Volkswagen sinaliza demissão de 800 e Mercedes dispensa 244 Foto: Divulgação

Volkswagen sinaliza demissão de 800 e Mercedes dispensa 244 Foto: Divulgação

Volkswagen enviou dois tipos de telegramas que chegaram nas casas de seus cerca de 11 mil funcionários da unidade Anchieta, em São Bernardo, entre sábado e ontem. Para a grande maioria, os documentos afirmavam que hoje começariam ações de adequação de efetivo. Para 800, o texto era mais direto, e orientava que esses profissionais não ocupassem suas posições e comparecessem hoje a sala específica na fábrica, sinalizando, desta maneira, a dispensa desse grupo, revelou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A entidade estimou ainda que 244 metalúrgicos da Mercedes-Benz, na mesma cidade, compõem a lista dos demitidos que não tiveram o lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho) postergado até abril.

A equipe do Diário teve acesso ao telegrama enviado aos funcionários da Volkswagen. O documento diz que a empresa tem a necessidade de “início imediato de ações de adequação de efetivo”. Cita ainda que a “primeira etapa será anunciada em 6/1/15”, ou seja, hoje. O texto encerra pedindo ao funcionário que “compareça às 9h50 na Ala 5 Santos, 2º andar, sala 3”, e que neste dia “não será necessário comparecimento ao local de trabalho, devendo apresentar-se somente no local e horário indicados”.

O acordo coletivo em vigor entre montadora e sindicato, no entanto, prevê estabilidade de emprego até 2016. A entidade informou ontem que fará assembleias na porta da fábrica, sendo que a primeira terá início às 7h de hoje, para tomar decisão junto aos trabalhadores quanto à sinalização da montadora.

A Volkswagen explicou, em nota, que o “cenário de retração da indústria automobilística no País nos últimos dois anos e o aumento da concorrência ao longo dos últimos anos impactaram os resultados da Volkswagen do Brasil e, em especial, da Unidade Anchieta (São Bernardo)”, mas não confirmou as demissões. Apenas destacou a rejeição da proposta de novo acordo coletivo e reiterou que não é mais possível suportar, com o excedente estimado em 2.100 funcionários, o acordo em vigor até 2016.

Faziam parte da proposta da empresa o congelamento dos salários em 2015, o reajuste inferior à inflação para 2016 e a oferta de abonos nos dois anos. Como contrapartida, a montadora traria novos projetos de veículos para a fábrica até 2018 e não dispensaria em massa.

Conforme informou, por nota, a Volkswagen, ontem, “continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade da Anchieta, motivo pelo qual a empresa terá que estabelecer outras medidas”.

DEMISSÕES - O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC revelou que, em conversas com a Mercedes, a montadora rotulou os 244 dispensados como “trabalhadores que apresentaram baixa performance”.

Ainda não há balanço sobre quantos dos 244 profissionais aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária), tendo em vista que eram cerca de 1.200 com contrato de trabalho temporariamente suspenso nas unidades de São Bernardo e Juiz de Fora, com a maioria na região. O sindicato estima que 1.015 entraram no lay-off.

No fim de 2014, a entidade já havia se posicionado garantindo que não faria a homologação dos demitidos que não estivessem dentro do PDV. Ontem, realizou assembleia explicativa na fábrica da Mercedes para pedir a solidariedade aos trabalhadores para possíveis mobilizações de reivindicação contra as demissões. Estão previstos mais encontros no estacionamento da companhia durante esta semana.

Karmann Guia paga salário após paralisação de um dia

Após cruzarem os braços ontem na fábrica da Karmann Guia, em São Bernardo, os cerca de 500 funcionários voltam às atividades hoje. O motivo da mobilização foi o atraso do pagamento em relação à data prometida pela empresa. Depois de passarem o Ano-Novo sem dinheiro, os trabalhadores viram o crédito em suas contas bancárias ontem.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, houve assembleias na fábrica, ontem, e ficou definido, após a constatação do pagamento, que os funcionários voltariam ao trabalho hoje. A entidade reconhece que a Karmann passa por problemas financeiros, porém, destacou que a companhia apenas reconheceu que atrasou o salário, mas não deu motivos.

No dia 19 de dezembro, após paralisação interna do dia 15 ao 18 por falta de pagamento, a presidente da companhia de ferramentaria e estamparia, Mônica Marani, garantiu aos trabalhadores que não atrasaria mais os salários, que são pagos, normalmente, nos dias 15 e 30. Segundo o sindicato, a gestora disse ainda que pagaria a segunda parcela do 13º salário apenas no dia 23 de janeiro.



Fonte: Pedro Souza/Diário do Grande ABC - 06/01/2015