Secretário diz que Sabesp terá 'tarifa progressiva' contra queda de receita

Secretário diz que Sabesp terá 'tarifa progressiva' contra queda de receita

06/02/2015 12h57 - Atualizado em 06/02/2015 14h07

Braga diz que empresa precisa de 'equilíbrio' para continuar serviços.

'Vamos analisar as questões de natureza social', diz secretário.

Do G1 São Paulo

O secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, afirmou nesta sexta-feira (6) que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai adotar uma “tarifa progressiva” contra "dificuldades financeiras" que a empresa enfrenta no atual período de crise hídrica.

 FALTA D'ÁGUA EM SP

Seca afeta abastecimento

A declaração foi dada durante palestra realizada na Fecomércio, em São Paulo. O secretário deixou o evento sem dar entrevistas e não detalhou como será a nova tarifa.

Benedito Braga abordou o tema ao responder pergunta de um participante e afirmou que a companhia enfrenta uma queda de receita em razão da queda da produção de água e da menor arrecadação por causa do bônus de até 30% para consumidores que economizam água.

"Esses mecanismos que nós tivemos que utilizar para fazer uma redução do consumo através de mecanismos econômicos, obviamente levaram à dificuldades de natureza financeira", disse o secretário.

Braga disse que a Sabesp precisa ter dinheiro em caixa para realizar os investimentos necessários em novas tecnologias e em outros custos do serviço que presta. “É algo que tem que ser equilibrado para que a companhia possa continuar prestando o serviço”, disse. “Vamos trabalhar com uma estrutura tarifária progressiva. Vamos analisar as questões de natureza social sem dúvida nenhuma”, afirmou.

Vamos trabalhar com uma estrutura tarifária progressiva. Vamos analisar as questões de natureza social sem dúvida nenhuma"

Benedito Braga,
secretário de Recursos Hídricos

O secretário saiu do evento sem falar com a imprensa e não esclareceu se estava se referindo a um aumento da tarifa da água em si ou à elevação da multa para consumidores que aumentarem o consumo. A Arsesp, agência que regula o serviço de energia no estado já autorizou a aplicação da multa de até 100% para quem usar mais água.

No dia 1° de janeiro deste ano, logo após assumir a Secretaria de Recursos Hídricos, Braga admitiu em entrevista coletiva que poderia estudar um aumento da multa ou a criação de escalas diferentes em relação à proposta original da Sabesp, que previa multa de até 50%, caso a medida não surtisse efeito. No dia seguinte, a possibilidade foi negada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que disse que a multa não tem objetivo arrecadatório.

Seca
O secretário também explicou que a “intensidade” da seca dede 2014 vem surpreendendo. A quantidade de chuvas desde janeiro do ano passado é menor do que a mínima antes registrada, no ano de 1953.

Braga fez uma apresentação em que listou obras de curto, médio e longo prazo que são preparadas pelo governo de São Paulo para aumentar a oferta de água e minimizar a atual crise hídrica. Entre elas está a transferência de 4 mil litros por segundo de um braço da represa Billings para o Sistema Alto Tietê, um dos mais afetados pela escassez de água.

As manobras de redução de pressão são o tipo de medida que conseguiu maior redução no uso de água até o momento, superando 5 mil litros por segundo. A economia é maior do que a obtida com o bônus, que foi de 4,1 mil litros por segundo.

Questionado sobre a possibilidade de um rodízio na Grande São Paulo, Braga afirmou que sempre, na condição de técnico, foi um crítico da medida. Ele diz que caso as chuvas esperadas para os próximos meses não aliviem os reservatórios e as manobras de redução de pressão não sejam mais suficiente, o rodízio seria a alternativa a ser adotada. Disse, porém, que se isso ocorrer, a forma como isso será feito precisa ser estudada, e a população será avisada com antecedência.

O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, chegou a afirmar que poderia ser adotado um sistema de cinco dias sem água e dois dias com.