VIOLÊNCIA NA TURQUIA E PROTESTOS: VEJA COMO ESTÁ O 1º DE MAIO NO MUNDO

01/05/2015 10h28 - Atualizado em 01/05/2015 10h55

Da France Presse

 
Manifestantes tentam se proteger de jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo durante confrontos em Istambul, na Turquia. Os ativistas fizeram uma marcha de 1º de Maio desafiando a proibição de percorrer a praça Taksim, no centro da cidade (Foto: Emrah Gurel/AP)Manifestantes tentam se proteger de jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo durante confrontos em Istambul, na Turquia (Foto: Emrah Gurel/AP)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A polícia turca dispersou com gás lacrimogêneo e jatos de água quase mil manifestantes na Praça Taksim de Istambul, em um 1º de Maio tenso no país, ao mesmo tempo que ativistas defendem ao redor do mundo os direitos trabalhistas em uma era de austeridade.

 

O governo conservador-islâmico proibiu as manifestações na emblemática praça Taksim, centro nervoso das várias semanas de protestos contra o governo em 2013 do então primeiro-ministro e agora presidente Recep Tayyip Erdogan. As autoridades temem qualquer manifestação pública antes das eleições legislativas de 7 de junho.As forças de segurança provocaram o recuo dos manifestantes no distrito de Besiktas, em Istambul, e buscavam pessoas que atiraram pedras, garrafas e coqueteis molotov nos policiais. Os trabalhadores foram convocados por sindicatos e partidos políticos da oposição.

As ruas do centro de Istambul estavam bloqueadas e as estações de metrô próximas da Praça Taksim estavam fechadas. O governo suspendeu o serviço de balsas entre as áreas europeia e asiática do país e os helicópteros privados foram proibidos de circular, para permitir o deslocamento dos aparelhos da polícia.

Policial coleta granada de fumaça em frente ao palácio presidencial em Taipei, Taiwan, durante as marchas de Primeiro de Maio (Foto: Patrick Lin/Reuters)Policial coleta granada de fumaça em frente ao palácio presidencial em Taipei, Taiwan, durante as marchas de Primeiro de Maio (Foto: Patrick Lin/Reuters)

Taksim é cenário de confrontos no Dia do Trabalho desde que dezenas de pessoas morreram no 1º de Maio de 1977, um dos períodos mais conturbados da Turquia moderna. "Em 1977 aconteceu um massacre. Simplesmente queremos estar lá para recordar o dia. Não podemos fazer de outra forma, é muito simbólico para nós", disse Umar Karatepe, líder da confederação sindical DISK.

"O presidente, este homem que usurpa todos os nossos direitos, não pode nos dizer que não podemos celebrar o 1º de Maio, é inaceitável", completou.

A imprensa turca informou que 20.000 policiais foram mobilizados em Istambul, com 62 caminhões com jatos de água.

Este é o primeiro Dia do Trabalho no país desde a aprovação no Parlamento de uma polêmica lei que concede à polícia mais poderes para reprimir os protestos.

Manifestações na Europa e na Ásia
Em Teerã, milhares de operários saíram às ruas para exigir melhores condições de trabalho e a preferência nacional na contratação, informou a agência Ilna. Esta é a primeira vez nos últimos anos que o Irã tem uma manifestação nestas características no Dia do Trabalho.

Na Coreia do Sul, dezenas de milhares de trabalhadores participaram nas manifestações, com a ameaça de uma greve geral se o governo prosseguir com o plano de reforma do mercado de trabalho.

Na Grécia, que tem o maior índice de desemprego da Eurozona (25,7%), milhares de pessoas lotaram o centro de Atenas para protestar contra as medidas de austeridade impostas pela União Europeia desde a crise da dívida.

Criança participa de marcha organizada pelo partido comunista libanês no Dia do Trabalho (Foto: Aziz Taher/Reuters)Criança participa de marcha organizada pelo partido comunista libanês no Dia do Trabalho (Foto: Aziz Taher/Reuters)

Na Espanha, com desemprego de 23%, os dois principais sindicatos convocaram manifestações em 80 cidades para protestar contra os cortes, o alto desemprego e a redução dos salários.

Em Moscou, 140.000 trabalhadores e estudantes compareceram à Praça Vermelha, com bandeiras e balões, em um evento que lembra o período soviético.

O partido governista Rússia Unida espera 2,5 milhões de pessoas nas ruas em todo o país por ocasião do Dia do Trabalho.

Em Milão, milhares de pessoas eram esperadas para protestar contra a inauguração da Expo-2015 na capital financeira da Itália.

Os críticos do projeto acusam as autoridades de gastar dinheiro público com um evento que permanecerá aberto até outubro, em um momento no qual o governo defende a austeridade, que afeta os trabalhadores.

Cuba e Venezuela
Os presidentes de Cuba e Venezuela, Raúl Castro e Nicolás Maduro, presidiram em Havana o desfile de 1º de Maio, marcado por pedidos de unidade pelo "socialismo".

Castro e Maduro saudaram milhares de pessoas durante o desfile, que durou uma hora.

 

"Unidos na construção do socialismo" foi o tema da manifestação, que aconteceu em Havana e outras províncias.

Comunistas carregam retratos do ex-líder soviético Josef Stalin durante marcha em Moscou (Foto: Denis Tyrin/AP)Comunistas carregam retratos do ex-líder soviético Josef Stalin durante marcha em Moscou (Foto: Denis Tyrin/AP)