Países assinam declaração contra o tráfico de animais ameaçados.

Elefante africano 'se estica' para tentar pegar folhas da copa de uma árvora no zoológico de Duisburg, na Alemanha. Animais que vivem na natureza estão ameaçados de extinção.

Forte demanda da Ásia
Segundo os especialistas, o comércio ilegal de espécies ameaçadas representa um mercado que varia entre US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões ao ano. Um chifre de rinoceronte é, por exemplo, mais caro do que o ouro.

A forte demanda da Ásia, onde são atribuídas propriedades medicinais aos chifres de rinoceronte e aos ossos de tigre, estimula o tráfico. Já o marfim continua sendo um símbolo de ostentação, desafiando a moratória de seu comércio, decretada em 1989.

"Não se trata apenas de uma crise ambiental. Virou uma indústria criminosa, na mesma escala que a das drogas, as armas e o tráfico humano", afirmou Hague. "Temos que demonstrar uma 'tolerância zero' diante da corrupção e mostrar o compromisso de todos os governos de não manter nenhum vínculo comercial com produtos procedentes de espécies ameaçadas", insistiu.

Foi possível avançar 
As organizações protetoras da natureza comemoraram a declaração, embora tenham destacado que seria possível avançar mais. "Foi um encontro sem precedentes, o primeiro indício de que os governos levam a sério o combate ao crime organizado da vida selvagem", disse Mary Rice, da ONG Environmental Investigation Agency.

No entanto, "teríamos gostado que fossem mais longe, particularmente com o marfim e os tigres, acabando com o mercado doméstico legal".

Países assinam declaração contra o tráfico de animais ameaçados

46 governos se comprometeram a lutar contra caça e comércio ilegal.
Encontro foi realizado em Londres ao longo desta semana.

O Brasil possui atualmente 627 espécies ameaçadas de extinção, de acordo com pesquisa do Ministério do Meio Ambiente realizada em 2008. O levantamento anterior, feito em 1989, mostrava uma lista de 218 animais, mas não incluía peixes e outras espécies aquáticas. Todas estão descritas no Livro Vermelho, publicado pelo ministério. Mesmo se separarmos as espécies na pior categoria - "criticamente ameaçadas" -, a quantidade ainda é enorme (veja a lista no final do texto e clique na aba "Fotos" acima para ver alguns desses animais), compreendendo mamíferos, répteis, anfíbios, aves, peixes e invertebrados.

O espadarte é um dos grandes predadores das nossas águas (o maior exemplar capturado tinha 7 m), mas pode desaparecer do Brasil

   

Veja abaixo os animais mais ameaçados segundo o Livro Vermelho:

Caluromysiops irrupta / Cuíca-de-colete -

Alouatta guariba guariba / Guariba

Alouatta ululata / Guariba-de-mãos-ruivas

Brachyteles hypoxanthus / Muriqui

Cebus kaapori / Macaco-caiarara

Cebus xanthosternos / Macaco-prego-de-peito-amarelo

Leontopithecus caissara / Mico-leão-de-cara-preta

Leontopithecus chrysopygus / Mico-leão-preto

Saguinus bicolor / Sagüi-de-duas-cores

Callicebus barbarabrownae / Guigó

Callicebus coimbrai / Guigó-de-coimbra-filho

Balaenoptera musculus / Baleia-azul

Trichechus manatus / Peixe-boi-marinho

Carterodon sulcidens / Rato-de-espinho

Phyllomys unicolor / Rato-da-árvore

Juscelinomys candango / Rato-candango

Wilfredomys oenax / Rato-do-mato

Liolaemus lutzae / Lagartixa-da-areia; Lagartinho-branco-da-praia

Corallus cropanii / Boa-de-cropani; Jibóia-de-cropani

Dipsas albifrons cavalheiroi / Dormideira-da-Ilha-da-Queimada-Grande

Bothrops alcatraz / Jararaca-de-Alcatrazes

Bothrops insularis / Jararaca-ilhoa

Dermochelys coriácea / Tartaruga-gigante; Tartaruga-de-couro; Tartaruga-de-cerro; Tartaruga-de-quilha; Careba-mole (ES); Careba-gigante (ES); Tartaruga-de-leste (BA)

