Atividade da Construção Civil recua e nos próximos meses a atividade da construção imobiliária deve continuar fraca.

Atividade da construção civil recua 2,5%

 

O Índice de Atividade da Construção Imobiliária do Monitor da Construção Civil (MCC) de setembro recuou 2,5% em comparação com agosto. Foi a sexta queda consecutiva registrada no ano. No acumulado do ano, a queda já chega a 6,6%. A redução dos lançamentos em função do fraco ritmo da construção imobiliária impulsionou esse resultado.

"A tendência é que nos próximos meses a atividade da construção imobiliária deve continuar fraca, não acreditamos que isso possa ser revertido ainda neste ano", afirma a analista de construção civil da Tendências, Cláudia Oshiro.

Os dados compõem o MCC, divulgado ontem, pela Tendências Consultoria Integrada em parceria com a Criactive. O indicador mostra a situação da construção civil mensalmente desde janeiro de 2009. São medidas situações como quantos metros quadrados estão em construção no país todo e tempo de entrega dos empreendimentos. O índice inclui obras imobiliárias, comerciais e de turismo, como hotéis, por exemplo. Entram na pesquisa empreendimentos de construtoras de todos os portes e imóveis de todos os padrões, desde os mais populares até os de alto luxo.

"O indicador mede todas as fases da construção, desde a fundação da obra até o acabamento e entrega. O que percebemos atualmente é que o indicador mostra o pior cenário dos últimos anos, com o pior nível da série desde o primeiro trimestre de 2009", ressalta.

Já em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador apresentou uma retração de 9,5%. Segundo Cláudia, vários fatores pesam sobre os resultados negativos. O principal deles é o mau desempenho da economia brasileira que, neste ano, deverá crescer menos de 1%.

"A construção imobiliária parou, mas não foi só ela, a indústria toda está paralisada. Mas o mercado imobiliário é muito sensível ao sentimento da população. ? o consumidor que não quer comprar diante do cenário de incerteza e o empresário que também teme investir por causa do momento econômico", destaca.

No caso dos consumidores, ela ressalta que não é só a perda da confiança que pesa. O impacto vem também do menor poder de compra decorrente da alta da inflação e do risco real de desemprego, uma vez que as empresas já começaram a demitir.

Lançamentos - O Índice de Lançamento Imobiliário (IACI-L) que mede a metragem lançada no país e aponta o ritmo da construção nos próximos meses também apresentou queda. Os números divulgados - referentes a julho - mostram que o total de área lançada no Brasil no mês recuou 34,9% em comparação com junho, considerando dados com ajuste sazonal.

O nível do índice está 74,3% abaixo do verificado no mesmo período do ano passado. "Os lançamentos realmente foram os indicadores que mais caíram nos últimos meses. Isso comprova que não estão ocorrendo lançamentos no país", observa.

No acumulado do ano (média de janeiro a julho ante ao mesmo período do ano passado), houve recuo de 50,8%. Conforme o levantamento, o fraco resultado de lançamentos reflete o elevado nível de estoques de imóveis, o menor ritmo de vendas e a perda da confiança dos empresários. Provavelmente isso irá se refletir na continuidade da queda do índice geral da atividade da construção imobiliária nos próximos meses.



Fonte: Diário do Comércio - 09/10/2014