Em resposta ao servidor "O que é Faixa de Gaza" "Porque estão em conflito"

É um território palestino composto por uma estreita faixa de terra localizada na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio, que faz fronteira com o Egito no sudoeste (11 km) e com Israel no leste e no norte (51 km).

 

Palestina era local da 'Terra Santa' onde viviam árabes no Império Otomano.
Judeus migraram em massa para a região e criaram Estado de Israel.

Israel é um estado judeu criado em 1948 na antiga região da Palestina, no Oriente Médio. A ocupação da área foi feita de forma gradual, a partir do primeiro encontro sionista (movimento internacional judeu), em 1897. Nele ficou definido que os judeus retornariam em massa à região da 'Terra Santa', em Jerusalém – de onde foram expulsos pelos romanos no século 3 d.C..

Começou então a migração judia para a Palestina, nome dessa região no final do século 19. Porém, na área, que então pertencia ao Império Otomano, já viviam cerca de 500 mil árabes.

À medida que a imigração de judeus aumentava, foram surgindo os confrontos. No início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, já havia 60 mil judeus vivendo na Palestina.

Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo de imigrantes aumentou drasticamente, porque milhões de judeus se dirigiam à região fugindo das perseguições dos nazistas na Europa.

Após uma tentativa frustrada da ONU de resolver o confronto com a criação de um Estado duplo (árabe e judeu), Israel declarou independência em 14 de maio de 1948. Neste ano, os judeus na Palestina já somavam 600 mil.

Disputa pela 'Terra Santa' tem raízes históricas.
Judeus migraram em massa e criaram Estado de Israel; palestinos reagiram.

Os confrontos entre judeus e palestinos têm origem na ocupação da antiga Palestina a partir do final do século 19. A região então pertencia ao Imperio Otomano e era habitada por 500 mil árabes.

Os judeus começaram a chegar após decisão do primeiro encontro sionista, que estimulou a migração em massa para a região, onde deveria ser criado o Estado de Israel – o que aconteceu em 14 de maio de 1948, quando ali já viviam 600 mil judeus.

Antes disso, porém, os conflitos entre judeus e árabes já haviam começado e se intensificado à medida que a imigração judia aumentava.

Em 1947, a ONU tentou acabar com a tensão propondo que o território fosse dividido em dois, com a criação de um Estado judeu e outro árabe. Jerusalém seria um "enclave internacional". Os árabes recusaram a proposta.

Nos anos seguintes à declaração de independência de Israel houve uma sequência de guerras contra o Estado judeu, que sempre saiu vencedor.

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, mudaria o mapa da região. Israel derrotou Egito, Jordânia e Síria e conquistou, de uma só vez, Jerusalém Oriental, as Colinas de Golan e toda a Cisjordânia – região de maioria árabe e reclamada pela Autoridade Palestina e pela Jordânia.

 

Os palestinos reagiram à tomada do território com as intifadas "agitação; levantamento; revolta", quando milhares de jovens saíram às ruas para protestar contra a ocupação israelense – considerada ilegal pela ONU.

Em 1987, na primeira intifada, crianças que jogavam pedras nos tanques foram mortas por Israel, provocando a indignação da comunidade internacional.

Porém, com o apoio dos Estados Unidos, Israel segue nos territórios ocupados, ignorando uma resolução da ONU que determina a desocupação das regiões conquistadas na Guerra dos Seis Dias.

A postura de Israel de não deixar as áreas ocupadas, junto aos atentados e boicotes por parte de palestinos que não reconhecem o Estado judeu, impedem que os conflitos terminem – apesar de haver um processo de negociação de paz que já dura anos.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que conduz o processo de paz na região, afirmou que as negociações entre Israel e palestinos estavam em "momento crítico". "Podemos facilitar, podemos estimular, podemos dar um pequeno empurrão, mas são as partes que devem tomar as decisões fudamentais para chegar a um compromisso", afirmou à época.

Em junho, com o assassinato de três jovens israelenses, a tensão chegou ao seu ponto máximo e culminou no atual conflito na Faixa de Gaza – o terceiro desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle da região, em 2007.

