Greve na USP: tribunal suspende audiência e chama reitor

Greve na USP: tribunal suspende audiência e chama reitor

Educação

 

Bruno Bocchini - Agência Brasil10.09.2014 - 18h28 | Atualizado em 11.09.2014 - 00h51

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) suspendeu, na tarde de hoje (10), audiência em que representantes da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) e os funcionários da instituição tentavam chegar a um acordo para pôr fim à greve dos trabalhadores, que já dura 107 dias.

O desembargador Davi Furtado suspendeu a sessão após receber a informação dos representantes da  universidade de que o reitor Marco Antonio Zago delegou ao Conselho Universitário a decisão final sobre o pagamento de um abono de 28,6% aos empregados. O conselho, no entanto, só vai se reunir na próxima terça-feira (16). Uma nova sessão no TRT foi marcada para a próxima quarta-feira (17).

O pagamento do abono é o principal empecilho para o fim da paralisação. Em assembleia na última segunda-feira (8), os trabalhadores acataram a proposta do TRT, feita na semana passada, de reajuste salarial de 5,2% e abono de 28,6%. Eles permanecem em greve até que a instituição dê uma resposta sobre a proposta da Justiça. A Reitoria da USP, no entanto, ainda espera a decisão do conselho.

“Nós estamos aqui com mais pressa que a USP”, ressaltou o desembargador, ao suspender a sessão. “A USP está começando a dar murro em ponta de faca. A Justiça é séria e é lugar de resolver as coisas. Vamos adiar e chamar o reitor e o secretário”, acrescentou Furtado. O reitor e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, e Inovação do estado foram convidados a comparecer à próxima sessão.

O coordenador de Administração Geral da USP, Rudinei Toneto Junior, destacou que a universidade enfrenta uma situação financeira delicada e precisa da aprovação do Conselho Universitário para acatar a proposta da Justiça. “O conselho é que vai dizer quanto da folha podemos comprometer com esse abono”, disse.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP, além do abono, ainda não está resolvido como será feita a reposição dos dias parados. “Nós nos comprometemos, assim como fizemos nas outras greves, a colocar em dia todo o trabalho acumulado. Mas repor as horas é punição, não vamos acatar. Daria mais de dois anos”, disse Magno de Carvalho, diretor do sindicato.

Hoje, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ter aceitado proposta feita pela Justiça na última semana, de reajuste de 5,2% e abono de 28,5%.

Editor: Nádia Franco