Órgão disse que todas as obras foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e que "não compactua com qualquer tipo de irregularidade".

Órgão disse que todas as obras foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e que "não compactua com qualquer tipo de irregularidade".

Delações da Odebrecht: ex-diretores do DER-SP são suspeitos de receber pagamento indevido

 

Por G1 São Paulo

13/04/2017 19h01  Atualizado 13/04/2017 19h01

Agentes públicos do Departamento de Estradas de Rodagem do estado de São Paulo são suspeitos de terem se beneficiado com pagamentos indevidos da Odebrecht para a execução de obras da rodovia SP-225, no município de Araraquara, entre 2005 e 2008.

As acusações partem de acordo de delação premiada de ex-executivos da empreiteira na Operação Lava Jato. Os valores exatos não foram informados em documento disponibilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os delatores Carlos Armando Guedes Paschoal, Roberto Cumplido e Benedicto Barbosa da Silva Júnior, os beneficiados com os pagamentos indevidos da empreiteira foram Mario Rodrigues Junior, então diretor superintendente do DER; Mário Augusto Fattori Boschiero, então diretor de uma das regionais do DER (DR4); e Júlio Astolphi, então diretor de engenharia do DER-SP.

Em seu relato no acordo de delação premiada, Roberto Cumplido disse que foram pagos a Rodrigues Junior e a Boschiero, respectivamente, 4% e 1% do valor do contrato, para evitar que houvesse “algum tipo de atraso ou não liberação do contrato”. Segundo ele, a partir de 2007, os 4% do valor do contrato passaram a ser pagos a Júlio Astolphi.

O ex-diretor da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior confirmou que foi consultado e que autorizou os pagamentos ilícitos aos agentes públicos do DER. Carlos Paschoal, que sucedeu Benedicto, também disse que deu continuidade aos pagamentos ilícitos.

O DER informou, por meio de nota, que todos os contratos de obras realizadas pelo órgão foram devidamente aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), incluindo a executada entre 2005 e 2008 na rodovia SP-225. "O DER ressalta que não compactua com qualquer tipo de irregularidade, que preza pela total transparência de seus serviços e está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários para o avanço das investigações", diz a nota.

O G1 não conseguiu entrar em contato com Mario Rodrigues Junior e Júlio Astolphi, que não estão mais no DER. Em relação a Mário Augusto Fattori Boschiero, o DER-SP informou que "havendo participação efetiva de funcionários públicos em qualquer tipo de fraude, a posição do DER é clara: que se aplique a lei, que sejam julgados e, se condenados, punidos".

 

As acusações constam de petição na qual o juiz Luiz Edson Fachin, relator do processo da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) remete o inquérito para instância inferior, na Seção Judiciária de São Paulo.

Ao todo, 201 pedidos de inquérito foram remetidos a instâncias inferiores da Justiça Federal em todo o país. Relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Edson Fachin também determinou a abertura de 76 inquéritos contra políticos e autoridades com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht, informou a assessoria do STF.

Odebrecht

Em nota referente a todo o conteúdo das delações de ex-diretores da empresa, a Odebrecht disse entender que "é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos".

"A empresa colaborou com a Justiça, reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas", diz o texto.