Reajuste da mensalidade escolar pode chegar a 12%Segundo o Procon


A recomendação para os pais é pedirem as planilhas de aumento para as escolas. 

A maior preocupação dos pais de alunos de escolas particulares, nessa época do ano, é sem dúvida a renovação das matrículas para 2015. Segundo o vice-presidente do SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do estado de São Paulo), José Augusto de Mattos Lourenço, as mensalidades podem ter aumento de 10% a 12%, índice acima da inflação prevista pelo governo federal que é de 4,5%.

"O motivo é o aumento real nos salários dos professores, de até 2,5%. Além disso, o governo segurou os preços do combustível, energia elétrica e outros meios, e o novo presidente vai ter que entrar e ajustar", explicou Lourenço.

O Sindicato informou que o reajuste imputado para 2015 não poderá ser mudado. Outra questão abordada foi à inadimplência. O sindicato já fez reuniões com algumas escolas no ABC e a orientação é que freiem novos investimentos, como grandes obras e intervenções. "A inadimplência deu uma queda em relação a 2013 que foi de 8%. Hoje estamos com 7%. O ideal é chegar a 5% e esperamos chegar a esse nível em 2015", acredita o vice-presidente do SIEEESP.

Segundo o Procon, a recomendação para os pais é pedirem as planilhas de aumento para as escolas e com isso evitar quaisquer problemas abusivos. "A planilha indicativa da composição dos custos que integram o índice de reajuste a ser aplicado à anuidade (ou às mensalidades escolares) do exercício (ano letivo) seguinte, deve ser publicada em local de fácil acesso ao público até 45 dias antes da data final para matrícula", afirma o diretordo Departamento de Assistência Judiciária e Defesa do Consumidor (Procon) de Santo André, Marco Aurélio Ferreira dos Anjos.

O Procon alerta ainda para as compras ilegais que algumas escolas obrigam seus alunos a fazer. Materiais de uso coletivo ou de consumo, como giz, álcool, marcador de quadro branco, papel higiênico ou ainda despesas de obras para ampliação da escola, são proibidos a serem incluídos na matrícula ou mensalidade.

Mesmo com o aumento na renovação das matrículas, o Sindicato não acredita em uma diminuição de alunos nas escolas particulares. O principal motivo é a má qualidade no ensino público. "Não vai afetar as famílias. As escolas públicas estão sem condições. O número de alunos só cresce", relata José Augusto.

Pais

Com o filho matriculado em uma escola particular em Santo André, Adriana Possarle, de 40 anos, disse já ter sido informada pela escola. "Recebi um papel e pelo menos me parece que não mudou o reajuste que tem todos os anos. Faço a renovação só em janeiro, mas não acho justo o aumento", revela.

Apesar de não concordar, Adriana assume não ter o que fazer. A péssima qualidade do ensino público não deixa a dona de casa tirar seu filho da escola particular. "Todos não concordam, mas ficamos sem saída. "É um gasto a mais que temos, sendo que o ensino gratuito poderia ser usado, mas como confiar?", questiona.


Fonte: Luan Siqueira/RD - 06/10/2014