PREVIDÊNCIAS NO MUNDO

02/05/2018

NA FRANÇA

FRANÇA APOSENTADORIA - EMMANUEL MACRON REFORMA IMPOSTO

Por Adriana Moysés

Macron aumenta contribuição de aposentados e leva milhares de pensionistas às ruas em 2017

Nove organizações sindicais convocaram os aposentados franceses a protestar hoje nas ruas contra o aumento de uma contribuição social cobrada nas aposentadorias.

Milhares de aposentados franceses, principalmente os que recebem pequenas pensões, saíram às ruas na quinta-feiradia 28/2017 nas principais cidades francesas para protestar contra uma medida adotada pelo governo Macron que aumenta o valor de uma contribuição social descontada nas aposentadorias. A reforma diminui o poder de compra de muitos idosos já impactados pelo baixo valor dos rendimentos.

Em Paris, 2 mil aposentados se reuniram na praça da Ópera Garnier, monumento emblemático da cidade, contra o aumento de 1,7% da Contribuição Social Generalizada (CSG) que o Estado recolhe para financiar a Seguridade Social e os benefícios sociais pagos às famílias. Milhares de pensionistas também saíram às ruas em Bordeaux, Estrasburgo, Toulouse, Rennes e outras localidades em todo o país.

O aumento dessa contribuição vai afetar 60% dos aposentados franceses e atingir pensões acima de € 1.200 mensais, o equivalente a R$ 4.400, em 2018. A alta, justifica o governo, vai compensar uma redução da CSG paga pelos assalariados do setor privado. Um "esforço" exigido pelo presidente Emmanuel Macron "dos aposentados bem-remunerados, para recompensar o trabalho e restaurar o poder de compra dos ativos".

Segundo Macron, o aumento da CSG vai ser neutralizado pelo fim da cobrança da taxa de habitação, um imposto semelhante ao IPTU brasileiro, também previsto nesta mini reforma fiscal. Com esses ajustes, o Estado francês pretende aumentar sua arrecadação em cerca de € 20 bilhões.

Mulheres são penalizadas

Entre os 16 milhões de aposentados franceses, muitos estão furiosos com a reforma de Macron. Na passeata esta tarde, em Paris, manifestantes de cabelos brancos e bandeiras de sindicatos nas mãos lembravam que o valor médio das aposentadorias na França é de € 1.376 brutos por mês, um valor baixo para cobrir as despesas de aluguel, seguro saúde e alimentação, sobretudo nos centros urbanos. Como acontece em relação aos salários durante a vida profissional, as mulheres são penalizadas com pensões mais baixas. Elas ganham em média € 1.050 por mês contra € 1.728 para os homens.

Na passeata em Bordeaux, André Lafon, aposentado dos Correios, fez seus cálculos: o aumento em 2018 da CSG irá representar para ele, que ganha € 1.200 por mês, uma perda de € 300 por ano.

"Nós não somos ricos [...] e ainda tentam nos torpedear", reclamou a aposentada Danielle Bonfils, na cidade de Reims. Bonfils, que criou um filho deficiente trabalhando como secretária, diz que vive com menos de € 1.500 de pensão.

"Alguns de nós chegam à aposentadoria destruídos por décadas de trabalho e ainda exigem um esforço, é inaceitável", declarou Christine Diebold, ex-enfermeira na manifestação em Estrasburgo.

Velhice impõe gastos

O trio de aposentadas Annie, Micheline e Marie-France, presentes no protesto em Paris, destaca aspectos distintos do aumento da precariedade desde que deixaram a vida ativa.

Annie, de 81 anos, argumenta que a idade avançada impõe despesas. No caso dela, o pagamento de uma enfermeira para cuidar de seus pés, maltratados pela diabetes. "Com a minha aposentadoria, não sobra dinheiro para o lazer. Só frequento atividades gratuitas", relata.

Micheline, de 64 anos, diz que já não vai mais ao cabeleireiro e só faz compras nos supermercados de baixo custo, onde a qualidade dos alimentos nem sempre é ideal.

Ex-operária, Marie-France ganha uma pensão de € 970 e diz que não sobra nada no fim do mês, depois de pagar as contas.

O aumento da CGS nas aposentadorias representará uma perda média de € 204 por ano para os que recebem uma pensão mensal de cerca de € 1.000 e de € 408 para aqueles que recebem € 2.000, segundo os sindicatos organizadores (CGT, FO, CGC, CFTC , FSU, parceiros, FGR, e associações UNRPA, LSR) dos protestos..



