Ato contra tarifas em SP tem rojões, bombas de gás e balas de borracha

Márcio Neves e Wellington Ramalhoso

 em São Paulo

23/01/201518h15 

Quarto ato do ano contra o aumento das tarifas dos transportes público em São Paulo, no centro da capital paulista.

 

Perto de seu final, o protesto desta sexta-feira (23) contra o aumento das tarifas de transporte em São Paulo teve um grande tumulto na região central da capital paulista. A PM (Polícia Militar) alega que rojões foram disparados de um prédio situado na rua Conselheiro Crispiniano, perto do Theatro Municipal. A corporação atirou bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes.

A reportagem avistou uma pessoa ferida na cabeça. Um repórter do jornal "O Estado de S.Paulo" levou uma bala na perna e também ficou ferido. Seis pessoas foram detidas e levadas ao 2º Distrito Policial. O MPL (Movimento Passe Livre), que organizou o ato, relatou que os detidos estão feridos e que dois adolescentes, também feridos, foram levados por policiais a um hospital. A PM usou a mesma rede social para dizer que quatro detidos são suspeitos de atirar bombas.

No tumulto no fim do ato, os policiais militares que formavam cordões em torno da passeata foram cercando e agredindo os manifestantes. "Ficamos acuados".

O estudante, que usa aparelho dentário, teve dois dentes entortados e sangrou depois de levar um golpe de cassetete na boca. Ele foi atendido por socorristas que acompanhavam a manifestação e disse que fará um exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal). 

A ação policial praticamente acabou com a passeata, que iria terminar no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Dispersados pela PM, manifestantes encontraram acessos das estações Anhangabaú e República do Metrô fechados.  Pelo menos duas agências bancárias foram depredadas. 

Debaixo de chuva

O ato transcorreu pacificamente e sob chuva durante a maior parte do tempo. A PM estimava em 3.000 o número de manifestantes. Durante a concentração, na praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, manifestantes colocaram fogo em uma catraca. A passeata começou por volta de 18h15 e avançou pelo viaduto do Chá, onde fica a sede da prefeitura, e pela rua Direita, onde comerciantes fecharam as lojas, e policiais fizeram um cordão de isolamento para proteger as portas.

O trajeto foi definido em assembleia e também teve a concordância da Polícia Militar. O efetivo da PM para acompanhar o protesto foi de 1.100 soldados. A corporação procurou fazer um cordão em torno da passeata e posicionar-se em pontos estratégicos para evitar desvios de trajeto. 

Os manifestantes passaram pela rua Boa Vista, onde ficam as sedes da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, da Secretaria Municipal de Transportes e da SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão do sistema de ônibus da capital paulista.

Eles fizeram uma parada em frente à Câmara Municipal, no viaduto Jacareí. Em frente ao Legislativo, manifestantes tentaram ocupar a segunda pista do viaduto, mas foram impedidos pelos policiais. Neste ponto, também houve um princípio de tumulto depois de uma bandeira do Brasil ser queimada.

Outras manifestações

Os preços das passagens de ônibus, metrô e trem subiram de R$ 3 para R$ 3,50 no começo de janeiro.

Este foi o quarto protesto do ano organizado pelo MPL. Os dois primeiros aconteceram na região central da capital paulista e também não chegaram ao fim. Houve confrontos, e manifestantes ficaram feridos; a PM deteve dezenas de pessoas.

O terceiro, realizado na última terça-feira (20) na zona leste da capital paulista, transcorreu de forma pacífica. Na dispersão, houve um tumulto na estação Belém do Metrô.

O quinto protesto do ano está marcado para a próxima terça-feira (27), às 17h, no largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, ao lado estação Faria Lima do Metrô.