Sem-teto ocupam área seca da represa Billings, na Zona Sul de SP

28/01/2015 07h46 - Atualizado em 28/01/2015 09h18

Cem famílias querem se instalar nas margens da represa. 

Subprefeitura diz que tenta evitar as novas ocupações.

Do G1 São Paulo

Sem-teto ocuparam área da represa Billings, na Zona Sul de São Paulo, que está seca por causa da escassez de chuvas, como mostrou o Bom Dia São Paulo, nesta quarta-feira (28). Os moradores disseram que a área ocupada está sem água há pelo menos dois anos.

Já existem outras casas mais antigas construídas na área que um dia foi da represa e que pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Porém, há cerca de quatro meses, homens trabalham para colocar cercas e demarcam os espaços do terreno que fica perto da Estrada do Alvarenga, na região de Pedreira.

Um grupo de cerca de 100 famílias têm a intenção de se estabelecer nessa área. Os lotes são divididos por fios nessa fase inicial. Os novos ocupantes contam que a ideia é começar a construir as casas o mais breve possível.

“Nós vamos lotear para fazer casa para morar. Ninguém aguenta pagar aluguel. Estou delimitando para cada ter o seu espacinho para não ter esse negócio de cada um ficar com mais que o outro. Fizemos uma ruinha, que vai sair ali atrás”, disse um dos homens.

 

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 “Estava juntando muita cobra, o pessoal jogando lixo, a gente está querendo cuidar”, afirmou um outro,

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) informou que pediu à Justiça, em 2008, a reintegração da área ocupada irregularmente e que, desde então, tem notificado regularmente a justiça e os órgãos municipais.

Já a subprefeitura de Cidade Ademar disse que a área é da Emae e que fez diversas ações para retirar as famílias do local. A subprefeitura informou ainda que, sempre que foi chamada, apreendeu vários materiais de construção, para evitar novas ocupações na área.

Um dos novos ocupantes disse que funcionários da Emae visitam a área, mas não falam nada.

A represa Billings passa pela Zona Sul de São Paulo assim como pelas cidades de Diadema e São Bernardo do Campo, no ABC. A ocupação das margens da represa é comum em todos municípios. Não é raro encontrar casas de alto padrão e mesmo com piscinas.

Um teste com uma amostra da Represa Billings mostrou que a água está contaminada. Quarenta e oito horas depois, um segundo teste mostrou quais bactérias estão presentes na água: escherichia coli, salmonella e shigella. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta semana que o uso da água da represa será ampliado para ajudar a combater a crise hídrica.