QUAL É A INTENÇÃO DO LEGISLADOR?

QUAL É A INTENÇÃO DO LEGISLADOR?

Imagine o seguinte cenário. Você estava a 65 km/h e passou por um radar em uma via onde a velocidade permitida é de 60 km/h. Depois disso ficou com aquela dúvida na cabeça, achando que levou uma multa. Essa dúvida é bastante comum no dia-a-dia, portanto saiba como é feito o cálculo para aplicar a multa por excesso de velocidade.

O que significa velocidade medida? E a considerada?

A velocidade medida é a velocidade real que o veículo estava ao passar por um radar. Já a velocidade considerada é o resultado do cálculo da subtração da velocidade medida no radar pelo erro máximo admitido pela legislação.

Qual é o erro máximo permitido?

Em vias com velocidade de até 100 km/h a margem de erro considerada no cálculo é de 7 km/h. Acima de 100 km/h a margem é de 7%.

Quando é considerado que o motorista cometeu a infração?

Para ser aplicada a infração, a velocidade considerada é utilizada. Portanto, se a velocidade considerada for de 1 km/h acima do limite da via, já é considerado uma infração. Veja o exemplo abaixo para entender melhor.

Exemplo de cálculo

Se o limite da via for de 60 km/h, a velocidade máxima real para ser caracterizada infração é de 68 km/h. Sendo assim, se o veículo passar a 67 km/h não recebe a multa, mas se passar a 68 km/h recebe.

 

 

 POR QUE 20%?

 

O artigo 218 teve sua redação alterada em 2006, pela Lei nº 11.334, de 25/07/06. Antes da mudança, a infração por excesso de velocidade iniciava-se como grave, passando para gravíssima, após os 20% de excesso, para rodovias, vias de trânsito rápido e vias arteriais; e, após os 50% de excesso, para as demais vias (estradas, vias coletoras e vias locais). Com a alteração, independente do tipo de via em que circula o veículo, a gravidade da infração será média (até 20% de excesso), grave (entre 20% e 50%) ou gravíssima (mais de 50%).
    Uma questão interessante, sobre o texto atual do artigo 218, é que a Lei nº 11.334/06 uniu o constante do antigo inciso I (rodovias, vias de trânsito rápido e vias arteriais) com o antigo inciso II (demais vias), resultando em uma enumeração totalmente desnecessária: se o dispositivo aplica-se, de maneira uniforme, em qualquer tipo de via, não há, obviamente, necessidade de enumerá-las.
    Como se vê, a infração de excesso de velocidade somente se configura se houver a medição por instrumento ou equipamento hábil, não sendo possível a aplicação de multa de trânsito, por simples comparação visual de um veículo com a velocidade constante no velocímetro de um veículo ultrapassado, pela análise do disco diagrama do tacógrafo (equipamento instantâneo e inalterável de velocidade e tempo) ou pela utilização de um cronômetro. É indispensável, pois, a utilização de equipamento medidor de velocidade, nos termos da (atual) Resolução do CONTRAN nº 396/11.
    Neste sentido, apesar de qualquer excesso de velocidade configurar infração de trânsito, conforme descrito no artigo 218, mudando apenas a gravidade da infração, os equipamentos medidores de velocidade (vulgo “radares”) devem obedecer à legislação de trânsito e metrológica em vigor. Por se trataram de equipamentos de medição, estão sujeitos a erros máximos admissíveis, os quais foram incorporados, pelo CONTRAN, como margem de tolerância para aplicação da multa respectiva: assim, nas velocidades de até 100 km/h, são descontados 7 km/h, e, nas velocidades superiores a 100 km/h, 7%; por este motivo, as notificações de autuação e de penalidade pela infração do artigo 218 apresentam a velocidade permitida, aferida e a considerada (sendo esta última decorrente da subtração da “margem tolerância”, no valor constatado pelo equipamento).
    O inciso III do artigo 218 contém duas impropriedades técnicas gritantes, proporcionadas pela Lei nº 11.334/06:
1ª – não existe a penalidade de “suspensão imediata do direito de dirigir”, posto que a suspensão somente pode ser aplicada após o devido processo administrativo e assegurado ao infrator amplo direito de defesa (conforme artigo 265 do próprio Código de Trânsito);

 

2ª – em todos os outros artigos que contemplam a penalidade de “suspensão do direito de dirigir”, o legislador incluiu a medida administrativa de “recolhimento do documento de habilitação”, para que se dê efetividade à penalidade de suspensão; no artigo 218, em vez de se prever tal medida administrativa, houve a inclusão de uma penalidade que era prevista no antigo Código Nacional de Trânsito, de 1966: apreensão do documento de habilitação”.
    

Tudo leva a crer que a intenção do legislador foi determinar que, nos casos de velocidade excessivamente alta (mais de 50% acima da permitida), o condutor ficasse, de pronto, sem o seu documento de habilitação.