AÇÕES PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES COM ANIMAIS EM RODOVIAS.

07/03/2020

NOSSA FAUNA E AS RODOVIAS

As estradas são vistas, com aspecto e funcionalmente, como corredores para muitas espécies de animais, sobretudo mamíferos de médio e grande porte, que as utilizam como rota de deslocamento, aumentando a probabilidade de atropelamentos .

Os atropelamentos podem ser minimizados com a implantação de medidas preventivas ou mitigadoras.

As medidas preventivas são aquelas tomadas principalmente antes da implantação da rodovia, e impedem ou diminuem as situações em que os veículos e os animais venham a se encontrar.

As medidas mitigadoras são aquelas tomadas com o objetivo de diminuir a mortalidade de animais por atropelamento, uma vez que já existam as condições para o encontro de animais e veículos

As medidas mitigadoras podem ainda ser divididas em duas categorias:

modificação do comportamento dos motoristas

ou modificação do comportamento dos animais.

Geralmente, a modificação do comportamento dos motoristas envolve limites de velocidade e sinalização.

E a modificação no comportamento dos animais envolve alteração no habitat ou a instalação de estruturas de travessia para animais.

Em casos onde a conectividade deve ser restabelecida, é necessário que sejam implantados corredores, como as passagens de fauna.

Essas estruturas têm como objetivo manter a comunicação entre as diversas populações, e entre estas e os diferentes habitats necessários a sua sobrevivência.

O grande desafio é projetar passagens adequadas para que elas sejam estruturas que conectem os ambientes estrutural e funcionalmente .

A presença de corredores que permitam a ligação entre manchas de habitat favorável tem sido referida como uma das principais medidas no planejamento e gestão da conservação animal.

A conectividade entre estas parcelas minimiza os efeitos negativos da fragmentação ao permitir a circulação de indivíduos entre diferentes populações, e com isso a estabilidade nas relações de dinâmica populacional.

As passagens hidráulicas, originalmente pensadas e desenhadas para permitir a livre circulação das águas, podem contribuir de forma decisiva na mitigação não só dos efeitos de fragmentação, mas também na minimização significativa dos níveis de mortalidade por atropelamento em diversas espécies

. A implantação de estruturas que facilitem de forma segura a travessia ou impeçam a passagem da fauna pela estrada, devem levar em conta o tipo de fauna impactada, as espécies afetadas, as taxas de atropelamento, o tipo de vegetação nas margens da rodovia e o relevo.

As passagens de fauna podem ser classificadas em subterrâneas e aéreas. Dentre as passagens subterrâneas, também conhecidas com passagens inferiores de fauna.

Existem as galerias, que aproveitam bueiros do sistema de drenagem da obra ou que são construídas especificamente para este fim, e que servem para a drenagem de água pluviais ou fluviais concomitantemente com a travessia de fauna aquática ou semi-aquática e as caixas secas construídas para animais que não se deslocam em ambientes úmidos.

Em relação às passagens aéreas, existem passagens áreas para vertebrados arborícolas, principalmente primatas, que consistem em estruturas para unir as copas das árvores de fragmentos florestais atravessados por rodovias.

Há também viadutos de fauna que são estruturas construídas para promover o fluxo de fauna, principalmente de vertebrados de grande porte e que são muito usadas na Europa e na América do Norte. Além disso, estruturas construtivas como túneis, pontes e viadutos podem ser consideradas estruturas de mitigação visto que promovem a conectividade da paisagem e permitem o fluxo de fauna entre os fragmentos cortados por rodovias. 

A maior efetividade das passagens de fauna é atingida quando existe um direcionador (cercas) que serve como guia para as aberturas das passagens.

Essas cercas devem ser instaladas na direção das rotas migratórias que existam para as espécies locais, assim como ser longas o bastante para prevenir que animais acessem as estradas ao atingirem os limites laterais da cerca. As cercas devem ser posicionadas apenas nas proximidades dos túneis, por no mínimo 100m de cada lado e de ambos os lados da estrada. Cercas defeituosas ou permeáveis resultam na redução do uso das passagens de fauna e no aumento das colisões entre veículos e animais. A instalação da cerca sem as passagens de fauna pode funcionar como um intensificador do efeito de fragmentação causado pela estrada, pois criam uma barreira ao movimento, limitam o acesso a recursos importantes para a espécie e a sobrevivência em longo prazo da população

O animal não tem pra onde ir,  precisando  retornar para o local de onde saiu

Já foi constatado que o tamanho da malha da tela nas porções inferiores da cerca determinou a morte de inúmeros animais de pequeno porte, os quais permaneceram presos ao tentarem ultrapassá-la. As cercas somente foram efetivas para três espécies: a capivara, o ratão do banhado e a lontra, sendo que as demais espécies foram capazes de transpor o sistema utilizando-se de estratégias de escavação, escalação e salto. Devido à importância que os cursos d´água possuem na sobrevivência e, portanto no deslocamento de muitas espécies, os tubos de drenagem de água fluvial podem em muitos casos ser adaptados para a travessia de fauna. Esta adaptação deve contemplar critérios mínimos, de forma a permitir a passagem de mamíferos de médio e grande porte, o que consequentemente permitirá a passagem de animais de pequeno porte. É importante que nestas estruturas sejam implantadas plataformas secas para que contemplem também a travessia de espécies que não tem preferência por passagens úmidas e para que os animais possam ter uma via alternativa de deslocamento em períodos de altas precipitações pluviométricas .