O sionismo foi a principal força por trás da criação do Estado de Israel. Idealizado e divulgado pelo jornalista e escritor austro-húngaro Theodor Herzl, esse movimento político defendia o direto dos judeus de terem sua pátria na região que a bíblia chamou de “Terra de Israel”.

A teoria de Herzl – que presenciou o antissemitismo na Europa – era de que, com a existência de um Estado próprio, os judeus poderiam ser fortes, algo "revolucionário" para um povo que tinha sofrido violentas perseguições durante séculos.

Foi no primeiro encontro sionista, realizado em 1897, que se definiu que os judeus retornariam em massa à "Terra Santa", em Jerusalém – de onde foram expulsos pelos romanos no século 3 d.C. e único lugar onde consideravam que se sentiriam em casa.

Começou então a migração judia para a região da Palestina – na época parte do Império Otomano e onde viviam 500 mil árabes. A ocupação culminou na declaração de independência em 1948 e na criação do Estado de Israel.

Para os palestinos, o sucesso do sionismo significou a frustração de suas aspirações nacionais e a vida sob ocupação em uma terra que eles também consideram sagrada.

Religião e ódio
O judaísmo é o nome dado à religião do povo judeu, considerada a mais antiga entre as principais monoteístas. O hebraico é a língua litúrgica, e a Torá o livro sagrado. Também há costumes alimentares e culturais específicos.

O antissemitismo é um movimento extremista que prega o ódios aos judeus. O movimento foi mais forte na Alemanha, onde durante anos foi criado o sentimento de que os judeus eram os responsáveis pelos males ocorridos no país.

A ideologia teve seu ponto máximo no nazismo, que defendia que os judeus eram moral e fisicamente inferiores aos arianos.

Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), houve o extermínio de judeus pelos nazistas, o que causou a migração de famílias judias para fora da Europa. Grande parte delas foi para a Palestina, onde seria criado o Estado de Israel em 1948.

Explicando o que é o Hamas?

Criado em 1987, grupo islâmico não reconhece Estado judeu.
Em 2007, passou a controlar a Faixa de Gaza, território na costa de Israel.

O Hamas é considerado a maior organização islâmica nos territórios palestinos da atualidade. Um de seus criadores foi o xeque Ahmed Yassin, que pregava a destruição de Estado israelense.

Seu nome é a sigla em árabe para Movimento de Resistência Islâmica. O grupo surgiu em 1987, após a primeira intifada (revolta palestina) contra a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza

Além da faceta militar – com as brigadas Al-Qassam – o grupo que controla Gaza também é um partido político. Em sua carta de fundação, o Hamas estabelece dois objetivos: promover a luta armada contra Israel e realizar programas de bem-estar social.

Em 2006, o grupo islâmico venceu as eleições parlamentares palestinas, fato não reconhecido pelo opositor Fatah – partido nacionalista fundado em 1959 pelo líder palestino Yasser Arafat e que concorda com a criação de dois Estados (Israel e Palestina) para a solução do conflito.

Ocorreu, então, o racha dentro da Autoridade Nacional Palestina, após anos de confrontos internos. A divisão fez com que o Hamas passasse a controlar a Faixa de Gaza, a partir de 2007, e o Fatah ficasse com o comando da Cisjordânia.

Israel e Hamas não dialogam – o Estado judeu considera o grupo terrorista.

O Hamas é parte de uma vertente política do Islã que, com as Revoltas Árabes, está sendo combatida em toda a região – primeiro no Egito (com a saída da Irmandade Muçulmana), mas também em países do Golfo. Até seu aliado Irã deixou de apoiá-lo.

Por sua longa história de ataques e sua recusa em renunciar à violência, o Hamas é considerado uma organização terrorista também pelos Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Japão.

Mas para seus apoiadores, como Qatar e Turquia, o Hamas é visto como um movimento de resistência legítimo. O grupo islâmico não aceita as condições propostas pela comunidade internacional para ser um ator global legítimo: reconhecer Israel, aceitar os acordos anteriores e renunciar à violência.

 Na Faixa de Gaza 

Pobreza marca esse estreito pedaço de terra a oeste de Israel.
Sob controle do Hamas, região sofre com bloqueios israelenses. 

