Em época de chuva forte, saiba proteger seu carro dos alagamentos

Se for atravessar, água não pode passar da metade da roda.

Caso o motor morra, jamais tente dar partida no meio da enchente.

Denis Marum

 

Veículos tentam passar em água alagada em Cuiabá. (Foto: Marcos Landim / TVCA)

Carros ilhados em meio a enchentes são cena comum, principalmente em grandes cidades, na época do verão. Veja abaixo dicas para evitar situações mais perigosas e, se for impossível escapar dos alagamentos, como minimizar os efeitos da água que entrou no veículo.

Placa em São Paulo avisa sobre área que costuma
alargar, na região da Pompeia, em São Paulo
(Foto: Denis Marum)

'Ali sempre alaga...'
Antes de tudo, procure evitar os caminhos onde sabidamente ocorrem alagamentos. Um percurso ainda que mais longo, porém seco, evitará grandes aborrecimentos. Automóvel é como relógio: ele suporta chuva, mas a maioria não resiste à imersão.

O risco de atravessar uma área alagada deve ser muito bem avaliado. Espere um ônibus ou caminhão atravessar primeiro. Além de identificar a profundidade do local, você poderá perceber a presença de valetas ou buracos, evitando surpresas no meio do caminho.

Se tiver que atravessar, vá devagar, para não criar ondas e fazer a água alcançar áreas mais altas do seu carro. E nunca passe de ré, para evitar que água entre no escapamento.

 

Metade da roda é o limite

O maior dano que a água pode causar no seu carro ocorre quando ela entra no motor pelo duto do filtro de ar. Na maioria dos automóveis este duto fica atrás da grade da frente, na altura dos faróis.

Portanto, metade da roda é o nível máximo recomendado para a travessia. Lembre-se: um caminhão poderá aparecer no sentido contrário e formar marolas que atingirão a entrada de ar do motor.

Duto de entrada de ar do motor fica na altura
dos faróis (Foto: Denis Marum/G1)

E se a água chegar ao motor?
O motor de um automóvel funciona comprimindo uma mistura de ar e combustível. No momento final da compressão é que a vela solta uma faísca, gerando a combustão (explosão).

Ocorre que, quando a água entra no cilindro e ocupa o lugar do ar, o pistão não consegue comprimi-la e acaba se deformando e entortando a respectiva biela, provocando o travamento do motor. Este problema é conhecido como calço hidráulico.

Calma, você tem uma chance de não danificar seu motor! Se perceber que a agua vai subir acima dos faróis, desligue o carro antes que isso aconteça, a água até poderá entrar no motor, mas, com o motor desligado, não ocorrerá o calço hidráulico.

Se o motor parar, não dê partida; ideal nem é empurrar, mas esperar a água baixar e guinchar
(Foto: Reprodução/EPTV)

Outra dica importante é: se você estiver atravessando um alagamento e o motor do seu carro apagar, não tente fazê-lo pegar, não dê a partida. Espere a água abaixar e guinche o carro para uma oficina ou concessionária.

Lá eles farão a limpeza interna do motor, trocarão o óleo e substituirão o filtro de ar. Somente depois deste serviço é que o motor poderá ser colocado em funcionamento novamente.

 

Aqueles motoristas que insistirem em fazer o carro pegar, com o motor cheio de água, terão que provavelmente retificar o motor. Dependendo do modelo do carro, terão que desembolsar desde R$ 3 mil, para um carro 1.0, até R$ 30 mil, para algum carrão importado.

Carros mais antigos, prejuízo maior
Borracha ressecada é tudo que a água precisa para invadir seu bólido. Os automóveis saem de fabrica com vedadores, guarnições e tampões necessários para evitar que tanto a água da chuva quanto pequenos alagamentos causem algum tipo de dano. Porém, em veículos com mais de dez anos de uso, estes vedadores podem ressecar e perder a função. Entre eles estão guarnições das portas, tampões do assoalho, terminais de chicotes elétricos, guarnição da porta malas, coifa da homocinética, vedadores dos módulos eletrônicos, entre outros.

  

Para evitar mau cheiro, é preciso tirar as capas
dos bancos e lavá-las (Foto: Denis Marum)

Depois da tempestade vem a limpeza
Caso tenha ficado preso na enchente e seu carro acabou submergindo, você terá que levá-lo a uma oficina especializada em limpeza interna de automóveis.

Neste momento nem pense em economizar: caso contrário, seu carro se transformará em uma “casa de praia ambulante”, basta abrir a porta e aquele cheiro de mofo e umidade invadirão suas narinas.

Para não ficar mau cheiro será preciso retirar os bancos e remover o carpete. Solicite a substituição da forração de algodão que fica embaixo do carpete.

Quanto aos bancos, será necessário tirar as capas, mesmo que sejam de couro. As espumas dos bancos são outra fonte mau cheiro: será necessário lava-las e, principalmente, secá-las adequadamente.

É preciso ainda lavar o motor e tirar todos os resíduos que ficaram presos nos freios e no radiador. Aproveite esta etapa e solicite a aplicação de algum spray lubrificante, tipo limpa contato, e passe em todos os conectores e cabos elétricos. Não se esqueça de verificar o compartimento do estepe: tem gente que só descobre que entrou água no porta-malas quando tem que usar o macaco e percebe que ele está todo enferrujado.

Nem toda seguradores podem concordar em cobrir  danos de enchentes 

Prejuízo a longo prazo
Apesar de todos os cuidados com a limpeza você poderá ter alguns pequenos problemas de médio e longo prazo.

A água tem a propriedade de oxidar (enferrujar) os metais e terminais elétricos. Por causa disso, com o tempo, rolamentos e esticadores de correia podem começar a fazer ruído e relês elétricos, módulos eletrônicos podem sofrer mau contato. Enfim, uma série de pequenos problemas que lhe obrigarão a fazer mais algumas visitas ao mecânico.

Existem casos em que a seguradora não ressarce os danos causados por uma enchente, principalmente quando fica evidenciado que o motorista foi imprudente em atravessar uma área alagada. É briga para mais de ano. Por isso, é bom pensar duas vezes antes de enfiar o carro na água.