Brasil produzirá pela primeira vez vacina exclusiva para exportação

8/10/2013 - 13h55 -DIANA BRITO-DO RIO

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta segunda-feira acordo com a Fundação Bill & Melinda Gates para produzir pela primeira vez uma vacina dupla contra sarampo e rubéola exclusiva para exportação. A previsão é que o país exporte ao menos 30 milhões de doses da nova vacina nos próximos anos.

"Essa parceria vai abrir as portas para outros tipos de vacinas serem produzidas no Brasil - o que gera emprego e renda para o país", afirmou o ministro à imprensa durante o 9º Encontro Grand Challenges, num hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A produção da nova vacina é responsabilidade do laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. O presidente do laboratório Artur Couto explica que a vacina será vendida - com um preço mais barato - às Nações Unidas, que irão repassá-la a países em desenvolvimento da Ásia, Africa e América Latina.

"Teremos um investimento de R$ 1,6 bilhão do Ministério da Saúde para construção da fábrica de produção da vacina em Santa Cruz (zona oeste do Rio), além de R$16 milhões para pesquisa e inovação da vacina e de outras que podem ocupar o mercado global. Ainda tem investimento de U$ 1,5 milhão da Fundação Gates para apoio do desenvolvimento e da pesquisa clínica dessa vacina, que terá que ser testada em continente africano", disse Padilha.

Os testes começam em meados do ano que vem em quatro países africanos --entre eles Moçambique. Na ocasião, cerca de 30 mil profissionais, sendo a maioria brasileiros, irão participar do estudo clínico.

De acordo com o Ministério da Saúde, o sarampo mata 158 mil pessoas por ano em todo o mundo e a rubéola provoca graves consequências para mulheres grávidas. Atualmente, apenas um laboratório indiano produz a vacina dupla.

Hoje, o Bio-Manguinhos produz somente a tríplice viral MMR (caxumba, sarampo e rubéola), utilizada nas campanhas de vacinação brasileiras. Segundo Padilha, o sarampo foi erradicado com a vacinação no Brasil em 2000 e a rubéola em 2009.