PREFEITURA MAPEIA ÁREA DESMATADA NO PARQUE ECOLÓGICO

PREFEITURA MAPEIA ÁREA DESMATADA NO PARQUE ECOLÓGICO

CAMPINAS

Município promete recuperar nascentes e vegetação após assumir a administração; acordo será assinado na segunda-feira (15)

13/12/2014 - 05h00 - Atualizado em 12/12/2014 - 22h08 | Cecília Polycarpo

cecília.cebalho@rac.com.br

Foto: César Rodrigues/ AAN

Com mapa do parque em mãos, secretário Paulella aponta para áreas a serem inspecionadas: nascente seca seria um dos efeitos do desmatamento

A Prefeitura de Campinas pretende reflorestar o Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim e recuperar nascentes na área verde depois de assinado o convênio de municipalização, disse ontem o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Dimas Paulella, durante visita de reconhecimento do espaço nesta sexta-feira (12).

A intenção é tornar o parque, que é carente de vegetação vertical, menos árido. Segundo Paulella, foi detectada uma depressão onde existia uma nascente e o fio de água, que agora está seco. A direção atual do Ecológico informou que o parque tem hoje cinco nascentes ativas, mas não tem levantamento de quantas secaram, devido ao desmatamento.

Acordo

O acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente para a municipalização do parque foi fechada na última quarta-feira, depois de Paulella ter criticado a condução da negociação pelo Estado. A transferência de gestão será assinada na segunda-feira. O governo estadual investirá R$ 8,5 milhões em reformas prediais e a Secretaria de Serviços Públicos da cidade vai desembolsar R$ 6 milhões ao ano para manter o local.

O valor repassado será escalonado em um período de 13 meses, mas a quantia será única. Segundo revelou o Correio em uma série de reportagens, o parque está praticamente abandonado, com guaritas e casarões vazios.

Força-tarefa

O secretário de Serviços Públicos organizou uma força-tarefa com diretores da pasta para inspecionar o Ecológico ontem. Paulella afirmou, com um mapa do parque em mãos, que durante muitos anos a área foi desmatada pelo próprio Estado. O Instituto Biológico derrubava árvores para fazer experimentos com capim, usados para alimentar gado. “Nossa intenção é fazer disso aqui uma floresta. É plantar muita árvore em primeiro lugar, para o solo se tornar mais permeável e as nascentes voltarem.”

O ponto onde foi detectada a depressão de uma antiga nascente fica na parte alta do Ecológico, próximo à sede do Projeto Quero-Quero. A região era cercada por uma área de 200 metros quadrados com árvores, que hoje não existem mais. No local, há alguns eucaliptos espaçados que roubam água do solo e esterilizam a terra.

Paulella afirmou ainda que o projeto paisagístico do Ecológico, assinado por Roberto Burle Marx no início da década de 90, será recuperado. “Vamos refazer o mosaicos de plantas importantes que ele projetou em todo o parque. Muitas dessas plantas se perderam ou morreram”, explicou.

Críticas

Na terça-feira, Paulella, criticou a secretaria do Meio Ambiente quanto a responsabilidade na área. Ele acusou a pasta estadual de descumprir o acordo firmado para repasse da gestão do parque. O secretário municipal disse ainda que a administração da área verde seria assumida pela Prefeitura, como previsto, apenas se o Estado repassasse R$ 7 milhões para obras emergenciais no local ainda em 2014.

Também afirmou que o contrato anual de segurança do parque, de R$ 2 milhões, venceu no mês passado e deveria ter sido renovado pela secretaria estadual. Porém, o Estado acabou acertando com a Prefeitura o mesmo valor proposto, e a ser pago até o final do próximo ano.

Primeira ação

A primeira ação emergencial da Prefeitura no Parque Ecológico depois da assinatura do convênio com o Estado — o que deverá ocorrer na próxima semana — será realocar pelo menos dois vigilantes municipais terceirizados para as guaritas de entrada da área, hoje abandonadas. O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Dimas Paulella, tem planos de montar uma base da Guarda Municipal no local. 

“Já estamos conversando com a Secretaria de Segurança. Seria providencial se a Guarda tivesse um quartel aqui. A presença da polícia inibe a ação de bandidos.” A Polícia Estadual Ambiental tem interesse em instalar um batalhão no parque, de acordo com Paulella. 

O secretário disse ainda que a Prefeitura deve trocar imediatamente lâmpadas quebradas e fazer consertos no alambrado. O dinheiro do Estado será usado para recuperar as quadras poliesportivas, prédios abandonados e o asfalto deteriorado de várias áreas. O recurso será usando também para iluminar áreas que hoje não tem postes de luz. “Nosso principal objetivo é trazer a população de volta para o Parque Ecológico, principalmente da periferia e regiões carentes. O que dá vida ao parque são as pessoas.”