Sindicato diz que estoque é confortável para a Mercedes-Benz

Os trabalhadores da Mercedes-Benz paralisaram a produção nos períodos da tarde e da noite de ontem. Eles protestavam contra as 160 demissões realizadas no fim de 2014. A mobilização foi definida, pela maioria dos trabalhadores presentes, em assembleia com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Segundo a entidade, a montadora não quer abrir diálogo para negociar o cancelamento das dispensas. Também orienta que nenhum deles assine qualquer documento da empresa. Hoje, as atividades voltam ao normal, porém, há previsão de nova mobilização, a ser definida na hora.


O diretor de comunicação do sindicato, Valter Sanches, disse que a empresa não está se importando com os trabalhadores. Destacou que o estoque de caminhões e ônibus, dependendo do modelo, ultrapassa os 40 dias. Por isso, entende que greves de vários dias não surtiriam efeito para a montadora, que apenas teria mais prazo para escoar o estoque sem ligar as máquinas. A Mercedes negou informações sobre o número de veículos que deixariam de ser produzidos ontem e dias de estoque. Dados de novembro mostram quem, por dia parada, a empresa deixa de fabricar 240 veículos, sendo 170 caminhões e 70 ônibus.

A montadora apenas confirmou que está oferecendo, aos 160 demitidos que ainda não foram homologados pelo sindicato, uma ajuda de custo, já que eles não assinaram o PDV (Programa de Demissão Voluntária), aderido por, aproximadamente, 100 funcionários no ano passado. Conforme o tempo de casa, esse benefício vai variar de cinco a sete salários.

Além disso, Sanches deixou claro que o sindicato teme reações da montadora caso qualquer número de produção ou estoque seja divulgado pela entidade. “Toda a vez que a gente fala de dados econômicos dela (Mercedes), ela vem querendo nos pressionar. Os trabalhadores têm noção do estoque. Nós temos exatamente o número, contado um por um”, disse o sindicalista.

Em relação à volta da negociação sobre as demissões, Sanches disse que a montadora está irredutível. “A única coisa que ela propôs foi a ajuda financeira para cada um que tiver interesse de ir embora.”

O secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sérgio Nobre, avaliou que a situação também depende do governo federal para chegar a uma resolução. Isso porque a venda de caminhões, que, segundo ele, giram em torno de R$ 500 mil cada um, depende do crédito, que o governo tem restringido, e da melhoria da economia. Porém, Nobre acredita que se a montadora reabrir a mesa de negociação “será possível chegar a uma saída criativa, como já fizemos várias vezes.” 



Fonte: Pedro Souza/Diário do Grande ABC - 22/01/2015