Sindicalista destaca papel da engenharia e defende respeito à empresa nacional


A qualidade da nossa engenharia e a sobrevivência das empresas nacionais devem estar acima de disputas políticas e não podem ser ameaçadas pela apuração de fraudes e corrupção. A opinião é de Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), e foi manifestada no programa Câmera Aberta Sindical, apresentado por João Franzin, da Agência Sindical. 

Ele reafirmou a importância da engenharia. “Se o Brasil quiser crescer deve se apoiar na engenharia, que tem plenas condições de atuar em todos os segmentos da vida nacional”, argumenta Murilo, que também preside a Federação Nacional dos Engenheiros. A entidade elaborou o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, debatido em todas as regiões do País. 

O líder dos engenheiros frisou que as grandes empreiteiras nacionais são respeitadas internacionalmente. “A engenharia nacional e a capacidade técnica das grandes construtoras são reconhecidas e elogiadas em todo o mundo”, destaca. 

Ao comentar as apurações de eventuais fraudes, Murilo Celso de Campos Pinheiro criticou que, no Paraná, empresários da construção estão sendo confinados em cubículos lotados, amontoados e sem condições sanitárias.

Câmera - Também participaram do programa o diretor do Seesp Fernando Palmezan e o diretor de Graduação do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), José Marques Póvoa.



Fonte: Agência Sindical - 09/03/2015

 

Questionamentos que envolve grandes lideres. 

Ou será golpe?

Entre as tarefas a serem cumpridas pelo poder público no Brasil, está o desafio de garantir mobilidade às grandes e médias cidades. Exemplo negativo em qualquer debate sobre o tema, a Capital paulista, juntamente com a Região Metropolitana, está certamente entre os casos mais graves. Os congestionamentos que com frequência atingem marcas alarmantes de até 200km nos horários de pico, aliados à precariedade e insuficiência do transporte público, tornam o ir e vir do cidadão um verdadeiro martírio cotidiano, sem contar a deseconomia que geram. As soluções para esse quadro, que já se tornou dramático, certamente dizem respeito à engenharia e aos seus profissionais especialistas no setor, que vêm há décadas debruçando-se sobre o tema, estudando e propondo soluções. 
O assunto já foi pauta de dezenas de seminários, palestras e debates realizados pelo SEESP, em parceria com outras entidades e com o poder público. A conclusão comum a todas essas discussões é a necessidade de investimentos maciços em transporte de alta e média capacidade, aliados ao avanço tecnológico para garantir segurança, eficiência e conforto ao usuário. Colocar tal proposta em prática esbarra na carência de recursos alegada pelo poder público e/ou em barreiras políticas e burocráticas. 
Em nenhuma dessas ocasiões, alegou-se a falta de know-how dos profissionais brasileiros para desenvolver um sistema de transporte digno da nossa população. Por isso mesmo, causaram profunda estranheza as declarações do vice-governador Guilherme Afif Domingos, publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 16 de março último, sobre a necessidade de importar engenheiros para cumprir o plano paulista de expansão do sistema metroferroviário. 
Com essa postura, o vice-governador desmerece o profissional brasileiro, reconhecido internacionalmente pela sua capacidade, inclusive nesse setor. Além disso, atua na contramão do esforço feito para que as oportunidades que a expansão econômica dos últimos anos trouxe sejam aproveitadas pela nossa mão de obra qualificada. Após amargar mais de duas décadas de estagnação, a engenharia do País finalmente volta a ganhar relevância e papel de destaque no desenvolvimento. É hora de valorizá-la.


Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

 

SENGE- Minas Gerais

Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais se pronuncia sobre a pretensa importação de engenheiros para atender às Prefeituras Municipais Por uma política de valorização do engenheiro no serviço público.

 A notícia veiculada pela Agência Estado, no dia 11/08/2013, de que “A presidente Dilma Rousseff já está estudando um modo de facilitar a vinda de engenheiros estrangeiros para trabalhar no Brasil, assim como fez com profissionais da área da saúde, no Programa Mais Médicos”, com a justificativa de que “faltam nas prefeituras especialistas dispostos a trabalhar na elaboração de projetos, básico e executivo, fundamentais para que a cidade possa receber recursos da União”, constitui uma interpretação equivocada, diante de uma propalada escassez de engenheiros no país que os fatos têm provado que é mais um mito que uma realidade. 

Além da constatação de que vários setores, como a Engenharia Consultiva, vivem no momento uma grave crise com demissões de centenas de profissionais em Minas Gerais, estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já desmitificou esta questão.

Segundo o órgão federal, o número de engenheiros existentes e a se graduarem no Brasil seriam suficientes para um cenário de crescimento médio anual entre 3 e 5% do PIB, sendo que o país vem crescendo abaixo destes números desde 2010. Independentemente de quais sejam as reais intenções do governo federal nesse assunto, o Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) considera o debate uma excelente oportunidade para que a população brasileira conheça a real situação dos engenheiros servidores públicos. 

Dizer que o tratamento dado pela esmagadora maioria dos municípios aos profissionais é uma vergonha é muito pouco, mas ajuda a explicar porque as prefeituras não conseguem contratar engenheiros para elaborar os projetos que permitam o acesso aos financiamentos federais. Na verdade, a grande maioria dos municípios brasileiros possui engenheiros em seus quadros. E certamente, a quase totalidade desses municípios os remunera com salários aviltantes e indignos. 

Podemos citar cidades de grande porte em Minas Gerais, tais como Uberlândia, Juiz de Fora, Pouso Alegre, Sete Lagoas, Itabira e Montes Claros, para não estender muito a lista – nas quais a remuneração dos engenheiros raramente alcança o valor de R$ 2.000,00 mensais. Não é difícil inferir que salários dignos – independentemente de quem os pague, se a Prefeitura ou o Governo Federal – atrairão com certeza, milhares de engenheiros que hoje não se interessam em trabalhar no Serviço Público. 

O debate que se impõe é o da valorização dos profissionais de engenharia no serviço público, profissão fundamental para a construção de cidades com melhor qualidade de vida. Desde 1966 uma lei federal (Lei 4.950-A) estipula que o salário mínimo profissional da categoria deve ser de 8,5 salários mínimos para uma jornada de oito horas diárias. 

O primeiro passo a ser dado é que os governos municipais e estaduais ofereçam salários compatíveis com o piso da categoria e que o governo federal atue politicamente para incluir os engenheiros estatutários entre os beneficiários da Lei. O segundo é criar plano de carreiras em que o profissional tenha uma visão clara do futuro que poderá construir na instituição. 

Estabelecidas estas premissas, certamente não faltarão profissionais em nenhum lugar do país. É importante ressaltar que o Senge-MG reconhece a contribuição que os engenheiros estrangeiros têm dado à construção deste país, com a transferência de conhecimento e tecnologias.