'QUEM VAI GANHAR É O GOVERNO', DIZ CUNHA SOBRE TEMER NA ARTICULAÇÃO

Fernanda Calgaro

Do G1, em Brasília

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira (8) que o Palácio do Planalto irá ganhar com o vice-presidente da República, Michel Temer, na condução da articulação política do governo.

“Eu acho que quem vai ganhar é o governo. Efetivamente, ele [Temer] é um quadro capacitado, gabaritado, e tem autoridade e conhecimento da Casa, tem trânsito para facilitar para o governo, não resta a menor dúvida disso”, afirmou Cunha.

O ministro Pepe Vargas (PT) deixou na terça-feira (7) o comando da Secretaria de Relações Institucionais, que acabou extinta, diante do desgaste com o Congresso. Vargas era alvo constante de críticas por parte dos parlamentares.

A mudança na articulação política visa tentar recompor a base aliada e conter a aprovação de pautas que desagradam ao Planalto.

Apesar da entrada de Temer, que é presidente nacional do PMDB, Cunha deixou claro, porém, que manterá a postura independente da Câmara em relação às pautas apreciadas.

Desafeto da presidente Dilma Rousseff, Cunha já impôs neste ano diversas derrotas ao governo ao votar projetos que desagradavam o Planalto. Ele disse, no entanto, que continuará ajudando na governabilidade.

“Nossa postura aqui é manter a pauta da Casa com independência e ajudar a governabilidade, como sempre tenho feito, não tenho atrapalhado a governabilidade”, declarou.

Terceirização
Mais cedo, Cunha se reuniu com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e o deputado Arthur Maia (SD-BA), relator do projeto de lei sobre terceirização, que deve ser votado na tarde desta quarta.

Cunha explicou que, a seu pedido, a Receita fará alguns ajustes no texto do projeto para evitar “dupla interpretação”.

“A gente não quer que o projeto acabe aumentando a carga tributária, [quer] que ele tenha um efeito neutro. Que a Receita proteja para que a União não perca arrecadação, a gente entende. Agora, com isso ser um instrumento para aumentar a tributação das empresas é o que a gente não gostaria. Então, esses ajustes estão sendo feitos”, explicou.

Para Cunha, a disposição de Rachid em mudar o texto de dois artigos, mostra que não há “dúvida de que vai resolver [a aprovação]”.