Metalúrgicos da Embraer entram em greve por reajuste salarial

No dia da apresentação oficial do protótipo do cargueiro KC-390 pela Embraer, nesta terça-feira, 21, os metalúrgicos entraram em greve de 24 horas para pressionar a empresa a aumentar a proposta de reajuste salarial. Até agora, a Embraer ofereceu apenas 6,6% (inflação mais 0,24% de aumento real). Cerca de 7 mil trabalhadores  da produção e turno administrativo estão parados.

Os metalúrgicos reivindicam, no mínimo, 10% de reajuste, com 3,43% de aumento real. Embora a data-base da categoria seja 1º de setembro, a Embraer e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que estão à frente do grupo patronal do setor aeronáutico, travaram as negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Nesta Campanha Salarial, os metalúrgicos já fecharam 30 acordos, com aumento real médio de 3,05%, para um total de 5.489 trabalhadores.
O protesto de hoje acontece também um dia antes do pagamento da primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) 2014 pela Embraer. Apesar de ser a maior empregadora metalúrgica da região e passar por um momento de vendas em alta, a empresa vai pagar uma das PLRs mais baixas da categoria. Cada trabalhador receberá um fixo de R$ 912,31 mais 12,44% sobre o salário. Um funcionário que recebe R$ 3 mil, por exemplo, terá uma PLR de apenas 1.285,51.

“A recusa em pagar uma PLR maior e 10% de reajuste salarial vai contra a realidade da empresa, que tem plenas condições de atender as reivindicações da categoria. Em fábricas muito menores e condições bem menos favoráveis do que a Embraer, os metalúrgicos conquistaram PLRs superiores e reajustes de até 11%. Não podemos admitir que a direção da empresa continue com essa política de desvalorização dos trabalhadores. Por isso, hoje é dia de greve”, afirma o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros da Silva.

No primeiro semestre deste ano, o lucro da Embraer cresceu 955% em relação ao mesmo período de 2013. 

KC-390

A Embraer faz, nesta terça-feira, a apresentação oficial  do  cargueiro KC-390, na fábrica de Gavião Peixoto.  Apesar de o governo federal estar investindo R$ 7,2 bilhões no projeto, com a compra de 28 unidades, este é o avião da Embraer com maior número de componentes importados – seguindo a política de desnacionalização adotada pela empresa.

Outros aviões produzidos pela Embraer já estão passando por esse processo, como o Phenom, Legacy e a família da segunda geração dos E-Jets. O resultado da desnacionalização já está sendo sentido pelos trabalhadores da região. Em Jacareí, a fábrica C & D, que já empregou mais de 180 funcionários, terminará o ano com apenas 35 na produção.

A Latecoere, também de Jacareí, deixará de produzir a fuselagem dos E-Jets 190 e 195 a partir de 2017. As peças serão fabricadas nos Estados Unidos, pela Triumph. Com isso, em 2020 a fábrica desativará suas atividades na cidade. 

A Embraer também está ampliando sua fábrica em Melbourne, nos Estados Unidos, gerando 600 empregos lá fora. 

“A desnacionalização das aeronaves é um assunto de extrema gravidade. O Sindicato já denunciou essa situação ao governo federal para que intervenha e barre a continuidade dessa política, que só gera desemprego e perdas para o país”, conclui Herbert. 



Fonte: Shirley Rodrigues/Assessoria Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região - 21/10/2014