Entenda a crise na Rússia e possíveis efeitos no Brasil

18/12/2014 09h01 - Atualizado em 18/12/2014 09h01

Rublo despenca e gera temores de nova crise financeira como a de 1998.

Temor de contágio financeiro afeta países emergentes como o Brasil.

Do G1, em São Paulo

A forte desvalorização do rublo tem provocado turbulência nos mercados internacionais, sobretudo em países emergentes como o Brasil, e gerado temores de uma nova crise financeira como a de 1998, quando a Rússia declarou moratória de sua dívida, afetando a economia mundial.


A moeda russa vem sendo pressionada, principalmente, pela acentuada queda nos preços do petróleo – principal fonte de recursos de Moscou – e pelas sanções ocidentais impostas ao país por conta da atuação do governo de Vladimir Putin na Ucrânia.

A desconfiança é tamanha que nem mesmo um aumento de 6,5 pontos percentuais na taxa de juros, de 10,5% para 17% ao ano, foi capaz de evitar que a moeda atingisse mínimas recordes. Na terça-feira (16), o rublo perdeu 11% frente ao dólar, a queda diária mais aguda desde a crise financeira da Rússia em 1998. No ano, a moeda já acumula desvalorização de mais de 50%.

“O rublo vale o que vale o poder de Putin no mercado”, resumiu o jornal independente russo Novaya Gazeta.

Para tentar evitar o colapso do rublo, o Banco Central russo tem anunciado medidas como a venda diária de bilhões de dólares em divisas estrangeiras, mas obteve pouco sucesso até o momento.

Dependência do petróleo
O país, que já é afetado pela inflação, caminha agora para uma recessão, à medida que as altas taxas de juros devem prejudicar o crescimento. A Rússia pode ver sua economia recuar em até 5% em 2015 se os preços do petróleo não passarem dos US$ 60, segundo alertou o próprio banco central russo.

Petróleo e gás representam cerca de dois terços das exportações russas, de cerca de US$ 530 bilhões ao ano. Sem eles, o país teria um grande déficit comercial e de transações financeiras, e passaria a ter grande dificuldade de honrar seus compromissos e manter o atual patamar de importações.

Por enquanto, trata-se de uma crise cambial. Mas o temor de calote e o mau humor de investidores estrangeiros avessos a riscos já provoca fuga de capitais para títulos de dívidas soberanas considerados mais seguros.

E o Brasil?
É neste contexto de temor de contágio financeiro que a turbulência russa também afeta outros países emergentes como o Brasil. O real brasileiro e a lira turca, por exemplo, também têm se desvalorizado ante o dólar. Mas, por enquanto, uma situação de crise em cascata parece distante, uma vez que muitos deles acumularam reservas significativas, capazes de amortecer choques externos. As reservas do Brasil, por exemplo, estão em cerca de US$ 375 bilhões.

Segundo a agência de classificação de risco Fitch, no momento, os países mais vulneráveis seriam aqueles com forte dependência de exportação de petróleo como Venezuela, Nigéria e Bahrein.

Comércio Brasil-Rússia
No caso do Brasil, o principal reflexo até o momento tem sido o mau humor generalizado dos investidores em relação aos emergentes, sobretudo os exportadores de matéria-prima, que já vinham sofrendo com o cenário de crescimento menor da China e de estagnação na Europa.

Um agravamento da crise, entretanto, tende a afetar a capacidade russa de importar e, consequentemente, reduzir as exportações brasileiras para a Rússia.

No acumulado no ano até novembro, o comércio bilateral Brasil-Rússia soma US$ 6,3 bilhões. Embora as vendas para o país representem menos de 2% das exportações brasileiras, as compras russas saltaram 33% neste ano na comparação com 2013, impulsionadas pela maior abertura aos produtos agropecuários brasileiros, principalmente carne bovina e suína, após ter decidido proibir a importação de alimentos e produtos agrícolas da União Europeia e dos Estados Unidos em retaliação a resistência desses países em aceitar a anexação da Crimeia pelo Kremlin.

As vendas de carne bovina e suína para a Rússia no ano até novembro somaram quase R$ 2 bilhões, representando cerca de 55% das exportações brasileiras para o país (US$ 3,53 bilhões).

Do outro lado da balança, as importações brasileiras da Rússia cresceram cerca de 10% ano, somando até novembro US$ 2,7 bilhões. Os principais produtos comprados da Rússia são matérias-primas e insumos para a indústria como cloreto de potássio, diidrogenofosfato de amônio, alumínio, nitrato de amônio e diesel.

 

Rússia toma do Brasil posto de país com maior juro do mundo

Economia brasileira ocupava liderança desde outubro de 2013

POR O GLOBO

17/12/2014 12:20 / ATUALIZADO 17/12/2014 13:23


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SÃO PAULO - A Rússia ultrapassou o Brasil e agora é o país com o maior juro real (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) do mundo. A liderança foi alcançada após a elevação repentina dos juros russos de 10,5% para 17%, em uma tentativa de conter a fuga de capitais do país. O Brasil estava na primeira colocação desde outubro de 2013. O levantamento leva em conta um grupo de 40 países e foi elaborado pelo economista Jason Vieira, do site Moneyou.

Os maiores juros do mundo estão todos em países do grupo conhecido como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Considerando a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa de juros real na Rússia subiu para 9,55%. Já a do Brasil está em 4,93%, seguida por China, com 3,23%. A Índia aparece na quarta colocação, como 2,96%. A exceção entre os BRICS é a África do Sul, que tem juro negativo real de 0,42%.

Das 40 economias analisadas, 26 estão com juro real negativo. Na média geral, a taxa de juros real está negativa em 1,11%.

Já entre as taxas de juros nominais, a maior é a da Argentina, como 21,05%, seguida por Venezuela, com 18,39%. A Rússia fica com 17% e, enfim, o Brasil na quarta colocação, com a Selic em 11,75%. A taxa média dos juros nominais está em 3,10%.



 

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