Receio do setor é que as concessionárias onerem as companhias para recuperar investimentos realizados na concessão

Empresas aéreas temem que leilões elevem seus custos

22 de novembro de 2013 | 2h 04

Marina Gazzoni - O Estado de S.Paulo

As companhias aéreas enxergam na nova rodada de leilões de aeroportos uma oportunidade de trazer ao Brasil um modelo de gestão mais eficiente da infraestrutura, mas temem aumentos de custos operacionais. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, o receio do setor é de que as concessionárias onerem as companhias aéreas para recuperar os investimentos feitos para conseguir a concessão.

"A Abear se manifestou contra o modelo de concessão pela maior outorga nas audiências públicas. Se novos aeroportos forem privatizados, vamos voltar a defender que o vencedor seja a operadora que oferecer a menor tarifa, como foi feito com as rodovias", lembrou Sanovicz.

Para ele, o modelo se encaixa melhor em cidades com maior atratividade turística. "O Aeroporto do Recife, por exemplo, tem um potencial para ser um hub e tem grande apelo para o passageiro sensível a preço", disse.

No leilão de hoje, o governo oferecerá à iniciativa privada dois aeroportos - Galeão, no Rio, e Confins, em Belo Horizonte. A maior disputa deve ser pelo Galeão, um aeroporto que é considerado pelo mercado com grande potencial de crescimento. "Ele tem espaço para ampliar os voos e o investimento imediato é pequeno", disse o professor de Transporte Aéreo da USP, Jorge Leal. "Ele precisa essencialmente de um banho de loja", disse.

O Galeão é o segundo aeroporto que mais recebe voos internacionais, atrás de Guarulhos. A vantagem do aeroporto fluminense sobre o paulista é que ele ainda tem espaço para adicionar novos voos. "Ele tem potencial para ser um hub nacional e internacional. Hoje a maioria dos passageiros que voam do Sul para o Nordeste faz conexão em São Paulo", disse Leal.

O governo tentou fomentar a competição entre os aeroportos limitando a fatia de empresas que já participam de consórcios que operam os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos, leiloados em 2012, a 15% nos consórcios que disputarão Galeão e Confins. Entre os grupos que já venceram leilões, só a Invepar, controladora da concessionária que ganhou Guarulhos, disputa a rodada de hoje.

A disputa por Confins tende a ser menos acirrada que por Galeão, disse uma fonte do setor aéreo. As empresas temem que, no futuro, o aeroporto possa sofrer a competição com o Aeroporto de Pampulha, que se mantém sob a gestão da Infraero. "Ninguém sabe o que vai acontecer com Pampulha no futuro, e o aeroporto pode ser uma ameaça para Confins", disse.