O Ministério da Justiça admite.

Edição do dia 23/11/2013

23/11/2013 22h09 - Atualizado em 23/11/2013 22h39

Ministério da Justiça admite denúncia sobre políticos participarem de cartel

PF afirmou que documentos sobre atos ilícitos na execução de obras do metrô de SP foram entregues pelo Ministério da Justiça e não pelo CADE.

 

Ministério da Justiça admitiu que foi o responsável por encaminhar à Polícia Federal a carta com denúncias sobre um suposto esquema de corrupção política e de cartel em trens e metrô de São Paulo e doDistrito Federal. O ex-diretor da Siemens, apontado como autor do relatório, diz que a denúncia é anônima e sigilosa.

No inquérito da Polícia Federal que investiga a formação de cartel em licitações para a compra e a manutenção de trens em São Paulo, o delegado Braulio Cezar da Silva Galloni diz: "a denúncia foi recebida via CADE", o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Mas em uma nota deste sábado (23), a Polícia Federal afirma que "os documentos sobre eventuais atos ilícitos na execução de obras do metrô de São Paulo foram encaminhados pelo Ministério da Justiça e não pelo CADE, conforme erro material cometido no ofício de encaminhamento da Coordenação Geral de Polícia Fazendária à Superintendência Regional da PF em São Paulo".

O Ministério da Justiça afirma que "recebeu do deputado estadual Simão Pedro, do PT de são Paulo, estas denúncias, acompanhadas de documentos, e que as encaminhou à Polícia Federal para as devidas investigações."

Também, em nota, o deputado, que é secretario municipal em São Paulo, confirmou esse trâmite.

As denúncias estão em uma carta que faz parte do inquérito, como mostraram na quinta-feira (21) o jornal O Estado de São Paulo e o Jornal Nacional. Em um trecho, o denunciante diz: “além de envolver muitos projetos e dezenas de pessoas, o esquema de corrupção se estende por um longo período. De 1998 a 2012”.

Na sequência, aparece uma lista com o nome dos políticos de vários partidos, PSDB, DEM, PTB,PPS e PSB, que estariam envolvidos com a consultoria de Arthur Teixeira, investigada por intermediar o pagamento de propina a agentes públicos no suposto esquema do cartel durante os governos tucanos de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra em São Paulo.

Por meio de outra empresa, a MGE, o esquema teria atuado no Distrito Federal, nos governos deJoaquim Roriz, eleito pelo PMDB, e de José Roberto Arruda, eleito pelo DEM.

Cinco fontes de órgãos públicos diferentes ouvidas pelo Jornal Nacional garantem que a carta-denúncia é de Everton Rheinheimer, diretor da área de transportes ferroviários da Siemens, entre setembro de 2001 e março de 2007. Essas mesmas fontes afirmam que foi o deputado Simão Pedro que o levou ao Ministério Público.

Apesar disso, Everton Rheinrheinmer, denunciante, afirmou nesta sexta-feira (22), em nota, que a carta com as denúncias é anônima e que não foi ele quem a encaminhou às autoridades.

A edição deste sábado (23) do jornal ‘O Estado de São Paulo’ ressalta que o denunciante faz essa afirmação pressionado por delação premiada que "fez na Polícia Federal e no Ministério Público Estadual." "Nessa delação premiada, mantida em sigilo, ele confirma os dados do relatório."

O jornal acrescenta que "o pacto de delação impõe uma série de condições, entre elas a blindagem do delator, com a preservação de sua identidade."

No dia 5 de novembro, Everton Rheinheimer assinou um termo de declaração da Polícia Federal em que "se reserva ao direito constitucional de permanecer em silêncio."

Por telefone, a advogada do ex-executivo da Siemens, Carolina Fonti, disse que não nega, mas que também não pode confirmar que a carta tenha sido escrita por Everton Rheinheimer. Ela também disse que seu cliente se sentiu no dever de dar uma explicação, agora, apesar de o documento ser sigiloso.

Procuramos os partidos que têm integrantes ou ex-integrantes citados na denúncia. O PMDB não quis se manifestar.

PSB afirma que é a favor da apuração rigorosa de todas as denúncias, inclusive das que envolvam filiados do partido. O DEM, o PTB e o PPS negam envolvimento.

Já o PSDB divulgou nota dizendo que a participação direta do ministro da Justiça, do presidente do CADE e de um secretário da Prefeitura de São Paulo no encaminhamento da denuncia é uma trama vergonhosa para denegrir adversários políticos.

O PSDB pede o afastamento imediato do ministro da Justiça, do presidente do CADE e do secretário municipal Simão Pedro. Essas três autoridades ainda não se manifestaram.

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