FUNCIONÁRIOS SÃO IMPEDIDOS DE TRABALHAR EM FAZENDA OCUPADA

MAIS DE 500 TRABALHADORES DA CUTRALE ESTÃO PARADOS EM BOREBI (SP).
INCRA DIZ QUE DESDE 2006 ESTÁ COM AÇÕES NA JUSTIÇA PARA RETOMAR A ÁREA.

Mais de 500 trabalhadores estão impedidos de trabalhar desde que aproximadamente 450 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)invadiram a Fazenda Santo Henrique no domingo (16) em Borebi (SP). A informação é da Cutrale, empresa que administra a fazenda. Em nota, representantes da Cutrale informaram que ainda não há como estimar os prejuízos, tendo em vista que os manifestantes ainda ocupam o local. "O trabalho de mapeamento dos danos é feito geralmente após a liberação do local", esclarece.


De acordo com a empresa - uma das maiores produtoras de laranja do país - a área invadida tem mais de 2 mil hectares, com mais de 1 milhão de pés de laranja plantados. No domingo, apenas motoristas que prestam serviços para empresa puderam entrar para retirar os caminhões que estavam no pátio, mas nesta segunda-feira (17), toda a produção foi paralisada.

Ainda segundo a Cutrale, os manifestantes picharam alguns dos muros, a portaria da fazenda e arrombaram duas residências de funcionários da empresa. "A empresa fará um pedido de reintegração de posse na defesa de seus direitos. Possuímos toda a documentação e as escrituras que comprovam a posse e o domínio legal da propriedade, conforme já demonstrado em outras ações movidas anteriormente", esclarece a empresa, em nota.

Integrantes do movimento picharam a sede da fazenda  (Foto: Reprodução / TV TEM)Integrantes do movimento picharam a sede da
fazenda (Foto: Reprodução / TV TEM)

Também em um comunicado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirma que desde agosto de 2006 está com ações na Justiça para retomar a área.  A Fazenda Santo Henrique e outras propriedades integravam o núcleo colonial monção, projeto de colonização do governo federal iniciado em 1910 para imigrantes de várias nacionalidades. 

No total, essas fazendas somavam aproximadamente 40 mil hectares, abrangendo os municípios de AgudosLençóis Paulista,BorebiIaras e Águas de Santa Bárbara. Ao todo, o Incra informa que já ajuizou cerca de 50 ações, com aproximadamente 17 mil hectares a serem retomados para a união. 

14ª invasão
Os integrantes do MST, homens, mulheres e crianças, se instalaram nos fundos da fazenda onde ficam as colônias e onde moram alguns funcionários da empresa. De acordo com informações da Polícia Militar, eles alegam que só vão sair do local quando as terras forem liberadas.

Entrada da fazenda da Cutrale no interior de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Tem)Fazenda foi invadida por manifestantes em 2013 
(Foto: Reprodução/TV TEM)

Segundo a representante do movimento, Tassi Ribeiro, o Incra teria conseguido na Justiça Federal, em Ourinhos, o bloqueio da matrícula da fazenda no cartório de registro de imóveis. A medida é para impedir que a propriedade seja vendida, já que a área seria patrimônio da união. “Essa ocupação é uma denúncia porque o Incra já mostrou que essa terra é da União, que é grilagem, a Justiça também já deu indícios que pode ser fruto de grilagem, mas isso não é encaminhado”, afirma.

Nos últimos 20 anos, essa é a 14ª vez que a Fazenda Santo Henrique é invadida por integrantes do MST. Algumas invasões foram marcadas por destruição e atos de vandalismo. Em 2009, por exemplo, os manifestantes destruíram máquinas e equipamentos da empresa. Também usaram um trator para arrancar, pela raiz, mais de dez mil de pés de laranjas. Um prejuízo de mais de um R$ 1,2 milhões.

Fazenda foi fechada pelos invasores durante a madrugada (Foto: Reprodução/TV TEM)Fazenda foi fechada pelos invasores durante a madrugada (Foto: Reprodução/TV TEM)