Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Industrias Elétricas de Portugal

Apogeu e declínio do sindicalismo revolucionário

Francisco Canais Rocha
Historiador
Em 1907, há precisamente cem anos, o sindicalismo revolucionário fazia a sua entrada em Portugal. Como ideologia, ele não deve ser confundido com o sindicalismo corporativo que predominava na Inglaterra, com as Trade Unions. O sindicalismo revolucionário pretendia fazer do sindicato a «forma social» destinada a substituir o Estado, e não um simples instrumento de defesa da classe operária, criado para fazer pressão sobre a sociedade e a coexistir com o Estado.
Irradiando de França, o sindicalismo revolucionário propaga se sobretudo pelos países latinos (França, Espanha, Itália, Portugal), Bélgica e alguns países latino americanos (Argentina, Brasil). Nos países da Europa Central e Oriental a sua influência é diminuta. Aí a social democracia será sempre predominante.
Apesar das divisões criadas pela Grande Guerra (1914 1918), que provocou a falência do socialismo parlamentar, incapaz de impedir a eclosão da mesma, o sindicalismo revolucionário foi ganhando influência até 1920, espalhando se pelos Estados Unidos da América e Austrália. Todavia, o fracasso das greves gerais, por um lado, e a ascensão do comunismo, por outro, reduziram a sua importância nos anos vinte.
Actualmente todos os que estão ligados ao movimento sindical são considerados sindicalistas. No início do século XX tal não era assim. Sindicalistas eram somente os partidários do sindicalismo revolucionário. Os outros eram socialistas ou associativistas. Na Inglaterra designavam se tradeunionistas. Nesse tempo, em Portugal, as organizações dos trabalhadores chamavam se, por força da Lei, Associações de Classe. Só depois do II Congresso Nacional Operário, realizado em Coimbra em 1919, as associações de classe serão transformadas em Sindicatos únicos ou de Indústria. Mas não todas. As associações dos trabalhadores rurais manterão sempre a mesma designação.
Nascimento do sindicalismo revolucionário
Filho do anarquismo, o sindicalismo revolucionário é, de certo modo, o resultado da fusão do anarquismo defendido por Fernand Pelloutier (1867 1901), fundador da Federação das Bolsas do Trabalho, em França, em 1892, com o blanquismo de Victor Grifuelhes (1874 1923), secretário geral da CGT francesa de 1901 a 1909. Ele é, no fundo, o corolário lógico da acção levada a cabo pelos anarquistas nos finais do século XIX.
Na realidade, a partir de 1893, os anarquistas, a quem as «leis celeradas» francesas tornam a propaganda difícil, entram nos sindicatos. Querem agir aí a favor das ideias libertárias; mas são eles próprios transformados pela acção sindical. Pouco a pouco, a prática sindical e a ideologia anarquista agem uma sobre a outra, levando à elaboração duma nova concepção: o sindicalismo revolucionário.
O sindicalismo revolucionário impôs se definitivamente depois do congresso da CGT francesa, em 1906, em Amiens, que aprovou a célebre Carta de Amiens, a «Carta Magna» desse sindicalismo. Considerando que «a política no seio do sindicato é um terrível veneno que impossibilita a concórdia dos operários frente à exploração», o sindicalismo revolucionário defende e pratica a acção directa, a única forma, no entender dos seus prosélitos, capaz de despertar as energias criadoras das massas. A acção directa expressava se nas seguintes formas de actuação: a) propaganda; b) boicote; c) sabotagem; d) greves parciais; e) greve geral; f) antimilitarismo; g) antipatriotismo.
Mercê da divulgação feita por Fernand Pelloutier e, sobretudo, por Georges Sorel (1847 1922), o sindicalismo revolucionário despertou na classe operária o sentido do heroísmo. Apesar de tudo, ele será sempre um sindicalismo de operários profissionais orgulhosos dos seus conhecimentos técnicos. E será por ele e através dele que em Portugal o anarquismo se sobrepôs ao socialismo reformista, particularmente durante a I República.
Movimento Sindical Unitário

Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos

Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional

Interjovem

Inter-Reformados

União dos Sindicatos de Lisboa

União dos Sindicatos de Aveiro

União de Sindicatos de Setúbal

Federação dos Sindicatos Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal

Federação Nacional dos Professores - FENPROF

Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal

Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública

Federação dos Sindicatos de Transportes Rodoviários e Urbanos

Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas

Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol

Sindicato dos Jornalistas

Sindicato dos Magistrados do Ministério Público

Sindicato Nacional dos Psicólogos

Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local

Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual

Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário

Sindicato dos Professores da Grande Lisboa

Sindicato dos Professores da Região Centro

Sindicato dos Professores do Norte

Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas

Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos

Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte

Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública da Zona Centro

Sindicato dos Trabalhadores da Função Publica do Sul e Açores

Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo Restaurantes e Similares do Norte

Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Norte

Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal

CIG – Confederação Intersindical Galega

CGT francesa – Federação Nacional das Minas e Energia

Labourstart

Constituída a Fiequimetal
A Fequimetal e a FSTIEP fundiram-se, a 30 de Maio de 2007, constituindo desde então a Fiequimetal/CGTP-IN, Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgica, Química, Farmacêutica, Eléctrica, Energia e Minas, a maior federação sindical da indústria no nosso país.

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Faleceu Francisco Canais Rocha
canais-rochaA Direcção Nacional da Fiequimetal, expressando profundo pesar pelo falecimento de Francisco Canais Rocha, destaca a sua estreita ligação à acção sindical nos sectores da metalurgia e das indústrias eléctricas, bem como a sua regular colaboração, como historiador, no Jornal da Fiequimetal e no Electrão.
11.8.2014