Chapa 2 atenderá aos anseios dos metalúrgicos de S. J. dos Campos

Chapa 2 atenderá aos anseios dos metalúrgicos de S. J. dos Campos

Entre os dias 24 e 25 de fevereiro, milhares de metalúrgicos de São José dos Campos (SP) vão às urnas para escolher a nova diretoria do Sindicato.Participam da disputa duas chapas, com propostas distintas. A Chapa 2 – da CTB – faz oposição à atual diretoria da entidade e é composta por metalúrgicos e metalúrgicas de diversas empresas de São José dos Campos e Região, entre elas a General Motors, a Embraer, a Avibras, a Hitachi, a Wirex e a Parker, entre outras.


Agnaldo Rodolfo dos Santos, 48 anos, é o candidato a presidência pela Chapa 2. Metalúrgico há 26 anos (sendo que os últimos 20 anos foram na GM), Agnaldo é casado e pai de três filhos. Nascido em São José dos Campos e formado em Educação Física, o candidato promete atender aos anseios dos trabalhadores e trabalhadoras do setor, que se sentem abandonados pelo sindicato.


Em uma entrevista concedida ao Portal CTB, Agnaldo dos Santos fala um pouco sobre a Chapa Oposição Metalúrgica, sua composição e propostas. “Nossa chapa é composta por homens e mulheres que conhecem muito bem a região, que sempre viveram nas cidades que formam o Vale do Paraíba, enquanto todos sabem que o atual presidente do Sindicato e candidato à reeleição chegou na cidade há pouco tempo, e ainda está longe de conhecer a categoria como nós da Chapa 2 conhecemos”, afirmou Agnaldo dos Santos. Confira abaixo a entrevista na íntegra:


Como é a composição e o diferencial da Chapa 2?


A Chapa 2 – Oposição Metalúrgica é composta por companheiros e companheiros de diversas empresas de São José dos Campos e Região, entre elas a General Motors, a Embraer, a Avibras, a Hitachi, a Wirex e a Parker, entre outras. Temos alguns diferenciais em relação à outra chapa. Em primeiro lugar, temos o respaldo da CTB e da CUT, duas grandes centrais sindicais, além de outras características: nossa chapa é composta 100% por trabalhadores e trabalhadoras que estão nas fábricas, enquanto nossos adversários contam com supostos funcionários de empresas que já nem existem mais. Além disso, nossa chapa é composta por homens e mulheres que conhecem muito bem a região, que sempre viveram nas cidades que formam o Vale do Paraíba, enquanto todos sabem que o atual presidente do Sindicato e candidato à reeleição chegou na cidade há pouco tempo, e ainda está longe de conhecer a categoria como nós da Chapa 2 conhecemos.


Quais as principais propostas que a Chapa 2 apresenta?


A principal proposta da nossa chapa é a devolução do Sindicato para os trabalhadores. Há 17 anos nossa entidade é controlada pelo PSTU. Suas prioridades não são as prioridades dos trabalhadores, mas sim a de sua máquina partidária. Isso é inadmissível para nós. A partir desse pressuposto, iremos apostar no diálogo amplo com toda a categoria e com toda a sociedade de São José e Região. Nos últimos anos, vimos diversas empresas fecharem as portas e outras, como a GM, que suspenderam uma série de investimentos por conta de uma atuação intransigente e irresponsável do Sindicato. O movimento sindical não está isolado do restante da sociedade. A GM perdeu mais de 3 mil empregos nos últimos anos. Isso não afeta só a família metalúrgica, mas todo o setor de serviços e comércio do Vale do Paraíba.


Qual a maior insatisfação dos metalúrgicos da região atualmente?


A categoria se sente abandonada pelo Sindicato. Além da questão dos investimentos e da partidarização, há um clima de abandono na própria estrutura do Sindicato. A sede está malcuidada, assim como a subsede de Jacareí. Em cidades como Igaratá, que ficam um pouco mais distantes, os diretores do Sindicato só aparecem em época de campanha, para pedir voto. Durante as eleições do ano passado, dirigentes do Sindicato foram vistos em vários momentos fazendo campanha para os candidatos do PSTU em horário de trabalho. Mas se for para citar apenas um problema que traz insatisfação à nossa categoria, eu diria que é a falta de perspectiva de novos investimentos para a região. Perdemos muitos empregos nos últimos anos. Aceitei ser candidato a presidente para tentar reverter isso. Penso muito no futuro dos meus filhos e temo que eles não tenham bons empregos no futuro caso algo não seja feito para reverter essa fuga de investimentos.


Metalúrgicos de diversas regiões sofrem com demissões, lay-off e flexibilização de direitos. Como esse cenário pode ser revertido?


A palavra para reverter isso é “luta”. Sem luta nada pode ser resolvido. Quase mil trabalhadores da GM, incluindo a mim, estiveram em lay-off nos últimos meses. Isso não é a primeira vez que acontece. A atual direção do Sindicato gosta muito de aparecer na mídia da cidade, mostrar que se mobiliza, mas nunca obtém nada de efetivo. Eles são especialistas em parar a Dutra e colocar seus funcionários nas praças de São José, mas nos momentos mais importantes sempre se rebaixam diante dos interesses das empresas.


Prováveis desafios que a nova diretoria enfrentará?


Nossa primeira tarefa será realizar uma profunda auditoria nas contas do Sindicato. Não sabemos ao certo o que encontraremos em caixa e nem mesmo a quantidade de assessores do PSTU que são mantidos com dinheiro do trabalhador de São José e Região. Mas um dos nossos grandes desafios será resgatar a capacidade do Sindicato de mobilizar a categoria em conjunto com outros setores da sociedade, como movimentos sociais, igrejas, associações de bairro, prefeituras e todos aqueles que tenham interesse em atrair mais investimentos para nossa região.


O que a categoria pode esperar dos membros da Chapa 2 se eleitos?


A categoria pode esperar muita seriedade de todos os membros da Chapa 2. Não somos candidatos para atender os interesses de nenhum partido político. Nãos iremos sustentar nada além do que a estrutura necessária para obter mais avanços e impedir quaisquer retrocessos para os metalúrgicos e metalúrgicas de São José e Região.



Fonte: Portal CTB - 13/02/2015