A Faixa de Gaza é um território palestino localizado em um estreito pedaço de terra na costa oeste de Israel, na fronteira com o Egito. Marcada pela pobreza e superpopulação, tem 1,7 milhões de habitantes e está lotada de favelas em uma área de menos de 40 km de extensão e outros poucos quilômetros de largura. Quem mora ali tem uma vida de restrições.

A região foi tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e entregue aos palestinos em 2005 para fazer parte do Estado da Palestina. Porém, boa parte das fronteiras, territórios aéreos e marítimos de Gaza ainda são controlados pelos israelenses.

Após o grupo islâmico Hamas assumir o controle da região em 2007, as restrições impostas por Israel à população de Gaza ficaram ainda mais duras.

Os bloqueios criam dificuldades de abastecimento de produtos básicos, como remédios e comida, para a população.

Os palestinos que vivem ali estão sujeitos a uma rotina em que movimentos são restritos, há cortes de energia frequentes e a economialocal está em frangalhos. Também há restrições para atividades como agricultura e pesca.

Em meados de 2013, a limitação de movimento foi reduzida ainda mais quando o Egito impôs novas restrições na fronteira de Rafah – que nos últimos anos havia se tornado o principal ponto de entrada e saída de palestinos de Gaza. Só no primeiro semestre de 2013, haviam passado pela fronteira com o Egito 40 mil pessoas.

A taxa de desemprego em Gaza ultrapassa os 40% – entre os jovens é de 50% –, e 21% de seus habitantes vivem em situação de profunda pobreza.

Segundo a ONU, há uma alta proporção de jovens em Gaza. Se a economia local ganharfôlego, haverá abundância de pessoas em idade de trabalho. Caso contrário, pode haver tensão social, com tendência à violência e ao extremismo, alerta a organização.

Túneis
Uma das alternativas aos bloqueios foram os túneis de contrabando, que se proliferaram pelo território de Gaza e eram usados para a chegada de alimentos, dinheiro, armas, combustível e materiais de construção.

O fluxo foi interrompido após operação contra os túneis iniciada em 2013. A consequência foi a escassez desses materiais e a alta nos preços dos alimentos em Gaza. Também causou desemprego nas áreas da construção civil e transportes, que dependem diretamente dos materiais que chegavam pelos túneis de contrabando.

Israel usa os túneis como um dos argumentos para os ataques à Faixa de Gaza. A ação militar terrestre começou em 18 de julho com o objetivo de destruir essas passagens subterrâneas – chamadas por Israel de "túneis do terror".

O Estado judeu afirma que os túneis de contrabando também são usados pelo Hamas para preparar plataformas de lançamento de foguetes e para se infiltrar em território israelense. 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse no dia 31 de julho que, com ou sem cessar-fogo na região, seu exército irá cumprir a "missão" de destruir os túneis da Faixa de Gaza. "Não irei concordar com qualquer proposta que não permita que o Exército de Israel complete esta importante tarefa para a segurança do país".

Assassinato de três jovens israelenses foi estopim para ataques.
Esse é o 3º conflito desde que Hamas assumiu o controle de Gaza.

A escalada de violência que começou em junho deste ano entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza é o terceiro conflito do tipo desde que o grupo islâmico passou a controlar a região, em 2007.

Desta vez, foi o sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses o estopim para os novos confrontos. Eles desapareceram em 12 de junho, e seus corpos foram encontrados com marcas de tiros no dia 30.

Israel afirma que o Hamas foi o responsável pelas mortes – e considera a organização islâmica um grupo terrorista que não aceita se desarmar.

O Hamas não confirmou nem negou envolvimento nas mortes. Durante as buscas pelos adolescentes na Cisjordânia, as forças israelenses prenderam centenas de militantes do grupo islâmico.

No dia seguinte à localização dos corpos dos jovens israelenses, um adolescente palestino foi encontrado morto em Jerusalém Oriental – a autópsia indicou que ele havia sido queimado vivo. Israel prendeu seis judeus extremistas, e três deles confessaram o crime – o que reforçou a tese de assassinato com motivação política, gerando revolta e protestos na Faixa de Gaza.

A essa altura, Israel já respondia aos foguetes disparados por ativistas palestinos de Gaza em direção ao país. Em 8 de julho, após intenso bombardeio contra o sul de Israel, o Estado judeu passou para os ataques aéreos contra Gaza.