Um problema que pode vir da construção das travessias é a escuridão que se formará dentro delas. Uma vez que a luz exerce um importante papel no deslocamento dos animais, a sua ausência pode resultar em hesitação das espécies em entrarem nas passagens, ou mesmo que eles entrem e depois retornem, sem atravessá-lo. 

Além da construção de estruturas para transposição da fauna, as medidas mitigadoras para minimização dos impactos decorrentes do atropelamento da fauna, podem abranger ações para redução do limite de velocidade, emprego de obstáculos como sonorizadores na pista, sinalização, fiscalização rigorosa (radares, por exemplo), multa dos infratores, e educação ambiental dos usuários como distribuição de panfletos e sinalização vertical

Também são consideradas medidas mitigadoras: evitar o desenvolvimento de espécies da flora atrativas às margens das rodovias, e manter baixa a vegetação de uma faixa de no mínimo dois metros às margens da rodovia, através da capina realizada a intervalos curtos e regulares.

Esta faixa de segurança evita o deslocamento da fauna pelo acostamento e melhora a visibilidade do animal antes de atravessar a rodovia, aumentando o tempo de resposta do motorista .

Medidas mitigadoras aplicadas em pontos específicos, como estruturas de passagem de fauna, placas, redutores físicos de velocidade, serão mais eficazes se o ponto de instalação for aquele onde realmente são necessárias. Optar pela análise dos locais com maior probabilidade da ocorrência de acidentes, para que se instalem medidas que os evitem, parece ser a forma mais eficiente de se tratar o impacto das rodovias na fauna. Assim, é necessário identificar pontos onde ocorre um número de atropelamentos significativos .

Uma distribuição sem agrupamentos significativos sugere que não existe um local efetivamente com maior mortalidade, e a localização de uma medida mitigadora ao atropelamento em qualquer trecho da rodovia teria o mesmo efeito

Em trechos de rodovias sem pontos críticos e/ou em paisagens homogêneas as passagens de fauna poderiam ser instaladas a intervalos regulares, sendo que a distância mínima entre as passagens deveria variar de acordo com o grupo taxonômico almejado para mitigação. Seria conveniente calcular a média de deslocamento diário das espécies do grupo e, a partir disso, calcular a distância mínima necessária entre passagem para cada espécie de interesse, bem como uma distância média para a fauna de vertebrados da região, em geral em paisagens mais fragmentadas, com poucas áreas de habitat natural será necessário um menor número de passagens de fauna quando comparado com paisagens mais conservadas e menos fragmentadas

A distância mínima entre as passagens seja de 3 a 4 km para rodovias que não estejam situadas próximas ou dentro de Unidades de Conservação. Essa distância entre passagens contemplaria em sua grande parte a travessia de mamíferos de médio e grande porte, não sendo suficiente para répteis, aves, anfíbios e pequenos mamíferos. 

No caso de rodovias que cortem ou margeiem Unidades de conservação, bem como as áreas prioritárias para conservação, é sugerido que a distância entre as passagens seja menor que em rodovias localizadas fora dessas áreas, portanto, menor que 3 km de distância. De acordo com os projetos de passagens de fauna em várias partes do mundo são variáveis quanto ao espaçamento, porém com uma média de 1,2 km de distância.

De qualquer forma, a implantação de passagens de fauna não pode levar os animais para locais de onde eles não tenham para onde ir. As passagens devem ser ligadas a uma paisagem regional de habitats que permitam aos animais dispersarem-se e moverem-se livremente, fazendo parte de uma rede maior de corredores ecológicos. O planejamento da localização das passagens não deve levar em conta somente o uso atual da terra, mas deve incorporar mudanças futuras possíveis ou já projetadas no uso do solo, e garantir que estas estruturas permaneçam funcionais ao longo dos anos, já que possuem uma vida útil em torno de setenta e cinco anos. Outro ponto que deve ser considerado em um planejamento em longo prazo são as mudanças de habitats e do uso do solo decorrentes de alterações climáticas

Para atropelamentos de aves algumas medidas mitigadoras específicas são plantios de árvores altas nas duas margens a certa distância da pista, obrigando as aves a voarem a uma altura superior a dois veículos para cruzarem a rodovia

Em obras de arte especiais, como viadutos e pontes que cruzem áreas naturais podem ser instalados cercas ou postes de metal na beira destas estruturas, de forma que as aves cruzem a rodovia a uma altura segura do tráfego, evitando colisões.

