Rodovias continuam sem unidades básicas de atendimento do DER

Rodovias continuam sem unidades básicas de atendimento do DER
18/04/2017-
 

Às vésperas de mais dois “feriadões”, rodovias de Bauru e região administradas pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) estão sem o serviço prestado pelas Unidades Básicas de Atendimento (UBAs), consideradas pelo próprio órgão fundamentais para atender usuários desde casos de acidentes a problemas mecânicos na pista.

 O atendimento está interrompido há cerca de dois meses. Motivo: problemas em licitação.

O departamento diz ter iniciado processo licitatório em abril de 2016 para chegar em fevereiro de 2017, prazo final de nova contratação, com tudo em ordem, o que não ocorreu.

 Desde então, os motoristas que percorrem os 35 quilômetros de trechos administrados pelo DER em Bauru - entre eles rodovias de bastante movimento como a Bauru-Marília (SP-294) e a Bauru-Iacanga (SP-321) - dependem de deslocamento de viaturas de outras regiões.

Procurado pela reportagem, o DER informou, por e-mail, que o período entre o encerramento dos contratos antigos e o início dos novos se deu devido à necessidade de atender determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que teria interrompido os processos licitatórios por um determinado período do ano passado.

“Depois de ultrapassada essa fase, foi necessário respeitar todos os prazos e trâmites exigidos pela lei de licitações, principalmente no que tange à análise de pedidos de esclarecimento e de recursos dos concorrentes. A previsão é que os vencedores da licitação sejam conhecidos nos próximos dias”, declarou o órgão.

RISCOS

O próprio DER confirma que o convênio para atender área de Bauru venceu no fim de fevereiro deste ano e, desde então, “há um esforço para que viaturas e equipes localizadas em outras rodovias sejam deslocadas para ocorrências onde o contrato da UBA já tenha sido encerrado”, diz a nota, sem detalhar o número de viaturas disponíveis por regiões. Porém, o JC teve acesso a um depoimento de um policial rodoviário que aponta o contrário, reiterando que Bauru não conta com o serviço desde fevereiro.

O denunciante pontua que a falta de estrutura para sinalização das vias e a demora na retirada de veículos da pista após acidentes podem gerar novas colisões. Declara também a necessidade de levar cones nas viaturas, para tentar amenizar a falta de apoio das UBAs.

A reportagem acionou o TCE por telefone e e-mail para saber sobre a interrupção do período de licitação. Contudo, não houve resposta até o final dessa segunda-feira (17).

Em novembro do ano passado, o DER de Bauru foi alvo de operação do Gaeco. Conforme o JC noticiou na época, cinco engenheiros foram presos acusados de fraudar a execução de contratos administrativos firmados entre o órgão local e quatro empresas do segmento de engenharia, gerando rombo de mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos.

Questionado, o DER não informou se há qualquer efeito deste caso sobre a questão das UBAs.

Serviços prestados

As UBAs prestam serviços de inspeção rodoviária. “São guinchos utilizados na remoção de veículos e desobstrução de pista; pick-ups para a inspeção e intervenção no tráfego; ambulâncias para resgate e atendimento de primeiros-socorros a acidentados. Há, ainda, veículos de apoio, como carretinhas-pipas de combate a incêndios e caminhões de apreensão de animais”, discrimina o DER, em e-mail enviado à reportagem.