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A depressão e o Assédio Moral

14 DE AGOSTO DE 2014
O dia 11 de Agosto foi marcado por uma tragédia para o cinema mundial. Robin Williams, um dos maiores atores de Hollywood cometeu o suicídio motivado por uma forte depressão.
O astro de “Popeye”, “Sociedade dos Poetas Mortos” “Tempo de Despertar”, “Bom Dia, Vietnã”, “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, “Amor Além da Vida” e muitos outros filmes incríveis, lutava seu contra uma depressão severa. Ele já havia sido internado várias vezes em clínicas de reabilitação, por problemas com drogas, sendo a última vez em julho passado.
Infelizmente, Williams perdeu a batalha para a doença. Muitos outros artistas também: Walmor Chagas, Leila Lopes, Ariclê Peres, Fausto Fanti, Chorão e muitos outros.
Mas não são só os artistas que sofrem com esse mal. Atualmente a depressão está entre as quatro causas mais frequentes de afastamento do trabalho, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apenas em 2013 a doença foi responsável por 61.044 afastamentos.
Mas e o que causa a depressão entre os trabalhadores? A resposta pode estar no excesso de cobrança, ritmo de trabalho intenso, exigências cada vez mais severas quanto à qualificação e medo do desemprego.
Mas não se pode esquecer do assédio moral, que infelizmente vem crescendo nas empresas e fazendo vítimas de perseguição e constrangimentos dentro do próprio ambiente de trabalho.
O assédio moral além de ilegal, degradante e causa muita dor. Trata-se de expor trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. É mais comum nas relações hierárquicas autoritárias, ou seja, chefes em relação a subordinados.
A “vítima” escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos colegas, que, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados ficam em silêncio ou compactuam com o agressor.
Com isso, o trabalhador vai perdendo sua autoestima e sua saúde. O Ministério do Trabalho, responsável pela fiscalização, diz que o número de denúncias está aumentando.
A Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite. Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas, mesmo que não haja uma causa aparente. O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias e dias seguidos, e desaparece o interesse pelas atividades, que antes davam satisfação e prazer.
É importante é encarar a depressão como qualquer outra doença e não como preguiça ou coisa de “gente louca”. A família e os amigos são muito importantes na recuperação da pessoa com depressão porque eles são um ponto de referência para certos padrões, como alimentação equilibrada, higiene pessoal e interação social. Além disso, na maioria dos casos, a pessoa com depressão tem dificuldade em aceitar a doença e procurar ajuda.
E se você está sentindo os sintomas e acha que pode estar sofrendo assédio moral no trabalho, busque ajuda e denuncie. As denúncias podem ser feitas no sindicato da sua categoria, nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), no Ministério do Trabalho e Emprego (Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego – Comissão de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Combate à Discriminação), no Ministério Público do Trabalho ou ainda Justiça do Trabalho.