Suíços rejeitam limites à imigração em plebiscito

 

Proposta reduziria de 80 mil para 16 mil por ano o número de imigrantes no país

POR O GLOBO

30/11/2014 17:10 / ATUALIZADO 30/11/2014 17:55

Suíços vão às urnas para referendo sobre imigração - Alessandro Della Valle / AP


BERNA - Num plebiscito neste domingo, suíços se posicionaram contra a proposta de reduzir a imigração no país, sob o argumento de proteger seus recursos naturais. Pelo menos 74% votaram “não” para a iniciativa, que, se tivesse sido aprovada, reduziria de 80 mil para 16 mil por ano o saldo de entrada de estrangeiros — a diferença entre os que emigram e os que imigram — correspondendo a 0,2% da população.
Sob o sistema de democracia direta, os cidadão suíços podem sugerir um referendo se conseguirem reunir assinaturas suficientes de apoio. Dessa forma, a votação deste domingo foi encabeçada pelo Ecopop, um grupo formado há 40 anos por ambientalistas de esquerda que alega que o país está sendo “enterrado sob o concreto” devido ao crescente afluxo de estrangeiros.
Segundo eles, com a taxa de imigração crescendo de 1,1% a 1,4% anualmente, a população atingiria os 12 milhões em 2050, o que aumentaria a demanda por infraestrutura urbana. A proposta também incluía o controle da superpopulação no exterior, dedicando 10% dos investimentos de ajuda externa da Suíça para o planejamento familiar de países em desenvolvimento.
A população suíça aumentou em mais de um milhão em 20 anos, e atualmente concentra 8,2 milhões de indivíduos. Cerca de 25% de seus habitantes são estrangeiros, sendo a maioria de países da União Europeia (UE).
A iniciativa anti-imigração — que além de ecologistas de esquerda, uniu ainda intelectuais de extrema-direita — provocou uma onda de críticas ao redor do mundo, sobretudo por líderes empresariais, o governo e outros partidos suíços. Eles argumentaram que sua implementação prejudicaria a economia do país, além de isolá-lo da UE.
“O objetivo da medida é reduzir drasticamente e de forma linear a imigração para a Suíça, sem nenhuma consideração com suas necessidades econômicas”, disse à AFP, Christian Lüscher, um parlamentar do Partido Liberal. “Teríamos que ser completamente loucos para dar adeus a esta dádiva à nossa economia”.
A resposta da população surpreendeu até analistas, que previam uma votação mais apertada, já que em fevereiro os suíços votaram a favor da reintrodução das quotas de imigração, impondo, com isso, restrições ao acordo de livre circulação entre os países da UE. O governo ainda precisa implementar o resultado daquele plebiscito, que estremeceu as relações com a UE.
As cinco milhões de pessoas com direito a voto também rejeitaram outras duas propostas neste domingo: a que obrigava o Banco Central a aumentar suas reservas de ouro; e a medida que eliminaria incentivos fiscais para os estrangeiros que vivem, mas não trabalham na Suíça. Estes indivíduos, segundo a proposta, teriam um imposto sobre o gasto, em vez de um imposto sobre a renda. Oponentes afirmam que isso poderia prejudicar o status de “paraíso fiscal” do país. “A Suíça grita um direto ‘não, não, não!”, publicou o jornal Handelszeitung.

BERNA - Num plebiscito neste domingo, suíços se posicionaram contra a proposta de reduzir a imigração no país, sob o argumento de proteger seus recursos naturais. Pelo menos 74% votaram “não” para a iniciativa, que, se tivesse sido aprovada, reduziria de 80 mil para 16 mil por ano o saldo de entrada de estrangeiros — a diferença entre os que emigram e os que imigram — correspondendo a 0,2% da população.

Sob o sistema de democracia direta, os cidadão suíços podem sugerir um referendo se conseguirem reunir assinaturas suficientes de apoio. Dessa forma, a votação deste domingo foi encabeçada pelo Ecopop, um grupo formado há 40 anos por ambientalistas de esquerda que alega que o país está sendo “enterrado sob o concreto” devido ao crescente afluxo de estrangeiros.
Segundo eles, com a taxa de imigração crescendo de 1,1% a 1,4% anualmente, a população atingiria os 12 milhões em 2050, o que aumentaria a demanda por infraestrutura urbana. A proposta também incluía o controle da superpopulação no exterior, dedicando 10% dos investimentos de ajuda externa da Suíça para o planejamento familiar de países em desenvolvimento.
A população suíça aumentou em mais de um milhão em 20 anos, e atualmente concentra 8,2 milhões de indivíduos. Cerca de 25% de seus habitantes são estrangeiros, sendo a maioria de países da União Europeia (UE).
A iniciativa anti-imigração — que além de ecologistas de esquerda, uniu ainda intelectuais de extrema-direita — provocou uma onda de críticas ao redor do mundo, sobretudo por líderes empresariais, o governo e outros partidos suíços. Eles argumentaram que sua implementação prejudicaria a economia do país, além de isolá-lo da UE.
“O objetivo da medida é reduzir drasticamente e de forma linear a imigração para a Suíça, sem nenhuma consideração com suas necessidades econômicas”, disse à AFP, Christian Lüscher, um parlamentar do Partido Liberal. “Teríamos que ser completamente loucos para dar adeus a esta dádiva à nossa economia”.
A resposta da população surpreendeu até analistas, que previam uma votação mais apertada, já que em fevereiro os suíços votaram a favor da reintrodução das quotas de imigração, impondo, com isso, restrições ao acordo de livre circulação entre os países da UE. O governo ainda precisa implementar o resultado daquele plebiscito, que estremeceu as relações com a UE.
As cinco milhões de pessoas com direito a voto também rejeitaram outras duas propostas neste domingo: a que obrigava o Banco Central a aumentar suas reservas de ouro; e a medida que eliminaria incentivos fiscais para os estrangeiros que vivem, mas não trabalham na Suíça. Estes indivíduos, segundo a proposta, teriam um imposto sobre o gasto, em vez de um imposto sobre a renda. Oponentes afirmam que isso poderia prejudicar o status de “paraíso fiscal” do país. “A Suíça grita um direto ‘não, não, não!”, publicou o jornal Handelszeitung.