ESTADOS UNIDOS

O problema pode piorar nos próximos anos. Até 2036, a população de idosos nos Estados Unidos deve dobrar. Por isso, o governo tem incentivado o investimento em planos de previdência privada - fundos em que a empresa pode contribuir com uma parte e o empregado com outra.

Na Itália

Apesar de a Itália ter uma dívida publica preocupante, de quase dois trilhões de euros, as contas as contas da previdência estão equilibradas. Não sobra, nem falta dinheiro.

Os 200 bilhões de euros que o país arrecada por ano são gastos com 16 milhões de aposentados - 27% da população. O benefício médio de um aposentado italiano è equivalente a R$ 2.500,00.

A idade mínima para se pedir a aposentadoria é de 65 anos para
as mulheres e 66 para os homens.

O governo italiano está fazendo uma nova reforma da previdência. Com o dinheiro que economizar, pretende amenizar um dos maiores problemas sociais do país, o desemprego entre os jovens - 31% deles estão sem trabalho.

Na França

A França tem cerca de 15 milhões de aposentados e gasta com eles por ano o equivalente a R$ 633 bilhões.

É a principal despesa do estado, quase 15% do orçamento anual. A idade mínima para se aposentar passou de 60 anos para 62 anos. Para receber o máximo possível a pessoa tem que contribuir durante 41 anos e meio. Mesmo com a mudança as contas não batem. E por uma razão simples: quando o sistema foi criado, depois da Segunda Guerra Mundial, as contribuições de 4 trabalhadores na ativa sustentavam um aposentado. Mas hoje essa relação caiu, para 1,6 por aposentado.

Na Inglaterra

Apostar em corridas de cavalo enquanto bebe uma cervejinha num pub de Londres é um dos passa-tempos de um inglês de 67 anos de idade e 2 de aposentadoria. Norman Mair recebe o máximo que a previdência do governo paga neste país para pensionistas dos setores público e privado: 480 libras, o equivalente a R$ 1.300,00 por mês. Ele também conta com R$1.500,00 de uma previdência privada. Com isso chega a tirar R$ 2.800,00 por mês.

Investir numa pensão complementar é importante, desde cedo existe a preocupação com a velhice.

Na Inglaterra todos se preocupam, principalmente o governo que dá incentivos fiscais para as empresas que ajudam seus funcionários a pagar uma previdência privada. Os aposentados ainda têm descontos de até 50% no IPTU, e nas contas de gás, luz e telefone. E não pagam para andar de trem e ônibus. Médico e hospital, também - é tudo de graça.

O segredo tem sido não deixar a previdência entrar em colapso. De tempos em tempos, quando a expectativa de vida da população aumenta, o Parlamento muda os prazos para se aposentar. Atualmente os ingleses se aposentam aos 65 anos e as inglesas aos 61. Mas até 2018, todos serão igualados. Uma pesquisa mostrou que a longevidade média das mulheres já é maior do que a dos homens.

O resultado desse sistema justo e ajustado aparece nos cofres públicos. Sem aposentadorias baixas demais e nem estratosféricas, as contas fecham. Há mais de duas décadas a previdência na Inglaterra não tem sobras de caixa, mas também não sabe o que é estar no vermelho.

No Japão

Do outro lado do mundo a situação tá ainda mais complicada. O Japão é o campeão mundial da longevidade com uma expectativa de vida de 84 anos. É muito tempo pra viver da aposentadoria.

Tempo demais. E é por isso que o Japão é considerado laboratório na questão da previdência. Lá se tem, hoje, o problema que outras nações vão enfrentar no futuro. É a situação extrema: pouca gente para pagar cada vez mais aposentadorias.

É fácil perceber o problema: vemos a cada dia mais idosos e menos crianças. Como a população não se renova, o número de japoneses diminui. Em 2050, devemos ter uma população quase 23% menor do que é hoje. Menos gente para contribuir com os programas sociais mais solicitados. Por isso, está sendo elevada a idade mínima para aposentadoria, de 60 para 65 anos. Aumentou também o imposto sobre consumo - que se paga na boca do caixa: de 5% para 8%. No ano que vem ele vai para 10%. Para cobrir o aumento de despesas que surgiram com mais aposentadorias para pagar.

Na Grécia

E foi justamente o rombo previdenciário um dos fatores que quebraram a Grécia. Lá, muita gente conseguia aposentadoria plena aos 55 anos. A reforma acabou sendo feita na marra e a idade vai pular pra 67 anos.


A s imagens fornecem um toque final perfeito aos seus posts e atraem os leitores para abri-los. A primeira imagem do seu conteúdo será automaticamente usada como thumbnail para o seu post. Portanto, uma imagem de abertura acertada poderá aumentar a atratividade do seu blogpost.