Rodoviários e sindicato ficam sem acordo e greve continua no ES


A audiência de conciliação realizada entre o Sindicato dos Rodoviários (Sindirodoviários) e os sindicatos patronais, para resolver o impasse da paralisação dos coletivos, terminou sem acordo. Apesar disso, a categoria afirmou que vai acatar a decisão da Justiça, de ter colocar parte da frota em circulação. A reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira (9), no Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES). A categoria reivindica outro plano de saúde.

A tentativa de acordo foi conduzida pelo vice-presidente do TRT-ES, desembargador Marcello Mancilha, e começou às 15h30. Segundo o presidente do Sindirodoviários, Roberto Louzada, o Maguila, a paralisação continua nesta terça-feira (10).

Apesar da greve, Maguila explicou que durante a manhã vai se reunir com os rodoviários para decidir o rumo da paralisação. Apesar disso, eles afirmaram que vão acatar a decisão da Justiça e colocar 70% da frota em circulação em horários de pico e 40% nos demais horários para atender a população.

Após a reunião, o desembargador Marcelo Mancilha disse que o Ministério Público do Trabalho pediu que o TRT enviasse cópias do processo para a Polícia Federal para que fosse investigada uma eventual prática de crime. "Vai ser investigado se foi cometido um crime de se esquivar do recebimento da intimação judicial, bem como crime contra a organização do trabalho. Na verdade como consta com o Tribunal de Justiça, ele foi contactado, foi combinado um horário para o recebimento dessa liminar e ele não cumpriu com o que foi combinado com o oficial de justiça. Mas isso não quer dizer que tenha havido o crime, vai ser investigado", disse.

Greve

Na manhã desta segunda-feira, os rodoviários cruzaram os braços e fizeram uma paralisação. Os terminais da Grande Vitória amanheceram vazios e o pontos de ônibus ficaram cheios de passageiros que esperavam por algum coletivo.

Um grupo de cobradores e motoristas estava reunido, por volta de 5h30, em frente a uma garagem de ônibus em Cariacica. Um dos diretores do Sindirodoviários, João Luis Alves, afirmou que 100% da frota estava parada.

Eles reivindicam outro plano de saúde, pois alegam que o atual tem um custo elevado demais para os trabalhadores. Cartazes foram colados no vidro dianteiro dos coletivos informando que os rodoviários estão em estado de greve.

Mesmo antes do início da greve, o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) conseguiu junto à Justiça do Trabalho uma medida cautelar para garantir a circulação de, no mínimo, 70% da frota durante os horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h, e 40% nos outros horários.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários disse, neste domingo (8), que não havia recebido nenhuma determinação ou comunicado oficial da Justiça em relação à quantidade de ônibus nas ruas. “Até agora não recebemos nenhum comunicado da Justiça, mas, se recebermos, vamos cumprir o que foi determinado”, afirmou Maguila. A multa para o descumprimento da determinação da justiça trabalhista é de R$ 30 mil por dia.

Prejuízos

Os comércios da Grande Vitória, no Espírito Santo, deixaram de faturar de R$ 2 a 2,5 milhões com a paralisação de rodoviários, conforme estimativa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES). Segundo os empresários, a falta de funcionários foi um dos principais fatores que gerou danos para o comércio.

“Perdas sérias, como é o caso do setor de alimentos que fica prejudicado nos processos de arrumação e fabricação na loja, sem os serviços de abastecimento, reposição de mercadorias, preparação da padaria e do açougue”, disse o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios do Espírito Santo, Waldês Calvi.

Para Odimar Nascimento Machado, dono de um restaurante de Bento Ferreira, em Vitória, o comércio saiu prejudicado, porque não dá para atender os clientes com menos funcionários. "Um exemplo disso é que normalmente eu tenho oito atendentes no restaurante. Hoje, com a greve, eu tive quatro. Além disso, o movimento foi um pouco mais fraco", contou.

Segundo o empresário, ele e o irmão se dividiram para buscar alguns funcionários em casa. "Ontem sabíamos que ia ter greve, mas pensamos que ia rodar 30% dos ônibus. Por isso, quem morasse em Vitória a gente não ia ter que buscar. Como nenhum ônibus apareceu, tivemos que buscar todos que entraram em contato conosco", disse.

O presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, explicou que não se trata de prejuízo, mas da perda de faturamento. “Isso ocorre, principalmente, por que os consumidores deixam de ir às ruas em função da falta de transporte público, hoje responsável por locomover mais de 80% dos trabalhadores do comércio, e quando vão é para a compra de produtos de necessidade, como alimentos”, afirmou Sepulcri.

Ilegalidade

Após o descumprimento, por parte do Sindirodoviários, da determinação judicial que previa a circulação de 70% da frota para os horários de pico e 40% nos demais horários para atender a população, o GVbus informou que entrou com medidas judicias pedindo que a greve seja declarada ilegal.

O GVbus solicitou ainda que a cobrança da multa seja estendida aos dirigentes do Sindirodoviários e que a Justiça aumente o valor da multa.



Fonte: Viviane Machado/G1 - 10/02/2015