 Vale ressaltar a influência da forma de divisão das pistas no atropelamento da fauna, fator que deve ser considerado na implantação e duplicação de rodovias. A divisão das pistas por barreira rígida de concreto pode fazer com que os animais que tentem cruzar a rodovia fiquem presos em uma das pistas, sem conseguirem transpor a barreira ou voltarem para o fragmento de onde vieram, portanto mais sujeitos aos atropelamentos. Intervalos de espaçamento em barreiras deste tipo, ou o uso de canteiros centrais ou defensa metálica na divisão das pistas pode facilitar a transposição da fauna que chega a cruzar a rodovia. A maioria dos sistemas de proteção objetiva suprir uma problemática generalizada, destinando-se a reduzir impactos de uma grande gama de espécies. Esses sistemas são muito mais complexos e exigem o planejamento diferenciado conforme a biologia e a ecologia das espécies que se pretende proteger. De qualquer forma, um sistema de proteção delineado para proteger uma espécie terá uma grande probabilidade de trazer benefícios para outras espécies

A influencia negativa

As estradas influenciam negativamente a cobertura florestal. O aumento da densidade de estradas foi um dos fatores que acarretaram a perda de cobertura florestal, já que esta foi menor nas proximidades das estradas.

As estradas devem ser consideradas como um facilitador dos agentes de desflorestamento e como um fator adicional relevante para definir estratégias de conservação e restauração de florestas tropicais e de sua biodiversidade.

O impacto das rodovias é agravada em relação à vegetação nativa e a biodiversidade, especialmente para as espécies mais sensíveis, porque se inserem em um contexto de paisagens naturais cada vez mais afetadas pela ação humana.

A conservação da biodiversidade fica concentrada em fragmentos de mata nativa ou em áreas protegidas como as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as Unidades de Conservação, que formam ilhas em meio a paisagens heterogêneas e alteradas, sendo comum rodovias cruzarem ou margearem áreas protegidas ou ambientalmente sensíveis, potencializando os problemas para a conservação da biodiversidade

No Brasil, os dados existentes sobre atropelamento de fauna generalizam os acidentes, sem diferenciar a doméstica e a selvagem

A abordagem em pesquisas dos atropelamentos da fauna doméstica é importante para a designação de pontos críticos de colisões veículo-animal, que podem ser os mesmos pontos críticos de atropelamento da fauna silvestre e também com a finalidade de implantar medidas nestas áreas que vão minimizar os danos causados aos motoristas

principalmente nos casos de animais domésticos de grande porte como bois e cavalos.

Os acidentes afetam geralmente espécies generalistas, que possuem alto grau de tolerância e capacidade de aproveitar eficientemente diferentes recursos oferecidos pelo ambiente, onde um aumento na taxa de mortalidade é compensado pela alta taxa de reprodução. No entanto, se o aumento na taxa de mortalidade ocorrer em populações naturais (conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que ocupam uma certa área, num determinado tempo) reduzidas de espécies, na qual a dinâmica reprodutiva determina uma baixa capacidade de reposição dos indivíduos, haverá uma forte fonte de pressão negativa sobre a manutenção dessas populações.

O atropelamento pode ser indicado como causa importante de perda populacional em rodovias que cortam unidades de conservação, cujas áreas totais são pequenas ou que possuem em seu interior espécies ameaçadas de extinção, ou então para populações animais pouco numerosas, nas quais cada caso de animal silvestre atropelado representa uma perda significativa para o total da comunidade

Existe ainda pouco conhecimento sobre a relação dos padrões de fragmentação da paisagem e as ocorrências de atropelamento e o consequente impacto gerado sobre as populações naturais. Porém a fisionomia da paisagem, especialmente a fragmentação florestal, é um fator que deve ser considerado para o entendimento da dinâmica dos atropelamentos nas rodovias, juntamente com a distribuição da rede de drenagem ou hidrográfica observaram um maior número de atropelamentos em área de Mata Atlântica com maior concentração de florestas e fragmentos de maior porte, e também observou que a rede de drenagem influi positivamente sobre os atropelamentos. Além de prejuízos ecológicos, os atropelamentos também geram impactos para os usuários das rodovias ,pois causam acidentes fatais e não fatais e altos custos financeiros para o reparo de seus veículos e pagamento de seguros.

O DER/SP não construiu nenhuma dessas estruturas, quem as realiza são rodovias concessionadas como

Para um Estado grande tem poucas travessias para animais.