Interior de SP tenta colocar voto distrital em prática

Enquanto o Congresso anda em círculos em torno da reforma política, setores organizados da sociedade civil tentam colocar em prática, por conta própria, o voto distrital em cidades do interior paulista. As associações comerciais e industriais de Franca e Barretos preparam campanhas publicitárias para convencer os eleitores a votar apenas em candidatos locais a deputado estadual e federal nas eleições de outubro. Outras cidades avaliam como aderir à ideia.

A iniciativa, batizada “Voto Nosso”, apareceu pela primeira vez em 2002 nas 14 cidades que formam a região administrativa de Franca, mas seus resultados práticos só apareceram oito anos depois, em 2010. A região, de aproximadamente 320 mil eleitores, tinha apenas um deputado estadual e hoje conta com dois deputados estaduais e um federal.

Um dos idealizadores da campanha foi Onofre Trajano, diretor da rede Magazine Luiza, irmão da empresária Luiza Trajano. Na época, ele era dirigente da Associação Comercial e Industrial de Franca (Acif). Preocupados com a falta de representatividade da cidade na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os comerciantes de Franca decidiram fazer uma campanha em outdoors, panfletos, adesivos e esquetes de rádio para estimular, durante todo o processo eleitoral, que a população escolha candidatos locais.

Em 2002 a região de Franca teve sete candidatos a deputado federal e nove a deputado estadual. O número levou a Acif a uma encruzilhada: como evitar uma nova pulverização de votos sem ferir a liberdade de escolha dos eleitores?.

Pesquisas

A saída foi contratar um instituto independente e fazer duas pesquisas de opinião. A primeira alguns meses antes e a segunda às vésperas das eleições. “Nós não falamos em nomes e nem podemos falar mas as pesquisas induzem a votação nos candidatos que estão no topo das pesquisas. É praticamente um voto distrital”, disse João Carlos Cheade, vice-presidente da Acif e um dos criadores da campanha “Voto Nosso”.

De acordo com ele, um dos objetivos é expandir a campanha para outras cidades que não têm representação e aumentar a presença do interior no Legislativo estadual. O número de deputados estaduais com base apenas em cidades do interior caiu de 42 em 2006 para 36 na atual legislatura. Para impedir o que chama de “desinteriorização” da Alesp, as lideranças do interior contam com apoio da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.