Mesmo considerada abusiva, greve dos metroviários continua e provoca caos na vida dos paulistanos

Segunda-feira foi complicada para paulistano no quinto dia de greve dos metroviáriosAmanda Perobelli/Estadão Conteúdo

Os paulistanos vão precisar de muita paciência para se locomover na cidade nesta segunda-feira (9). A greve dos metroviários completa cinco dias e se torna a mais longa da história da categoria. Com as linhas operando parcialmente, os ônibus do transporte público e os trens da CPTM ficam superlotados, além da liberação do rodízio que leva mais carros às ruas. Motoristas e passageiros enfrentam ainda protestos na capital.

Os metroviários decidiram continuar com a paralisação após assembleia no último domingo (8). A Justiça determinou que os metroviários e os engenheiros devem voltar imediatamente ao trabalho sob pena de pagar multa de R$ 500 mil por dia. No entanto, o presidente do Sindicato, Altino Melo dos Prazeres, disse que a categoria não vai ceder. Uma nova assembleia foi marcada para esta segunda-feira, às 13h. 

O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários, Alex Fernandes, informou no domingo que os trabalhadores esperam uma negociação. 

— Seguiremos com a greve até que o governo de São Paulo negocie com a gente. 

Segundo Fernandes, algumas linhas do metrô operam no momento em função de um plano de contingência, implementado pela companhia, no qual os trens estariam sendo operados por supervisores e coordenadores.

— Mas nós já estamos nos organizando para fazer piquetes em trens, estações e pontos de manutenção. Ninguém vai trabalhar. Se não chegarmos a um acordo, na quinta-feira [dia da partida de abertura da Copa do Mundo] não vai ter metrô nem para Itaquera [onde fica o estádio de abertura] nem para lugar nenhum.

Em nota, o Metrô disse que “respeita a decisão do Tribunal Regional do Trabalho e cumprirá as determinações da Justiça. A Companhia aguarda o retorno imediato dos empregados ao trabalho para que o sistema volte a operar integralmente. Os excessos apurados durante a greve serão tratados em conformidade com os instrumentos internos e a legislação trabalhista”.



Governo espera Justiça decretar ilegalidade da greve para iniciar demissões e reforçar uso da PM

A greve começou na quinta-feira passada. Os grevistas iniciaram a paralisação reivindicando um aumento de 35,5%, mas agora exigem 12,2%. O metrô oferecia um aumento de 7,8% e elevou sua proposta para 8,7%, que foi rejeitada pelos metroviários, mas ratificada pelo TRT.

Os metroviários também prometem participar de uma manifestação às 7h na estação Ana Rosa, juntamente com o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e o Movimento Passe Livre. O evento agendado por meio das redes sociais tem mais de 1.800 presenças confirmadas. 

Desde o início da greve, o funcionamento do metrô é parcial, com 34 das 68 estações abertas, segundo a Companhia do Metropolitano. A linha 1–Azul funciona da estação Ana Rosa à Luz, a linha 2–Verde da Ana Rosa a Clínicas, a 3-Vermelha de Bresser-Mooca a Marechal Deodoro. As linhas Amarela, Lilás e a CPTM operam normalmente. O Metrô estima que 4,5 milhões de usuários sejam afetados com a greve. 

Metrô envia telegramas para convocar grevistas e ameaça demissões

9/6/2014 às 18h27

Reunião com metroviários termina sem acordo

Fernando Mellis, do R7

O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que a reunião com o presidente do Sindicato dos Metroviários e centrais sindicais terminou sem acordo, na tarde desta segunda-feira (dia 9).

No encontro, que aconteceu na sede da SRTE/SP (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), os grevistas tentaram revogar a demissão de colegas de trabalho, determinada nesta manhã.

O Metrô afirmou ter proposto que os funcionários voltem a trabalhar para não ter mais demissões e que os dias parados sejam compensados para que não se desconte em folha de pagamento.