falsas na política sempre causam impacto

Casos de notícias falsas , não são novos no país. Basta revirar o baú da História para encontrar exemplos de fake news, que miraram principalmente políticos e governantes desde a época do Brasil Colônia. Já na Europa do século XVII, jornais populares com notícias falsas conquistavam leitores, principalmente na França e na Inglaterra.

As vezes não é possível saber se a noticia é verdadeira ou falsa com apenas análise simples de uma investigação superficial. 

Com pequenos textos de um único parágrafo, as reportagens abordavam os mais curiosos assuntos. Foi por meio de uma fake news que europeus acreditaram, por volta de 1780, na captura de um monstro no Chile, parecido com um dragão. Durante meses, foi aguardada a chegada do navio com a criatura à Europa, mas isso nunca aconteceu.

Futrica, maledicência, fofoca ou, simplesmente, notícia falsa. No Brasil, vários eram os nomes dados, hoje, às chamadas fake news. Entre tantos boatos, personagens como dom João VI, Carlota Joaquina e os imperadores Pedro I e Pedro II foram envolvidos em comentários maldosos de adversários, muitos deles inverídicos. Pesquisadores já colocam até em xeque a fama de comedor de coxinhas de galinha de dom João VI. Não haveria a comprovação. Sua mulher, Carlota Joaquina, também não teria se envolvido em tantas aventuras extraconjugais como conta a História. Já artigos que pregavam uma imagem de homem medroso a dom João VI teriam escondido uma filha bastarda do monarca. Pedro I, filho de João e Carlota, também era alvo de ataques e se defendia com a mesma moeda. Escrevia para jornais com pseudônimos, textos nem sempre confirmados pelas redações.

Em uma época não tão distante, já no século XX, credita-se a vitória do candidato a presidente apoiado por Getulio Vargas nas eleições de 1945, general Eurico Dutra, a boatos contra seu adversário, o major-brigadeiro Eduardo Gomes. Um mês antes das eleições, um discurso de Gomes ganhou uma conotação negativa por parte dos getulistas. O candidato disse, em um evento no Teatro Municipal do Rio, que uma "malta de desocupados" apoiava "o ditador" Vargas. Numa desconstrução do discurso, getulistas espalharam uma interpretação pejorativa: Gomes seria contra trabalhadores marmiteiros, negros, espíritas, pobres e mulheres que trabalham fora de casa. O major-brigadeiro Gomes foi derrotado.

Aliás, de boatos alguns políticos entendem bem. Vereador e ex-prefeito do Rio por três mandatos, Cesar Maia revela no livro "Política é ciência", de 1998, publicado pela Editora Revan, que 500 pessoas espalhadas em vários botequins repetindo a mesma frase fazem um estrago e disseminam um boato. Lembra que nas eleições municipais de 1996 deu uma ajudinha ao seu candidato a prefeito, Luiz Paulo Conde, para derrotar Sérgio Cabral - o ex-governador, hoje preso. Cesar pediu a um assessor que colocasse 150 pessoas em bares tomando café e dizendo "Eu soube que o Cabral vai renunciar". Conde foi eleito.

Esse é um dos mais conhecidos boatos da política brasileira. A história falsa diz que o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, seria sócio majoritário da JBS, grupo dono da marca de carnes Friboi. A farsa ganhou força com o crescimento da empresa e a veiculação das já famosas propagandas com Tony Ramos. Na internet, mensagens pediam o boicote da marca "do filho do Lula". O boato tomou tanta proporção que foi desmentido pela própria empresa. Em comunicado, a JBS esclareceu que "Os nomes dos maiores acionistas da JBS podem ser encontrados no site, lá será possível identificar que do total de ações, 44% são de propriedade de uma holding chamada FB Participações, que é formada por membros da família Batista, fundadora da JBS."

Sem uma investigação mais apurada quem fala a verdade?

Esse boato surgiu antes do período eleitoral. A história falsa dizia que 50 mil haitianos chegaram ao Brasil entre abril e maio de 2014, receberam dupla cidadania, conseguiram tirar título de eleitor e foram orientados a votar no PT. O relato é mentiroso, mas uma pesquisa da USP mostrou que muita gente acreditou. Num levantamento feito entre os manifestantes contrários à presidente Dilma, 42% das pessoas responderam que concordavam com a afirmação "O PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições". A pesquisa foi feita durante o protesto do dia 12 de abril, em São Paulo. 

Mais um boato que surgiu durante as eleições. Segundo a história, agentes da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, teriam visitado um juiz brasileiro para saber sobre o caso do helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), onde foram encontrados 445 kg de pasta-base de cocaína. O boato diz que os agentes americanos teriam citado o nome do senador Aécio Neves (PSDB), candidato à presidência derrotado em 2014. O caso do helicóptero realmente aconteceu, mas não há nada que ligue o tucano ao episódio. A história acabou alimentando outro boato envolvendo o senador do PSDB e que circula na internet há anos. Segundo o boato, o político seria usuário de drogas. A história foi explorada no submundo da internet durante as eleições, mas não existe nenhuma prova concreta para ela.

Esse movimento de notícias falsas ocasiona consequências diretas na sociedade, o esclarecimento e conhecimento popular dado através da mídia torna-se alvo do questionamento contínuo sobre a veracidade dos fatos. Ainda, por vezes, a repetição prolongada dessas incoerências fazem-nas verdades com o tempo, culminando para erros historiográficos afetando, inclusive, futuras gerações.

Portanto, ações são necessárias para resolver o impasse. Sendo a intervenção do estado uma medida delicada, por se tratar do direito a liberdade de expressão, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações conjuntamente com o Poder Legislativo, a instituição de novas leis específicas contra mentiras publicadas em qualquer meio informativo, Assim, essas políticas fazem com que os grandes canais de comunicação sejam forçados a uma análise mais aprofundada do que chega ao corpo social, refletindo dessa forma, na transparência das ideias para a criticidade dos internautas.