Presidente da Colômbia diz que país está próximo de alcançar a paz

América Latina

26 de setembro de 2014 - 9h08 
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta quinta-feira (25), durante seu discurso na 69ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, que seu país está “mais perto do que nunca de alcançar a paz”. Santos explicou que o processo de paz em marcha entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP) e disse que, se obtiver sucesso, poderá servir de referência para outras nações.

 

“A Colômbia aspira dar uma boa notícia à humanidade. A notícia de que chega ao fim o último conflito armado do Hemisfério Ocidental. Se tivermos êxito, como esperamos de coração, estaremos prontos para compartilhar nossa experiência com outros países. Estamos seguros de que nosso caso se converteria em um modelo e um farol de esperança para outros conflitos do mundo”, disse o presidente colombiano.

Santos destacou que o processo de negociação de paz que se desenvolve com as Farc em Havana, tem sido realista, sério, digno, eficaz e tem dado resultados concretos. Ele explicou que foi estabelecida uma agenda com cinco pontos principais, dos quais já se conseguiu acordo em três: desenvolvimento rural, participação política e o problema de drogas ilícitas. Em relação às vítimas e ao fim do conflito, os dois pontos restantes, o chefe de Estado disse que as negociações estão em andamento.

Em junho, o governo colombiano e as Farc concordaram em criar uma Comissão da Verdade para investigar as mortes de milhares de pessoas ao longo de 50 anos de conflito. Estima-se que, desde a década de 1960, quando teve início, cerca de 220 mil pessoas tenham perdido suas vidas no conflito e 3 milhões tenham sido forçadas a deixar suas casas para fugir da guerra interna.

Hoje, o presidente da Colômbia disse que a guerra deixou milhões de vítimas que nunca tinham sido escutadas e que agora participam do processo de paz e têm seus direitos reconhecidos.

Segundo ele, no entanto, quando o conflito terminar, haverá imensos desafios: reintegrar os desmobilizados, garantir a presença do Estado nas regiões afetadas pelo conflito e também a segurança pública. Nesse estágio seguinte, Santos ressaltou que será muito importante a contribuição e participação da comunidade internacional. Por fim, agradeceu a todos os países e organismo multilaterais que ajudaram no processo de paz em vigência.

 



Terça feira dia 23 de setembro de 2014

Governo da Colômbia e Farc-EP retomam Diálogos de Paz em Havana


 

Representantes do governo da Colômbia e membros das Farc-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo) retomaram nesta terça-feira (23), em Havana, contatos para continuar os debates sobre as vítimas do conflito armado no país, no contexto dos diálogos de paz, realizados desde novembro de 2012.

Recentemente chegaram em Havana grupos de vítimas do conflito que vão contar suas experiências nos Diálogos de Paz

Como resultado dessas práticas, os representantes do presidente Juan Manuel Santos e as Farc-EP entraram em consensos em assuntos relacionados à reforma rural, participação política das Forças Armadas e drogas ilícitas. 

A guerra na Colômbia já deixou cerca de 6,5 milhões de vítimas, entre elas, mais de 200 mil mortos, portanto é crucial encontrar mecanismos para reparar os atingidos e assegurar que esses crimes jamais voltem a acontecer. 

Durante este ciclo, representantes desses afetados participaram da mesa de diálogos para narrar suas experiências e expor propostas, como parte de um esforço coordenado pela ONU, a Conferência Episcopal e a Universidade Nacional da Colômbia. 

Este será o terceiro grupo de vítimas a participar dos diálogos em Havana, a previsão é que outros dois, compostos por doze pessoas cada um, participem das próximas rodadas, até completar um total de 60 pessoas, selecionadas pelas instituições citadas. 

A presença dos afetados pelo conflito – inéditas na história deste processo – tem sido qualificadas como transcendentais pelas delegações de paz encabeçadas pelo ex vice-presidente, Humberto de la Calle, e o comandante guerrilheiro Iván Márquez. 

A esta iniciativa da mesa se somaram outras que imprimem uma nova dinâmica aos diálogos de paz, como a criação da Comissão Histórica do Conflito e Suas Vítimas, e de uma subcomissão que adianta as análises sobre o fim da guerra. 

Outro grupo de trabalho, integrado por até cinco representantes de cada parte, contribui para garantir um foco de gênero nas discussões, assim como os consensos conquistados e por conquistar. 

Desde as primeiras apresentações das vitimas, toma força a exigência de um cessar fogo bilateral que contemple um ambiente propício para o desenvolvimento dos diálogos, e garanta a continuidade deste processo. 

Apesar da complexidade do processo e dos desencontros, ambas as partes tem expressado otimismo e vontade de avançar nas conquistas dos acordos que permitam alcançar a paz estável e duradoura para a Colômbia. 

 



DATA 10 de setembro 2014.
Vítimas do conflito colombiano prestam depoimentos em Cuba


 

Os depoimentos do segundo grupo de vítimas do conflito interno colombiano serão ouvidos nesta quarta-feira (10), no contexto do processo de paz que é levado adiante na capital cubana, Havana, pelo governo do presidente Juan Manuel Santos e as guerrilhas Farc-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo). 

 

O segundo grupo de vítimas do conflito a prestar depoimentos nos Diálogos de Paz chegou em Cuba nesta terça-feira (9)

Gloria Gómez, Gabriel Bisbicus, María choles, Teresita Gaviria, Reynel Barbosa, Esaúd lemus, Esperanza Uribe, Marleny Orjuela, Consuelo González, Marisol Garzón, Juanita Barragán e Yéssica Hoyos integram o grupo de 12 pessoas que chegou em Cuba nesta terça-feira (9) para contar suas experiências como vítimas do confronto. 

Por sua parte, a delegação de paz das Farc-EP reiterou o convite aos afetados pelo conflito para participar de um debate respeitoso em busca de um acordo definitivo. 

O chefe da delegação de paz das Farc-EP, Iván Márquez, afirmou que não têm sido poucas as dificuldades enfrentadas durante o processo dos diálogos de paz realizados em Cuba desde novembro de 2012 e centrado atualmente na questão das vítimas, que é o quarto ponto de discussão da agenda combinada.

“Não há nada de construtivo em ser indiferente ou ser inimigo da paz e perder esta possibilidade de diálogo que a história nos proporcionou, seria uma insensatez que nossos filhos e as gerações que estão por vir não perdoariam”, disse. 

Diante de 28 ciclos de trabalho conjunto com o governo da Colômbia, as Farc-EP reiteraram que “a paz é um assunto da sociedade em seu conjunto e deve ser construída por todos os colombianos”. 

Entretanto, o chefe da delegação do governo colombiano que participa em Havana dos diálogos de paz, Humberto De La Calle, assegurou que estão prontos para escutar as vítimas do confronto. 
Afirmou ainda que o governo insiste em preservar os princípios do equilíbrio e pluralismo entre as vítimas presentes na mesa de diálogos instalada em Havana. 

“Queremos ouvir de sua própria voz a forma que melhor vai nos conduzir a construir acordos capazes de responder às suas necessidades e de ressarci-las, queremos escutar também quem não estiver de acordo com este processo”, afirmou.


Fonte: Prensa Latina