Governo estuda nova estrada para desafogar trânsito para o litoral

Em dez anos, o fluxo aumentou 35% na Anchieta-Imigrantes

23 de novembro de 2013 | 2h 09

O Estado de S.Paulo

Entregue no fim de 2012 com a promessa de resolver a lentidão registrada no sistema que leva às cidades da Baixada Santista e do litoral sul, a segunda pista da Rodovia dos Imigrantes, no trecho de serra, já não consegue o efeito desejado. No feriado prolongado da República, mesmo com a pista em operação, motoristas demoraram até seis horas para chegar ao litoral.

Os números explicam parte da saturação. Segundo a concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, o volume de carros de passeio cresceu 35% de lá pra cá, passando de 24,7 milhões, em 2002, para 33,3 milhões, em 2012. O tráfego de veículos pesados aumentou ainda mais. O incremento foi de 59% - de 4,2 milhões, em 2002, para 6,8 milhões em 2012.

Quando o calor aperta, os carros ocupam todos os acessos. Há uma semana, no feriado da República, os motoristas levavam duas horas somente para percorrer os 29 quilômetros da Cônego Domenico Rangoni, que leva ao Guarujá.

E a lentidão deve repetir-se. As obras de ampliação da capacidade só devem ficar prontas em setembro de 2014. O pacote custa R$ 328 milhões e inclui a implementação de anel viário, interligando as Rodovias Anchieta, Imigrantes, Padre Manuel da Nóbrega e Cônego Domenico Rangoni. Haverá uma terceira faixa entre o km 270 e o km 262, na região de Cubatão. / A.F.

Rodovia teria 36 quilômetros, com início no Trecho Leste do Rodoanel, que está em construção; motorista seguiria percurso formado por túneis e viadutos até a área continental de Santos, na altura do pedágio da Rodovia Cônego Domenico Rangoni

23 de novembro de 2013 | 2h 11

 

ADRIANA FERRAZ - O Estado de S.Paulo

Os longos congestionamentos que ocorrem em feriados e fins de semana de calor nas rodovias que levam ao litoral paulista poderão ser reduzidos dentro de cinco ou seis anos. Isso se a nova proposta de acesso às praias em análise pelo governo do Estado sair do papel. O estudo prevê a construção de uma via para ligar a cidade de Suzano, na Grande São Paulo, à Baixada Santista e ao litoral norte.

A estrada em análise tem 36 quilômetros, com início no futuro Trecho Leste do Rodoanel, já em construção. O acesso seria feito nas proximidades da Estrada dos Fernandes, em Suzano. De lá, o motorista seguiria um percurso formado por túneis e viadutos até a área continental de Santos, a apenas 15 minutos da entrada do Guarujá, na altura do pedágio existente na Rodovia Cônego Domenico Rangoni. Nesse ponto, um túnel serviria de rota especialmente para veículos de carga até o Porto de Santos.

O projeto prevê ainda que a futura estrada dê acesso direto à Rodovia Rio-Santos, via Bertioga, proporcionando rota alternativa para as cidades do litoral norte (veja ao lado). A expectativa é de que a viagem de Suzano a Santos leve cerca de 40 minutos e possa ser inaugurada em 2019, caso a proposta apresentada ao governo seja levada adiante sem atrasos.

A iniciativa de projetar a nova rodovia é do Grupo Bertin, dono da Contern, responsável pela construção dos Trechos Leste e Sul do Rodoanel. Na próxima semana, a construtora - que firmou um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) com o governo - apresentará informações adicionais à Secretaria Estadual de Logística e Transportes, que participa das negociações com representantes das prefeituras de Santos e Suzano.

Batizada preliminarmente como Via Mar, a nova rodovia ainda poderá ajudar a desafogar as pistas da Cônego Domenico Rangoni nas proximidades do acesso ao Porto de Santos. Não raramente, a estrada fica completamente parada pelo excesso de caminhões no complexo portuário. Com o túnel em direção a Santos, a via daria acesso a São Vicente e Praia Grande e aos municípios do litoral sul: Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá.

O modelo final depende da aprovação do governo, que oficialmente afirma apenas cogitar a proposta. Os estudos da Contern devem estender-se até março, quando o Estado planeja abrir chamamento público para o desenvolvimento do projeto executivo da obra.

Para o professor de Transportes da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Creso de Franco Peixoto, o governo caminha para a construção de uma nova via no sentido litoral, assim como ocorreu no fim dos anos 1990, quando se optou pela segunda pista da Imigrantes. "Ainda temos essa tendência de investir em soluções rodoviárias, sempre paliativas. A prioridade deveria ser o transporte público. De todo modo, o sistema está mesmo saturado, reflexo direto do nosso enorme índice de motorização", diz.

Rota. A nova rota para o litoral seria uma boa alternativa especialmente para moradores da zona leste da capital, de Guarulhos e até do interior, via São José dos Campos. Pelo projeto, o percurso teria cerca de três ou quatro viadutos - a maior parte do percurso seria feita por túneis profundos, cavados a mais de 20 metros.

A construção por túneis é condição para viabilizar o negócio do ponto de vista ambiental, apesar de dificultar do ponto de vista financeiro - o método é de seis a dez vezes mais caro. Segundo projeto da Contern, ao qual o Estado teve acesso, esses túneis teriam três faixas de rolamento em cada um dos sentidos e altura suficiente para receber, no "subsolo", uma ferrovia para transporte de cargas e dutos para levar líquidos, como etanol, do Planalto ao litoral.

Mesmo com alta tecnologia, a execução do trajeto causaria impacto no Parque Estadual da Serra do Mar, área de preservação ambiental. Por causa do risco, outro projeto de estrada rumo ao litoral, via Parelheiros, na zona sul, está praticamente descartado. O percurso até Itanhaém exigiria ainda mais desmatamento.