INFLAÇÃO E A PERDA DE PODER DE COMPRA

10/02/2020

CONSEQUÊNCIAS DA INFLAÇÃO

Uma inflação descontrolada pode ocasionar diversos distúrbios na economia de um determinado país. Pode-se citar: 

*perda do poder de compra do dinheiro; aumento do desemprego; 

*instabilidade da moeda; preços de produtos em colapso; entre diversas outras disfunções.

A impopularidade da inflação se mantém mesmo se as rendas das pessoas aumentarem proporcionalmente aos preços. Ela está relacionada a diferentes distúrbios econômicos, como o choque dos preços de petróleo.

A inflação é responsável por diversas distorções na economia. As principais distorções acontecem:

na distribuição de renda: os assalariados não têm a mesma capacidade de repassar os aumentos de seus custos, como fazem empresários e governos, ficando seus orçamentos cada vez mais reduzidos até a chegada do reajuste (quando o salário se reajusta, os trabalhadores muitas vezes não ganham aumento real, pois como os preços sobem de uma maneira geral, a nova remuneração não representa mais poder de compra para os trabalhadores);

# na balança de pagamentos: inflação interna maior que a externa causa encarecimento do produto nacional com relação ao importado o que provoca aumento nas importações e redução nas exportações;

# na formação de expectativas: diante da imprevisibilidade da economia, o empresariado tende a reduzir seus investimentos;

# no mercado de capitais: causa descontrole na compra e venda de ações, e causa migração de aplicações monetárias para aplicações em bens de raiz (terra, imóveis);

#e na ilusão monetária: interpretação errada da relação de ajuste do salário nominal com o salário real, que gera percepção de maior renda e consequentemente decisões equivocadas; as pessoas, julgando-se mais ricas, demandam mais bens e serviços e, com oferta a pleno emprego, ocasiona inflação.

Outros efeitos na economia se dão em relação à política econômica e monetária, com um papel muito importante do governo no controle através da determinação da taxa de juros básica da inflação.

Muitas vezes a inflação é uma decisão política, e altas taxas podem contribuir para que ocorram trocas de governantes, principalmente em decorrência da retração econômica e do desemprego. 

INFLAÇÃO, SALÁRIOS E DESEMPREGO

Relacionando desemprego e salários, obtêm-se a relação de que quanto maior a taxa de desemprego, menor é o salário.

Em relação à taxa de inflação e à taxa de inflação esperada, obtêm-se a relação de que um aumento da inflação esperada leva a um aumento da inflação efetiva.

As pressões de mercado sobre os salários se relacionam em diferentes contextos. 

Quando a taxa de desemprego é baixa, as firmas têm dificuldade de obter o trabalho que demandam, e o desemprego é baixo. 

Quando a taxa de desemprego é alta, os empregos tornam-se difíceis de serem encontrados e as firmas podem preencher suas vagas sem que seja necessário aumentar os salários. Pode até acontecer de os salários caírem, uma vez que os trabalhadores entram em competição pelos empregos escassos.

Mecanismo básico em ação:

* o desemprego baixo leva a um salário nominal mais alto;

* em resposta ao nível de preços mais alto, os trabalhadores pedem um salário nominal mais alto;

*o salário nominal mais alto leva as empresas a um aumento adicional de seus preços que, consequentemente, faz com que o nível de preços suba ainda mais;

*  e assim a corrida entre preços e salários resulta em uma inflação contínua de salários e preços.

Estamos todos interessados nos salários reais (o volume de bens que podemos comprar com os nossos salários), ou a renda real, e não com os salários nominais (valor monetário dos salários). 

O salário nominal reflita totalmente a inflação que esperamos durante o período entre a época em que o salário é fixado e a época em que realmente ele é pago. Ou seja, a compensação pela inflação esperada.

Quando a inflação é consistentemente positiva ano após ano, cria-se uma expectativa de que o nível de preços do ano em vigor seja igual ao do ano anterior, o que é sistematicamente incorreto. As pessoas não gostam de repetir erros, então as pessoas, ao formarem suas expectativas, começaram a levar em conta a presença e a persistência da inflação. Essa mudança na formação de expectativas modificou a natureza da relação entre desemprego e inflação: a taxa de desemprego afeta não a taxa de inflação, mas sim a variação da taxa de inflação. O desemprego elevado leva a uma inflação decrescente; o desemprego baixo leva a uma inflação crescente.

Se a taxa de desemprego efetiva for maior do que a taxa natural de desemprego, a taxa de inflação diminui; se a taxa de desemprego efetiva é menor do que a taxa natural de desemprego, a taxa de inflação aumenta.

 INFLAÇÃO E POLÍTICA ECONÔMICA E MONETÁRIA

As políticas econômicas devem ter como objetivo amplo evitar recessões prolongadas, desacelerar as explosões de crescimento e evitar a pressão inflacionária.

O Banco Central pode aliviar os temores de que o crescimento da moeda será alto e, no processo, diminuir tanto a inflação esperada quanto a inflação atual (objetivando não diminuir o desemprego abaixo do nível de desemprego natural).

Quando a política fiscal torna-se expansionista, o Bacen tem de decidir se monetiza o déficit, emitindo moeda com o objetivo de evitar um aumento nas taxas de juros e o efeito deslocamento; para manter a taxa de crescimento da moeda constante; ou até mesmo para tornar a política monetária restritiva. Se o governo monetiza o déficit, ele corre o risco de aumentar a taxa de inflação.

Copom, como funciona, quando ele se reúne, como são as reuniões e qual a sua influência nos investimentos de renda fixa.  

O QUE È O COPOM?

Essa é uma sigla que pelo menos uma vez a cada 45 dias surge nos noticiários, principalmente para anunciar novos ajustes da taxa básica de juros, a Selic.

A Selic deve ser a taxa mais baixa de juros do país, o 'preço do dinheiro'. Isso significa que se a taxa é de 12% ao ano, o preço mínimo do dinheiro ao mês deve ser 1% do valor emprestado.

Então, quando a Selic muda, a rentabilidade dos investimentos muda junto com ela. No entanto, a mudança da taxa para quem pede dinheiro emprestado junto a bancos ocorre de forma bem mais lenta quando a tendência é de baixa.

Nesse sentido, a Selic é fundamental na oferta de crédito no mercado. E quanto mais dinheiro disponível a um juro mais baixo, melhor é para os empreendedores e a economia como um tudo.

Outro benefício é que se torna mais barato renegociar dívidas quando a taxa de juros está baixa. Os bancos e financeiras se tornam mais dispostos a cortar juros do montante total.

Com as notícias, surge a dúvida o que é Copom? Bom, ele afeta a economia e a maioria dos investimentos de renda fixa. Dessa forma, é muito importante que você saiba exatamente do que se trata e como funciona.

Objetivos do Copom

O Copom tem sua origem em 1996. Ele foi criado com o objetivo de regular importantes aspectos da economia brasileira, seguindo a estratégia do Tesouro Nacional.

O regime de metas para a inflação, implementado em 1999, traçou os principais objetivos do Copom:

  • Estabelecer as diretrizes da política monetária
  • Definir a meta para a taxa básica de juros no Brasil e seu eventual viés

Assim, o Copom não corta ou aumenta a taxa básica de juros sem uma lógica. A Selic é determinada de acordo com a tendência da economia e do mercado.

Se o momento econômico e político é bom, a inflação é baixa, e assim, a taxa Selic deve ter tendência de baixa.

Caso ocorra um aumento no IPCA (inflação) e a economia entre em recessão, a taxa Selic tende a aumenta para controlar o mercado.