O Hamas respondeu com foguetes contra a capital Tel Aviv, e as forças israelenses decidiram atacar também por terra, a partir de 17 de julho.

Em quase um mês de conflito, houve 1.834 mortes do lado palestino, a maioria civis, segundo autoridades de Gaza. Israel confirmou que 64 de seus soldados foram mortos, além de três civis. A Unicef, órgão das Nações Unidas, afirma que os bombardeios do Exército de Israel em Gaza já causaram a morte de 408 crianças e deixaram outras 2,5 mil feridas.

Desde terça-feira (5), está em vigor uma trégua humanitária de 72 horas na região.

Justificativas
Além das mortes dos adolescentes, Israel justifica seus ataques como respostas aos foguetes disparados pelo Hamas em direção à Israel e uma forma defesa. O Estado israelense afirma ainda que o grupo islâmico esconde militantes e armas em residências da Faixa de Gaza e, por isso, precisa bombardeá-las, mesmo que isso signifique a morte de civis. Essa atitude tem refletivo de forma negativa na opinião pública interna e internacional.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse ainda que, com ou sem cessar-fogo na região, seu Exército irá completar a "missão" de destruir os túneis que os militantes palestinos contruíram sob a fronteira com o Estado judeu.

Do lado palestino, somado à morte do adolescente e às prisões de integrantes do Hamas, está a insatisfação da população de Gaza, que considera abusivo o controle de Israel na região. Por causa dos bloqueios, os moradores dependem do Estado judeu para ter acesso a água, eletricidade, meios de comunicação e dinheiro.

Ao Hamas resta apenas o apoio do Qatar e da Turquia.
Estados Unidos tem eAntes da Primavera Árabe de 2011, o mundo muçulmano costumava se unir em bloco em defesa dos palestinos. Porém, com o fim dessa unidade, Qatar e Turquia são os únicos aliados que sobraram ao Hamas – grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007.

Uma das menores e mais ricas monarquias do mundo, o Qatar financia a construção de edifícios e estradas em Gaza. Além disso, fornece ao Hamas centenas de milhões de dólares por ano.

A Turquia já foi aliada de Israel, mas o atual governo é favorável à linha militante do islamismo e se aproximou do Hamas.

Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Jordânia condenam tanto o Hamas quanto Israel pela morte de civis em Gaza. Irã e Síria, que já apoiaram o Hamas, romperam com o movimento palestino, pois ele favorece os rebeldes que lutam contra o ditador sírio Bassar al-Assad.

No Ocidente, os Estados Unidos dizem que é preciso “entender” a preocupação de Israel em destruir os túneis que o Hamas usa para se infiltrar em território israelense.

O governo americano reconhece Israel como Estado independente e este, por sua vez, é o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. Com ajuda americana, Israel permanece nas áreas ocupadas, desrespeitando resolução da ONU. Ao mesmo tempo, as negociações de paz na região são tocadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry, com respaldo da União Europeia.

Os países europeus costumam apoiar Israel nos conflitos no Oriente Médio. Entretanto, a péssima repercussão das muitas mortes de civis na ofensiva atual fizeram com que as manifestações de apoio ficassem mais raras e discretas. 

Brasil
O Brasil reconhece a existência do Estado Palestino desde 2010. O governo brasileiro qualificou de “inaceitável” a atual escalada de violência na Faixa de Gaza e convocou seu embaixador em Israel “para consulta” – medida diplomática excepcional e tomada quando o governo quer demonstrar descontentamento e avalia que a situação no outro país é de extrema gravidade.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro considerou “desproporcional” o uso da força por Israel e pediu o fim dos ataques.

A reação israelense foi imediata e dura. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse que a decisão de chamar o embaixador em Tel Aviv para consulta “não contribui para encorajar a calma e a estabilidade na região”.

Segundo o jornal “The Jerusalem Post”, Palmor afirmou que a medida era “uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

Em nota, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que, se existe algum “anão diplomático” o Brasil não é um deles. “Somos um dos 11 países do mundo que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU e temos histórico de cooperação de paz e ações pela paz internacional”. Israel seu principal aliado no Oriente Médio.