Melanophryniscus macrogranulosus / Sapinho-narigudo-de-barriga-vermelha (RS)

Hyla cymbalum / espécie de perereca

Hyla izecksohni / espécie de perereca

Hylomantis granulosa / Perereca-verde

Phyllomedusa ayeaye / Perereca-de-folhagem-com-perna-reticulada

Scinax alcatraz / Perereca-de-Alcatrazes

Holoaden bradeiOdontophrynus moratoi / Sapinho

Paratelmatobius lutziiThoropa saxatilis

Galeorhinus galeus / Cação-bico-doce

Pristis perotteti / Espadarte (AP, PA e parte do MA) ou Peixe-serra (demais Estados)

Puffinus lherminieri / Pardela de asa-larga; Pardelinha (ES)

Fregata ariel / Tesourão-pequeno

Fregata minor / Tesourão-grande

Mergus octosetaceus / Pato-mergulhão

Claravis godefrida / Pararu; Pararu-espelho

Columbina cyanopis / Rolinha-do-planalto; Pombinha-olho-azul; Rolinha-brasileira

Anodorhynchus leari / Arara-azul-de-lear

Pyrrhura anaca Salvadori (Pyrrhura griseipectus) / Periquito-cara-suja (CE, PE); Cara-suja (CE); Tiriba-de-peito-cinza

Neomorphus geoffroyi / Jacu-estalo; Jacu-porco; Jacu-taquara; Jacu-queixada; Jacu-molambo; Jacu-verde; Aracuã-da-mata

Calyptura cristata / Tietê-de-coroa; Anambé-mirim

Drymornis bridgesii / Arapaçu-platino

Gubernatrix cristata / Cardeal-amarelo

Oryzoborus maximiliani (Sporophila maximiliani) / Bicudo; Bicudo-verdadeiro

Coryphistera alaudina / Corredor-crestudo

Leptasthenura platensis / Rabudinho

Philydor novaesi / Limpa-folha-do-nordeste

Pseudoseisura lophotes / Coperete

Antilophia bokermanni / Soldadinho-do-araripe; Lavadeira-da-mata; Galo-da-mata; Cabeça-vermelha-da-mata; Uirapuru-matreiro

Merulaxis stresemanni / Entufado-baiano

Formicivora littoralis / Formigueiro-do-litoral; Com-com (Cabo Frio)

Myrmotherula snowi / Choquinha-de-alagoas

Nemosia rourei Cabanis / Saíra-apunhalada

Hemitriccus kaempferi / Maria-catarinense; Sebinho-de-peito-camurça

Phylloscartes roquettei / Cara-dourada

Diplodon koseritzi / Marisco-do-junco (RS)

Corvoheteromeyenia australis

Corvospongilla volkmeri / Pó-de-mico

Racekiela sheilae

Cassidulus mitis Krau / Ouriço-do-mar

Synaptula secreta / Pepino-do-mar; Holotúria

Giupponia chagasi / Opilião; Aranha-bode; Aranha-fedorenta

Iandumoema uai / Opilião; Aranha-bode; Aranha-fedorenta (apesar do mesmo nome popular, é considerada uma espécie diferente)

Dichotomius schiffleri / Besouro-rola-bosta

Exomalopsis (Phanomalopsisatlantica / espécie pouco conhecida de abelha

Dirphia monticola / espécie de mariposa

Mecistogaster pronoti / espécie de libélula

O animal mais presente na lista (a borboleta) tem 20 espécies criticamente ameaçadas de extinção - todas sem nome popular específico:

Drephalys mourei Miel

Pseudocroniades machaon seabrai

Actinote zikani

Dasyophthalma delanira

Dasyophthalma vertebralis

Doxocopa zalmunna

Eresia erysice erysice

Hyalyris fiammetta

Melinaea mnasias thera

Narope guilhermei

Orobrassolis ornamentalis

Scada karschina delicata