Sem acordo, greve dos Correios é mantida

24/02/2014 20:45

Paralisação já afetou cerca de 30% das entregas nas regiões de Campinas, Rio Preto e Vale do ParaíbaIVAN VENTURA/ ESPECIAL PARA O DIÁRIO

Marcelo Camargo/ Ag. Brasil

Ao fim da audiência, Correios e sindicato dos trabalhadores trocaram acusações

Terminou, nesta segunda, sem acordo a audiência preliminar no TST (Tribunal Superior do Trabalho) que tentou pôr um fim na greve dos funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos). Agora, a empresa e a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos) vão se enfrentar nos tribunais em uma ação que questiona a legitimidade da paralisação, motivada pela mudança no plano de saúde. Os trabalhadores alegam que a alteração vai elevar o custo desse benefício. Os Correios, por sua vez, alegam que não haverá prejuízo. A Justiça ainda vai definir a data da primeira audiência.

 

Nesta segunda, logo após o fim da audiência, a federação e os Correios trocaram acusações sobre o verdadeiro culpado pela manutenção da greve. A Justiça propôs o fim da paralisação até o julgamento do mérito, ou seja, o motivo que resultou na greve dos entregadores e de outros funcionários da empresa.

 

Segundo a versão da federação, a Justiça pediu o fim da paralisação condicionado ao pagamento de metade dos dias parados. A oferta não teria agradado a direção dos Correios, que recusou a proposta. “É ruim, mas queríamos negociar, A ideia era que a empresa abonaria metade dos dias da greve e outra metade seria  compensada. Não aceitaram”, disse Marcílio Alves de Medeiros, membro do comando de negociação e presidente do sindicato da categoria no Vale do Paraíba.

 

Já os Correios dizem que foi a federação que não aceitou o fim da paralisação em troca do abono. “A proposta foi recusada pela federação. Os representantes da Fentect afirmaram não haver possibilidade de acordo, mesmo diante da insistência do MPT (Ministério Público do Trabalho)”, dizia a nota à imprensa. No comunicado, a empresa informou que o novo plano de saúde será mantido. “Os Correios reiteraram, durante a audiência de conciliação, que nenhuma alteração será feita nos benefícios do plano Correios-Saúde”, completou.

 

Entregas/ Em São Paulo, o atraso foi de 30% do total de correspondência enviada durante a greve iniciada há 28 dias, segundo informou a direção dos Correios. A paralisação atingiu as regiões de Campinas, São José do Rio Preto e Vale do Paraíba.