BRASIL AVANÇA EM DIREÇÃO AO CUMPRIMENTO DE META CONTRA A AIDS

Publicado: 20 Março 2015

Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde sediou, em Brasília, reunião do grupo de trabalho que cuida da parcela brasileira do Relatório da Resposta Global à Aids, do Unaids.

Representantes do departamento, de outras áreas do Ministério da Saúde e do governo estiveram em encontro com membros de movimentos sociais, de estados e municípios e da academia, além de representantes do Unaids e de outras agências da ONU.

Os participantes analisaram os esforços brasileiros entre 2014 e 2015 e os dados demonstram o progresso da luta contra o HIV no último ano. “O grupo de trabalho se debruçou sobre as informações, dados, perspectivas e desafios e conseguiu ter uma visão do relatório do Brasil. O documento não terá apenas a posição do Unaids, ou do governo, mas a de vários setores que constroem a resposta à epidemia”, afirmou o diretor do departamento, Fábio Mesquita, na abertura dos trabalhos.

Segundo a coordenadora da Unaids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, o Relatório da Resposta Global à Aids é um dos mais colaborativos do mundo, no universo das Nações Unidas. “Dos 193 países membros, 180 constroem este relatório”, disse. E o Brasil, afirmou, “sempre faz um dos melhores relatórios do mundo”. 

 

Metas

O Brasil tem até 2020 para atingir a meta 90-90-90 estabelecida pelo País, perante a ONU, e que foi assumida também recentemente pelo bloco dos Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e por outros países.

A meta consiste em ter 90% das pessoas com HIVdiagnosticadas; deste grupo, 90% seguindo o tratamento; e, dentre as pessoas tratadas, 90% com carga viral indetectável. A meta mundial prevê novas infecções limitadas a 500 mil ao ano e zero discriminação.

 

Novos números

Na reunião, Mesquita apresentou novos números da luta contra a Aids no Brasil, demonstrando que o País avança em relação ao cumprimento da meta.

A estimativa é que 734 mil pessoas vivam com o HIV em território nacional. Destas, 589 mil estão diagnosticadas (dados de 2013). Entre osdiagnosticados, já aderiram ao tratamento com antirretrovirais 404 mil pessoas (49 mil delas somente no ano passado), e dentre os pacientes tratados, 338 mil encontram-se com a carga viral indetectável (45 mil deles somente em 2014).

Para Mesquita, os resultados já são fruto da prevenção combinada do HIV, que passou a ser adotada a partir de 2013 e envolve, além do departamento de Aids, as Secretarias de Vigilância em Saúde e Atenção à Saúde.

Além do uso da camisinha, a prevenção combinada inclui o tratamento antirretroviral, a testagem regular do HIV, a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP Sexual), o exame de HIV no pré-natal, medidas de redução de danos entre pessoas que usam álcool e outras drogas e o tratamento de outras DSTs.

As ONGs que lidam com as populações vulneráveis ao HIV - jovens, gays, transexuais, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas e homens que fazem sexo com homens - trabalham com a conscientização desse público e trazem informações importantes para as áreas do departamento que envolvem prevençãotratamento e adesão. “É fundamental que cada grupo fale com seus pares, pois assim as informações são mais bem compreendidas. Por isso, é muito importante a formação de novos líderes que estamos desenvolvendo”, afirmou Mesquita.

 

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Apoio

Lideranças de ONGs que integram o GT do GARPR elogiaram as iniciativas do departamento na luta contra a Aids. “Estamos de acordo com a política da prevenção combinada. A PEP Sexual e a Prevenção Combinada são ferramentas de redução de danos importantíssimas quando vamos trabalhar com pessoas que usam álcool e outras drogas, uma população que está fora de qualquer serviço de saúde”, afirmou Daniela Trigueiros, da Rede Brasileira de Redução de Danos (REDUC).

O coordenador-adjunto da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), Salvador Correia, afirmou que a “escolha do governo federal pela prevenção combinada é uma decisão acertada.”

Para ele, o próximo passo é a implementação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no SUS, a qual passa por dois avançados estudos, na Fiocruz e na Faculdade de Medicina da USP, ambos financiados pelo Ministério da Saúde. A ABIA pediu, ainda, cautela na incorporação da Atenção Básica na rede de tratamento.

O presidente da ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Carlos Magno, destacou a campanha deprevenção#partiuteste. “Foi uma retomada. É preciso parabenizar”, disse. 

Com relação à meta de zero discriminação, os representantes das ONGs foram consensuais em dizer que há muito a se avançar no Brasil para diminuir o estigma existente em relação às pessoas vivendo com o HIV.

Como exemplo dessa permanente discriminação, representantes de todos os setores presentes citaram a matéria exibida pelo Fantástico, no último domingo, sobre os barebackers do Clube do Carimbo, a qual contribuiu para acirrar o preconceito contra quem vive com o HIV

Contudo, duas medidas adotadas pelo País nesse campo do combate à discriminação foram elogiadas: as novas diretrizes para perícia médica de pessoas com HIV, lembrada por Renato da Matta, do Fórum de ONGs de Aids do Rio de Janeiro, e a lei, aprovada no ano passado, que proíbe a discriminação das pessoas com HIV no trabalho.

 

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Imagem da matéria: Ministério da Saúde
Imagem da home: Ecns.cn